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11/02/2008

Rosslyn Chapel

Quem visitar as terras da Escócia, uma dos mais fabulosos monumentos que existe por estas paragens trata-se da capela de Rosslyen (Rosslyn Chapel).

A Capela de Rosslyn encontra-se num vilarejo a 30 minutos da cidade de Edimburgo e é facilmente acessível pelo bom sistema de autocarros urbanos da cidade.

Hoje em dia, muitas pessoas associam (bem ou mal) a capela de Rosslyn ao livro best-seller e filme "O Código Davinci" de Dan Brown, mas a capela de Rosslyn é muito mais que uma referência numa obra de ficção, possuindo uma grande e variada riquesa arquitectónica, histórica e simbólica.

Creio que muito antes de falarmos sobre a capela é preciso desmistificar e separar o que existe entre a histórica capela de Rosslyn e a ficção de Dan Brown. Sem dúvida o livro "O código de Davinci" e o filme homólogo fizeram muito bem a capela, tanto do ponto de vista de divulgação turísitica bem como do ponto de vista financeiro. A quando da visita, os guias comentam que antes do lançamento do livro a visitação diária da capela (por turistas) era em torno de 8 a 12 pessoas/dia, atualmente a capela recebe uns espantosos 1.500 visitantes diários! Considerando o custo de 10 libras por ingresso, podemos considerar que a capela ganhou muito com a obra.

É importante perceber que só porque a capela se tornou popular devido ao livro não quer dizer que tenha mais ou menos mérito que antes, para quem conhece a Quinta da Regaleira, podemos traçar um paralelo e pensar como considerariamos a Quinta da Regaleira se amanhã um livro ou um filme a tornasse meca de peregrinação turística.



Ao aproximarmos da Capela de Rosslyn nos deparamos com uma grande extrutura a cobrir a capela, tal foi feito no plano de obras de reparação e conservação do património. A extrutura construída em volta da capela tem duas funcionalidades, primeiro para permitir acesso a toda área externa (incluindo telhados, cachorros, capitéis, janelas, etc) a outra é um grande telhado para proteger a capela da chuva e permitir que a pedra possa secar antes de efectuarem a protecção externa contra a água e a humidade e a reparação interna dos problemas por esta causadados.



Historicamente, no local onde se encontra a capela de Rosslyn estava prevista a construção de um grande templo disposto em cruz, em facto, os alicerces desta grande empreitada chegaram mesmo a serem construídos por volta de 1443~1447. A nave deste templo teria por volta de 27 metros de comprimento.

Contudo, antes de adentrarmos na Capela propriamente dita, recomendo uma visita as cercanias da mesma, os seus jardim/cemitério.

Obviamente, e contrariando o que seria esperado, não vamos encontrar retro-escavadoras e malta esbaforida com pás a profanar tumulos e enfiar esqueletos para dentro de sacos, encontramos um bonito e bem cuidado jardim de relva verde e bem tratada com as campas devidamente conservadas.





Uma das campas, inclusive, possui uma simbologia que nos pode ser bastante familiar. ;-)

A construção de Rosslyn se deve ao conde William Sinclair (St. Clair), ultimo conde de Orkney, que gastou 40 anos e uma grande fortuna na realização desta magnífica obra.

O conde Sinclair era um homem que vivia um dilema. Sendo possuidor de um segredo como evitaria que este caisse em mãos erradas ou se perdesse? A escrita de um pergaminho ou livro, mesmo com exagerado uso de "linguagem dos pássaros", era frágil e poderia ser facilmente destruído, ou se por ventura caisse em mãos erradas poderia ser escondido dos olhos certos. A tradição oral é frágil como a vida e fiável como a memória. A melhor forma de esconder algo, seria colocando a vista de todos, em um magestoso livro em pedra que apenas os conhecedores da chave poderiam decifrar obtendo dos não iniciados uma simplória e estupefacta admiração. Interessante também é a origem da palavra "Rosslyn", que vem do hebraico e significa "O lugar do segredo oculto."

Rosslyn foi construída quase 150 anos após o presumível fim da Ordem do Templo, contudo a ligação da família St. Clair com os templários é muito mais profunda.

O fundador da ordem "Hughes de Payens" foi casado com "Catherine St. Clair", sendo afirmado que foram os dois a estabelecer a primeira comendadoria dos templários em terras da Escócia. Muitos outros membros da família "St. Clair" foram também membros, além da família ser também conhecida por sua generosidade a ordem.

Durante a perseguição aos templários, muitos dos seus membros se refugiaram na Escócia que naquela época fora excomungada pela Igreja e existem relatos de "guerreiros de manto branco" que auxiliaram Robert the Bruce na batalha de Bannockburn no dia de São João, o que foi decisivo para a Escócia se libertar da Inglaterra.

Durante a visita a Rosslyn somos surpresos ao saber que todo o dia 24 de Junho um grupo denominado "Scottish Knights Templar" ou "Cavaleiros Templários Escoceses" reune-se na capela para comemorar a data.




Subindo na estrutura construída externamente a capela podemos apreciar de perto o telhado e os capiteis da obra, muitos detalhes que só podem ser admirados nestas circunstâncias e que são simplesmente invisíveis a quem se encontra no chão.

O conde William St. Clair, também era conhecido pelo estravagante título de "Cavaleiro da Vieira e do Velocino de Ouro", e aqui cabe uma interpretação pessoal minha em que relaciono a Vieira ao caminho de Santiago de Compostela e o Velocino de Ouro a epopéia grega de Jasão e os Argonautas.

A técnica de construção da capela é por sí só impressionante. Antes de efectuarem qualquer corte em pedra, eram feitos modelos em madeira de balsa! As colunas e estatuas eram primeiramente esculpidas em madeira, permitindo que fossem feitas alterações antes de partir para o modelo final.

Contudo a capela de Rosslyn não é uma obra acabada, de facto, a capela de Rosslyn é apenas uma pequena parte do que seria todo o complexo a ser erguido. Podemos apreciar a ousadia do projecto completo apenas apreciando as colunas que se erguem na face oeste da capela e que seriam usadas numa extrutura muito mais alta e larga que a capela.



São controversas também algumas histórias que ligam a família Sinclair a práticas pagãs bem como uma interessante ligação a família com a protecção e livre passagem a tribos ciganos, contudo expecula-se que se tal seja um facto verídico a explicação era aceitável haja visto o povo cigano tomar culto a "Sara Kali" o que denota uma ligação a lenda do Graal e da Virgem Negra, o que torna ainda mais curioso a narrativa de um cronista sobre uma "virgem negra" que se encontrava na crypta de Rosslyn e que veremos mais a frente.

Interessante também a influência do evangélio apócrifo "O Evangélio do amor de São João" na arquitectura e decoração da capela.



A capela tem um arquitectura gótica, e em todas as paredes vemos entalhes simbólicos, na dobra esquerda da parede sul encontramos talhados muitos compassos, encontramos também no exterior uma cabeça que se pode identificar como sendo possivelmente de "Hermes" além de uma cena que pode por alguns instantes nos trasporta a obra de Humberto Eco "O nome da rosa", onde temos um padre em forma de Raposa pregando a Gansos.



Existe uma grande quantidade de marcas de canteiro na capela, contudo o tamanho diminuto aliado a proibição de se retirar fotos na capela não permitiram seu catálogo.



Antes de entrar na capela, uma última volta pelo jardim nos permite encontrar uma curiosa pedra com a inscrição "KING OF TERROR", "Rei do Terror" e que possivelmente vamos encontrar uma possível explicação na cripta.



Muito embora Rosslyn tenha sido construída quase 150 anos após o presumível fim dos templários, Rosslyn é dotada de uma grande carga de simbolismo que nos remete a eles, embora muitas vezes de forma espampanante o que contrasta em muito com a simplicidade de forma e estilo que encontramos em Santa Maria dos Olivais, que muito embora não sendo tão ricamente ardonada não deixa de ser uma ampla referéncia a estes.

Rosslyn parece também ter sido um destino de uma peregrinação que se iniciava no sul de França e que era conhecida como o "Caminho do Alquimista" ou o "Caminho do Neófito". Muito embora alguns defendam que seria o destino final de uma peregrinação que passaria por Santiago de Compostela.

Ao entrarmos em Rosslyn somos defrontados por um trabalho onde duas mãos revelam o cordeiro de Deus, por de trás do altar mor, uma escultura de nossa senhora com o menino Jesus.

Antes de apreciarmos própriamente a capela, uma escada do lado direito do altar nos direciona para a cripta da capela.



É citado por algumas pessoas que a cripta albergaria em seu interior uma virgem negra, atualmente a cripta abriga algumas pedras funerárias retiradas de uma aldeia templária em ruínas que existe a alguns quilómetros de Rosslyn.



A cripta possui duas salas contínuas, uma a direita e uma a esquerda bem como uma lareira na parede direita (norte).

A pequena sala a esquerda hoje trata-se uma sala de arrumos onde encontram-se algumas peças que foram se desprendendo da fachada da capela bem como outras encontradas nas cercanias.



Muito embora consideramos esta pequena capela uma cripta, devido a particularidades do terreno onde Rosslyn está inserida, na verdade, a cripta não está totalmente imersa em terra, possuindo a face este a superfície o que permite a existéncia deste magnífico vitral da elevação de cristo aos céus. Os vitrais não são originais, foram instalados por ocasião da visita da rainha Victória que ao reconhecer a magnitude da capela e o seu estado de abandono resolveu efectuar algumas obras de conservação e restauro. Contudo, pode-se perceber a referéncia a Maria Madalena neste vitral em específico através da auréula roxa.



Retornando a capela própriamente dita, entre todas as maravilhas arquitectónicas um dos maiores destaques se dão as colunas do mestre e do aprendiz.



A quando comentamos da coluna do mestre e do aprendiz, tende-se a imaginar que a coluna mais imponente tenderia a ser feita pela mestre e a de menor brilho a do aprendiz. De facto, a história em Rosslyn é diferente, relatando que após terminar uma das colunas, a que se encontra a norte, o mestre canteiro recebera de seu patrono um pedido para realizar uma coluna ainda mais elaborada, incerto de ser capaz efectuou uma viagem ao estrangeiro para adquirir inspiração. Durante a auséncia do mestre, o aprendiz de canteiro tendo vislumbrado uma coluna num sonho efectuou a obra. O mestre ao chegar e se deparar com tal prodígio e atormentado por grande inveja matou o aprendiz.

Essa história, verdadeira ou não, é, talvez, uma conexão a lenda de Hiram Abif, base da filosofia maçónica.



Creio que seja possível travar um paralelo interessante entre a coluna do Aprendiz e a Janela do Capítulo em Tomar, muito embora seja necessário tomar certas liberdades nessa interpretação.

A coluna em questão parece simbolizar a árvore da vida, que une a terra, o céu e os mundos intermédios entre eles. No topo da coluna encontramos doze elementos que parecem representar as constelações zodiacais, as espirais as raizes ou mesmo os braços espirais das constelações, por fim, as raizes penetram nos elementos terrenos vindo do celeste, e um dragão rodeia as raizes como uma alegoria de roubo da fertilidade.

Mais interessante é perceber que ao fundo da capela encontram-se dois rostos esculpidos, um com aspecto jovial olhando serenamente para a coluna do mestre e outro com aspecto de um velho martirizado a olhar para a coluna do aprendiz, talvez um castigo ao mestre por ter morto o aprendiz.



"O navegador Henry St. Calir, primeiro conde de Orkneys, nevaegou até ao novo mundo em pelo menos duas ocasiões no ano de 1400." Tal afirmação poderá ser ou não verdadeira, contudo é uma das possíveis explicações para um dos grandes mistérios de Rosslyn. Num dos lintéis do lado direito da porta sul somos surpreendidos por esculturas de aloés, nas janelas encontramos esculturas de milho bem como uma grande planópia de outras flores e plantas, até aí não teria grande significado se as mesmas não fossem originárias do novo mundo e totalmente desconhecidas na época de construção da capela.

Rosslyn possui também outros mistérios e segredos, bem como lendas e histórias, algumas que são também muito conhecidas pelos visitantes habituais de Santa Maria.
Além da cripta que se encontra acessível, os teóricos da universidade DaVinci (assim são carinhosamente chamados os "adoradores de pedra" que vão a Rosslyn), creem que exista uma segunda cripta por debaixo, e ao centro da capela, e cuja entrada está bloqueada por uma pedra de grandes dimensões, sendo que que a cripta visitável seria apenas um embuste de forma a encobrir a verdadeira. Outra teoria bem aceita é que dentro da coluna do aprendiz está escondido o santo Graal. Como a igreja já foi alvo de ataques, e devido a grande popularidade, os responsáveis pela mesma contrataram especialistas para, como equipamentos adequados e não invasivos, pudessem estudar tais teorias. O radar ultrassom não detectou nenhuma estrutura embaixo da capela excepto as que eram conhecidas, a cripta existente e os tumulos. Contudo o detector de metais acusou uma extrutura metálica dentro da coluna do aprendiz, sendo confirmada pelo ultrassom, contudo o RaioX desmistificou o caso acusando que se tratava de um simples pino de metal usado para fixar uma coluna sobre a outra. Obviamente, apenas um louco acharia que o Santo Graal estaria escondido numa coluna de pedra em Rosslyn, pois todos sabem que o mesmo se encontra escondido dentro da cripta oculta de Sta. Maria dos Olivais ;-)

Falar sobre os mistérios de Rosslyn ainda permitiria escrever muito, e creio que seria mais propício discutir isso num próximo post, quem sabe até traçando um paralelo com a nossa Santa Maria.

10/20/2008

Santa Iria


“Seis séculos e meio haviam decorrido
Desde que tinha vindo à terra o Nazareno
Quando se deu um caso horrível na Nabância,
Que inda hoje faz vibrar um coração sereno,
Por ver com repugnância
Um crime monstruoso e inútil cometido.

O godo Castinaldo,
Então governador dessa cidade linda
Vivia com a esposa Cássia, e o seu Britaldo
(O filho estremecido), uma ventura infinda.
Estavam mesmo ao pé da casa dois conventos;
Um de beneditinos
Com Célio por abade; o outro era de freiras.

Levavam para lá os nobres suas filhas
Querendo-as resguardar de múltiplas canseiras
E tôrvas armadilhas.
Entregues à pureza austera desses hinos
D´exaltação e fé… sentido arroubamentos,
Por vezes lá ficava o seu viver cativo.
Eugénia e Hermigídio (os pais da linda Iria).
Cunhada e ele irmão do bom abade Célio,
Lá foram entregar-lhe a filha em certo dia;
Mas ele, que os ouvira, estava apreensivo.
Pois bem, seria entregue às tias Casta e Júlia,
Professas no convento à beira do Nabão.
Os pais acharam boa aquela decisão.

Passava pelo ar medonha tempestade;
Ia explodindo hercúlea!
Seguiam pelo espaço as nuvens, mansamente,
Fazendo um cortinado espesso em frente d´Hélio,
E a Terra, em convulsões, rugia ferozmente;
Apenas sossegou ao vir a claridade
Em doce quietude, atrás dessa procela,
Tornando a Natureza altiva, inda mais bela.

A jovem ao crescer mostrava tantos dons
Como podiam ter no céu os anjos bons:
Virtude rara, enfim, beleza peregrina,
Bondade a ressaltar da frase inteligente,
E duma singeleza humilde tão divina…
Podia alguém ficar ao vê-la, indiferente?...
Estava no convento um monge de prestígio
Que Célio convidou p´ra perceptor de Iria.
Chamava-se Ramígio,
E àquela mocidade em flor muito querida,
Acalentando um sonho impuro, no segredo
Misterioso d´alma.
Havia de o viver depois, com toda a alma,
Mas tinha que esperar pois era ainda cedo.

Fazia-se a S. Pedro [de Fins] uma pomposa festa
Na sua capelinha,
E mal cabia nela a gente que então vinha.
Britaldo foi; e ao ver junto às religiosas
Uma gentil donzela orando, tão modesta,
Sentiu alvoraçar-se o coração ardente.
Não mais se desviou o olhar daquele rosto,
Ouvindo unicamente
Num doce murmurar, canções voluptuosas.
E quando terminou a festa inda sonhava!
Deixar de a contemplar p´ra ele era desgosto
Que muito lhe custava.

Não foram de sossego os dias que seguiram!
O incêndio que abrasava o peito, era maior!...
Olhava p´r´o convento, andava em derredor…
Pretextos que arranjou de nada lhe serviam…
Não a tornou a ver.
Encarregou por fim alguém de lhe dizer
- O quanto idolatrava a sua formosura;
Que a vida que vivia agora sem ventura,
Inferno tenebroso,
Podia transformar-se em céu mui radioso,
Se ela quisesse ser um anjo tutelar
Do coração amante, ansioso por lhe dar
O mais encantador dos lindos himineus! –
A jovem que escutou ruborizada, a medo,
A ardência dum amor guardado no segredo
Dum peito juvenil, mandou dizer aflita:
Que havia de passar a vida aos pés de Deus!
Sentia piedade e dor quási infinita
Por lhe vibrar um golpe assim, no coração!
Que lhe pedia até, não a lembrasse mais;
O tempo lhe daria, enfim, conformação.

Ramígio, que aguardava há muito a ocasião
De lhe fazer também, o vil, uma proposta.
Sabendo que Britaldo a amava, e que resposta
Iria lhe mandara,
Contou-lhe o que esperava há muito, impaciente.
Mas ela repeliu-o altiva, com firmeza.
Quis-se vingar Ramígio; e, com audácia rara
Elaborou um plano. Após, cinicamente,
Fez com que se contasse ao triste apaixonado:
- Que fora escarnecido e bem ludibriado!
Aquela singeleza
Devia mascarar a agrura do pecado. –
Ficou entregue à raiva esse mancebo, um pouco,
Sentindo embaralhar um pensamento louco.
Inda guardara esp´rança
De a conquistar um dia. Agora… que vingança!...
Havia de o servir com gosto Banaão,
Soldado mais cruel que um bruto, que um selvagem.
Por mais do que uma vez mostrara ter coragem!...
E lá lhe transmitiu com fúria o que queria.

Na margem do Nabão
(Onde hoje inda se vê um nicho com a imagem).
Em pequenina gruta estava a pobre Iria.
Entregue a alguma prece. As águas sussurrando,
Acostumadas já a ouvi-la, iam rezando
As mesmas orações. Tudo era silencioso.
Mas nisto Banaão entrou; e, criminoso,
Gozando o seu terror, sem ter um calafrio,
Vibrou-lhe punhalada;
E, ao vê-la sucumbir arremessou-a ao rio
Tirando-lhe primeiro a roupa ensanguentada
Para provar o crime aos olhos de Britaldo.

Iria não voltava; e Célio, Júlia, Casta,
Depois de a procuar, julgando que a desgraça
Quisera assinalar a sua acção nefasta,
Bebim lentamente a dor, naquela taça
Que a vida encosta a rir aos lábios mortais!...
Viviam na agonia os três e os pobres pais.
O abade já sentia às vezes que a razão
Enfraquecia muito. À noite, sem dormir,
Tentava esse mistério enorme descobrir.
E teve finalmente em sonho, enfim! Que os levaria
Ao sítio onde se achava a sua pobre Iria.
Ergue-se delirante e foi com muita gente
Até ao pé do rio.
Fazendo nesse instante as águas um desvio
Por onde caminhou a triste multidão
Tal como em procissão,
Levando cada peito anseio diferente.
Depois de muito andar, chegaram à cidade
Aonde se abrigara em tumulo riquíssimo
A virgem, que o milagre então tornava santa!
O caso, na verdade,
Que a tradição guardou e ainda nos encanta,
É estranho, invulgaríssimo!...

Essa cidade linda e boa, onde parou
O corpo aureolado e santo por martírio,
Quis-lhe prestar seu culto e conseguiu-o bem.
- Amou-a com delírio,
E o nome que já tinha há muito, abandonou,
Para tornar o dela; ainda agora o tem;
(Iria quer´dizer o mesmo do que Irene).
Simplificou-o mais, com o tempo, o povo infrene,
E em vez de Santa Irene é hoje Santarém.”

Poema retirado de “Tomar Lendário” de Antónia Guerra editado em 1934!

Dedicado à Santa Iria Padroeira de Tomar.


Procissão Lenda Santa Iria 2005

10/12/2008

Dom Gualdim Paes (1118-1195)

Amigos!

Faz hoje 813 anos que morreu o nosso Mestre da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Dom Gualdim Paes o grande fundador de Thomar é novamente homenageado!
Pela magnífica rotunda templária da soberba construção defensiva, que ele próprio mandou erguer, viu no horizonte o futuro brilhante e a mensagem Divina de protecção à terra que por ele foi escolhida! Depois do percurso inigualável por ele percorrido, dos feitos notáveis que alcançou e da mensagem que nos deixou, sem nunca nos referir nada! Chegou a vez do blog fazer uma simbólica homenagem!

(foto de x.derfel)

Aqui fica uma breve biografia do quarto mestre dos Templários:
D. Gualdim Paes nasce em 1118 em Amares (???) oriundo duma família pertencente à nobreza minhota.
Foi levado, ainda muito novo, para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra por D. Afonso Henriques, o Primeiro Rei de Portugal, para que por ele fosse criado e armado cavaleiro.
É armado Cavaleiro na batalha de Ourique em1139, combatendo ao lado dos seus irmãos de armas, os Cavaleiros Mem Ramires e Martim Moniz, em todas as batalhas contra os Mouros na reconquistar do reino. Destaca-se durante a tomada de Santarém, em 1147, e durante a de Lisboa, em 1149.
Pouco tempo depois parte para a Palestina, a Terra Santa, para combater pela Fé.
Inicia-se nos mistérios Templários, trazendo do mestre André de Montbard, um dos fundadores da ordem, grande amigo e companheiro de Hugues de Payens, algumas relíquias, entre elas a mão de São Gregório Naziano..

(Chegada da relíquia ao Castelo de Tomar)
Participou no Cerco de Gaza, em 1153.
Regressa ao Condado Portucalense cinco anos depois da sua partida, aquando da morte de André de Montbard.
O Rei de Portugal faz dele Comendador de Braga e procurador do Templo.
Em 1155 é lhe concedida a comenda de Sintra, D Afonso Henriques doa-lhe casas, fazendas e vastas áreas em Sintra, fazendo questão que o Papa Alexandre III o confirmasse.
Em 1159 acaba o diferendo existente entre Templários e o Bispo de Lisboa pela posse de Santarém, ficando a ordem com a Igreja de Santiago e com o Termo de Ceras por troca da cidade de Santarém (que tinha ajudado a reconquistar).
É assim que ainda em 1159 é começado a reconstrução do antigo Convento de Beneditinos, ao qual hoje chamamos Templo de Santa Maria do Olival, que a partir da época de Gualdim serviu de Panteão dos Templários em Portugal.
No ano de 1160 é lançada a primeira pedra da reconstrução do Complexo Militar e Espiritual da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (Templários).
Edificou e reconstruiu várias fortificações que consolidava a defensiva do território português: Almourol, Penarroias, Longroiva, Ozêzer, Cardiga, Pombal, Ega, Redinha, Idanha-a-Velha, Monsanto, etc.
Em 1162 concede o primeiro foral a Thomar e o segundo em 1174.
Em 1190 o castelo de Tomar é cercado pelas Tropas Muçulmanas do grande Rei Abu Yacub Al-Mansur ,mas mais uma vez o nosso mestre, mostrou a sua resistência e consegue suster este grande cerco, levando uma vez mais os seus irmãos de ordem a uma grande vitoria.
Em 1195 eis que o velho mestre regressa ao ventre da grande Mãe (Santa Maria do Olival) para servir de alimento ao Homem renascido.

Pelas suas qualidades pessoais de bravura, pela sua acção incansável, pelos seus feitos, Gualdim Paes representa o tipo ideal do Templário, cuja lembrança se mantém acesa em terras portuguesas. É mesmo, ao que parece, o do perfeito iniciado, capaz de trabalhar com presciência para o futuro do seu país. Os seus sucessores terão apenas que aperfeiçoar a obra por ele iniciada. Hoje, este sentimento, sobrevive em muitos corações cujos seus feitos nos fazem viver e lutar por um mundo melhor, nunca esquecendo a velha máxima: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam.

Algumas curiosidades:
-13 de Outubro 1195 morre Gualdim Paes.
-13 de Outubro 1307 Prisão dos templários em França.

-Gualdim Paes nasce em 1118.
-Ordem Templária nasce oficialmente em 1118.

-Gualdim Paes morre com 77 anos.
-D Afonso Henriques morre com 77 anos.

Para terminar em tom de mistério (ser templário é isso mesmo!) fica a pergunta: Estará Gualdim Paes sepultado no Templo de Santa Maria, junto da lápide que lhe deixaram?

Ou estará (como sempre esteve) num sítio incerto a servir Guardião ao Segredo e ao Tesouro que prometera guardar?

(foto de x.derfel)

Não a nós Senhor, não a nós! Mas ao Teu nome dai glória!
Até Sempre!

9/13/2008

Sepultura de um Mestre da Ordem do Templo


Ao muito distinto Arqueólogo Coronel Francisco Garcez Teixeira foi oferecida, há muitos anos, pelo proprietário de uma Quinta (Sr. Albino de Lima Simões) situada junto do Templo de Santa Maria do Olival, em Tomar uma pedra sepulcral que ali servia de ponte sobre o ribeiro Salgado.
A campa, que se encontra no Claustro da Lavagem, do Convento de Cristo em Tomar, é plana, tudo indica que não deve ser a tampa da caixa tumular, é trapezoidal e mede 2m x 80cm.
A pedra tem uma cruz chã, firmada em pé alto. O primeiro e segundo quartéis formados pela cruz estão no centro; o terceiro é ocupado por uma espada de folha larga, arredondada na ponta, com punho maçanetado(sic) e as guardas curvas, voltadas para a lâmina, na qual se encontra distribuídos três escudos boleados.
O Senhor Coronel Teixeira, experimentado epigrafista(sic) na época, somente leu, e com reconstrução de letras e sinais, o seguinte, em caracteres latinos curvilíneos de transição.

Epigrafia:

E:FOI:MAEST`:DO:TÇPLE:NOS:T`S:REINOS


(Obrigado Sr. Rui Ferreira!)
Faltam, como se vê, dois elementos importantes: o nome e a data do óbito, ou outra qualquer que identificassem a pessoa enterrada debaixo desta pedra.
Segundo o Coronel Teixeira tratasse da campa de um mestre dos Templários dos três reinos, pertence ao Séc XIII, época em que ainda a Heráldica não representava apelidos.

Quem era o Mestre ali sepultado????
Governaram os três Reinos o 13º Mestre, Martim Sanches (1228). O 14º Estêvão de Belmonte (1229), o 15º Guilherme Fellcom (1239), o 18º Martim Martins (1242), 19º Pedro Gomes (1247), o 20º Paio Gomes (1250), o 21º Martinho Nunes (1253) e por fim o 25º João Fernandes (1283).
Destes nomes, sabe-se que o último morreu em 23 de Maio de 1288, como referia o seu epitáfio no templo de Santa Maria do Olival. Temos, portanto de escolher entre os sete restantes.
Como se sabe então de quem é na realidade a pedra? Vamos então ver qual o elemento de aproximação do nome com as armas reproduzidas na pedra.
Para o Coronel Garcez Teixeira trata-se do Mestre Martim Martins, que segundo o livro O Mobiliário II refere que D. Martim Pires da Maia, casou com D. Teresa Martins e tiveram três filhos e duas filhas: «o primeiro houve o nome de D. Martim Martins que foi mestre do Templo».
Como se vê, provinha das boas linhagens do reino. Era bisneto de D. Egas Moniz de Riba de Douro e era o terceiro neto do Conde D. Gomes Nunes, de quem foi irmão D. Sancho Nunes, casado com uma irmã do nosso Primeiro rei.
Para os estudos da heráldica medieval houve necessidade de formar árvores de geração, agrupando as famílias e pessoas que usavam armas com os mesmos símbolos. Temos portanto uma família que reúne os escudos em que se vêem faixas, quer simples, quer carregadas, ou carregando outras peças.
Uma nota mais, as faixas e mesmo os símbolos utilizados só foram representados na heráldica desta família na baixa idade média.
Como podemos ver, a probabilidade do Senhor Coronel ter acertado, ao suspeitar que a campa mencionada fosse da sepultura de D. Martim Martins é bastante grande.

Apenas para realçar a importância deste estudo, achamos que cada vez mais há necessidade de todas as pedras tumulares, ou outras, sejam inventariadas e catalogadas, até para uma eventual exposição periódica ou permanente que acho de extrema importância para contextualização e enriquecimento do próprio monumento em sim, mas falando também da mais valia que seria para o publico em geral.

Bibliografia consultada:

- Anais da União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo
- Portugal Templário: José Manuel Capêlo

8/13/2008

Descobertas em Tomar

Olá.

O assunto que agora vos trago é relativo aos achados arqueológicos que nos últimos tempos têm rondado o templo de Santa Maria dos Olivais.

Sendo este templo um Panteão dos templários em Portugal, é normal encontrar estelas funerárias e/ou varias inscrições em pedra. Algumas das estelas e pedras funerárias são bem interessantes podendo conter varias informações que nos estão alheias… este episódio, faz-me recordar o achado realizado nos finais de Agosto de 1993 (bem anterior segundo o próprio historiador que fez o achado), no lado nascente do Castelo dos Templários em Tomar, por cima da Porta da Almedina, porta esta que no tempo dos templários era o principal acesso às muralhas. Sobre esta entrada foi descoberta uma das mais antigas (senão a mais antiga) cruz templária que se conhece em território nacional.

A imagem que retratada é então uma cruz templária com uma rosa no meio, trata-se então de uma ligação dos Templários, dos Rosa-Cruz e a civilização muçulmana. A cruz tem ainda algumas particularidades como os sulcos nas astes, que não é comum aparecer. Esse conjunto de sulcos, forma em cada braço uma pirâmide, que nos transmite a ligação entre os Templários e Rosa-Cruz com a antiga civilização egípcia, a mesma ligação que nos faz o monumento com a ligação entre o Ocidente e o Oriente confirmando a estratégia dos dois Sóis: O sol nascente e o sol poente. Voltado à tão falada cruz que apresenta ainda uma inscrição “IN:E:M:CL:VIII” que segundo José Hermano Saraiva lê 1198 na Era de César, que subtraindo os 38 anos, daria 1160 da Era de Cristo, ou seja o ano da Fundação do Castelo de Tomar. José Hermano Saraiva refere ainda a importância desta estela pois esta rosa-cruz deu origem às Quinas portuguesas no nosso escudo. A explicação é a de que quatro das quinas representam os espaços existentes entre os braços da cruz, e a quinta estaria representada na parte central, onde está a rosa. É de referir que este achado foi realizado pelo antigo professor (ainda me deu aulas) e antigo responsável pela área da cultura da Câmara de Tomar, actualmente encontra-se reformando e é uma pessoa fácil de encontrar nos seus calmos passeios pelas ruas de Tomar.

Continuando nas escavações, que à bem pouco tempo foram consideradas as mais importantes da península ibérica, e os seus achados… Continuo a não concordar que todos os achados (incluindo ossos, moedas, alfinetes, estelas, enfim…tudo) que são encontrados, são transportados para Torres Novas, onde ficam em armazém, para estudo e depois são transportados para Évora. É triste para um Tomarense saber que aquilo que pertence à sua terra, é levado para outro lado… quem sabe se muitas das coisas não se irão perder ou misturar… sendo as informações que dai resultem fora da realidade…
Algumas estelas os pedras com relevos encontradas nas obras da envolvente do Templo:



...entre muitas outras que não foram fotografadas...

Com este pequeno texto quero apenas alertar a Câmara Municipal, historiadores, interessados, curiosos e entidades competentes que está na altura de preservar o que resta do património de Tomar, aquilo que nos identifique com o passado e que ainda não foi destruído e dar às pessoas cultura, para que possam perceber o quanto Tomar foi grande! Continuo a afirmar que Tomar necessita de um MUSEU!!! E porque não um Centro vivo de Interpertação da Historia anunciado pelo Dr. Jana? Está na hora de mudar as mentalidades! Há que preservar o património! Queremos ser como as grandes cidades desenvolvidas então podem segui-las no que respeita ao património que é todo estudado, catalogado, apresentado, preservado e restaurado.

Até breve!

7/31/2008

A Galilé de Santa Maria dos Olivais

Nas obras de reparação dos rebocos exteriores da torre sineira da igreja de Santa Maria dos Olivais nos anos 30, puseram a descoberto catorze pedras de secção rectangular, embutidas nas paredes - quatro em cada uma das faces maiores e três em cada uma das menores - parecendo restos de cachorros que houvessem sido propositadamente cortados.

Não nos parece fácil descobrir qual tivesse sido o primitivo destino desses cachorros. A relativamente pequena altura a que estão acima do solo, parece indicar que tem de ser posta de parte a ideia de terem servido de apoio aos andaimes de madeira, com que era uso na idade media, aumentar o poder defensivo das torres militares.

Igualmente nos parece não ter pertencido à galilé que existia em 1510 junto a Santa Maria.

A discrição dela, consta no livro de visitação feita naquele ano, é registada a no livro 123 da Ordem de Cristo (Arquivos da Torre do Tombo) e é como se segue:
«Diante da porta principal te hun alpendre armado sobre dous grandes arcos de pedraria cuiberto e forrado de livei de castanho sobre as asnas em quadrado aguas e mais diante tem outros dous arcos de pedraria descubertos»

Com estas indicações, resumidas mas claras, a única reconstituição em planta que nos parece plausível é a que indicamos no esboço que aqui apresentamos, feito sem escala.

Gostaria de saber se alguém tiver a revista O Século de 13 de Janeiro de 1932, nos pudesse facultar uma copia do desenho que lá se encontra sobre este tema teríamos todo o gosto em publica-lo aqui no blog para todos vermos como era a possível galilé de Santa Maria dos Olivais.
Aqui está a tão desejada imagem. Um agradeçimento em especial ao Sr. Pedro Pinto por ter tido a magnifica amabilidade de enviar a imagem!

Cumprimentos

7/17/2008

O "Cavaleiro da Ilha do Corvo" e a descoberta dos Açores

Caro(a)s amigo(a)s:

Para despertar o apetite, como proposta de leitura para férias, permitam-me esta sugestão:

Folheiem “O Cavaleiro da Ilha do Corvo” (ed. Temas&Debates/Círculo de Leitores) e “escandalizem-se” q.b. com dados pouco ou nada conhecidos –e outros escamoteados – sobre as antigas navegações no Atlântico. Ou seja, os descobrimentos pré-Portugueses.

Conceito estranho em 500 anos de História pátria.
Camões mandou calar a “musa antiga”. Agora é o momento para navegar “por (alguns) mares já antes navegados”.

D. Manuel I despachou os destroços da Estátua para os fundos do armazém que existia no Paço da Ribeira...

E assim se foi tecendo o Império com as malhas da meia-verdade. A nossa parte cumpriu se bem; mas não apaguemos os méritos dos outros, os nossos “egrégios bisavós”.

Apreciem e divulguem esta “provocação”. Chocante ? A História é para se ir reescrevendo. Nunca foi um livro fechado

Cumprimentos,

Joaquim Fernandes
Universidade Fernando Pessoa

Quem descobriu os Açores, afinal?

O historiador Joaquim Fernandes, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, lançou o romance «O Cavaleiro da Ilha do Corvo», no qual defende, baseado em factos documentados, que a descoberta do arquipélago dos Açores ocorreu muito antes da chegada dos portugueses.

O professor universitário recorda como os navegadores portugueses que chegaram à pequena ilha do Corvo, nos Açores, em meados do século XV, encontraram ali uma intrigante estátua de pedra, representando um cavaleiro com traços característicos do norte de África.

A notícia, normalmente ignorada nos relatos oficiais, tem no entanto uma fonte histórica autorizada: Damião de Góis (1502-1574), o grande humanista português do Renascimento, que descreve, com algum detalhe, no capítulo IX da sua Crónica do Príncipe D. João, escrita em 1567, as circunstâncias em que o inesperado monumento - «antigualha mui notável», como lhe chama - foi achado no noroeste da pequena ilha, a que os mareantes chamavam «Ilha do Marco».

O cronista refere que a descoberta ocorreu no período a que classificou de «nossos dias», ou seja, no seu tempo de vida, provavelmente entre os finais do século XV e os inícios de XVI, no decurso do reinado de D. Manuel I e durante as primeiras tentativas de colonização da ilha do Corvo.

O monumento era «uma estátua de pedra posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente.»

Esta imagem, que toda saía maciça da mesma laje, mandou el-rei D. Manuel tirar pelo natural, por um seu criado debuxador, que se chamava Duarte D'armas; e depois que viu o debuxo, mandou um homem engenhoso, natural da cidade do Porto, que andara muito em França e Itália, que fosse a esta ilha, para, com aparelhos que levou, tirar aquela antigualha; o qual quando dela tornou, disse a el-rei que a achara desfeita de uma tormenta, que fizera o Inverno passado, refere o cronista.

Mas a verdade foi que a quebraram por mau azo; e trouxeram pedaços dela, a saber: a cabeça do homem e o braço direito com a mão, e uma perna, e a cabeça do cavalo, e uma mão que estava dobrada, e levantada, e um pedaço de uma perna; o que tudo esteve na guarda-roupa de el-rei alguns dias, mas o que depois se fez destas coisas, ou onde puseram, eu não o pude saber, acrescenta.

A este estranho monumento juntou-se a descoberta, no século XVIII, de um não menos perturbador vaso de cerâmica, achado nas ruínas de uma casa, no litoral da mesma ilha, repleto de moedas de ouro e de prata fenícias, que, segundo numismatas da época e não só, datariam de, aproximadamente, entre os anos 340 e 320 antes de Cristo.

As descobertas fabulosas não se ficaram por aqui: viajantes estrangeiros, no decurso do século XVI, alegaram ter encontrado inscrições supostamente fenícias de Canaã (Palestina), numa gruta da ilha de S. Miguel. Por fim, em 1976, nesta mesma ilha, haveria de ser desenterrado um amuleto com inscrições de uma escrita fenícia tardia, entre os séculos VII e IX da era cristã.

Todas estas perplexidades levaram Joaquim Fernandes a encetar uma longa e exaustiva investigação bibliográfica e documental e a escrever O Cavaleiro da Ilha do Corvo.

No romance, o autor refere um testemunho que reforça de modo evidente o relato de Damião de Góis: um mapa dos irmãos Pizzigani, de 1367, descoberto em Parma, apresenta um desenho com uma figura explícita ostentando uma legenda em latim onde se diz: Estas eram as estátuas diante das colunas de Hércules... Ora esse desenho está colocado à latitude dos Açores, no meio do Atlântico, sugerindo a tradição das Estátuas como marcos-limites do oceano navegável ou conhecido e serviriam para avisar os perigos que corriam os navegadores mais ousados. Mais ainda: a historiografia árabe, do século X, por exemplo, faz referência a essas mesmas estátuas e à sua eventual função de marco dos limites navegáveis, o que credibiliza, por outra via, o testemunho de Damião de Góis. Demasiadas coincidências, pois, para um simples rumor ou lenda...

6/10/2008

Ontem, Hoje e Amanhã

É verdade, o nosso Templo está novamente em obras... não dão descanso aos monges guerreiros que tentam “dormir o sono eterno”…

É interessante percebermos o quanto estas novas modificações, vão melhorar (ou não) o nosso querido monumento.

Deste modo apresento aqui o Olival, que deu nome ao Templo


Postal do inicio do século XX


A Planta elaborada pelos arquitectos da DGEMN antes das intervenções


A planta apresentada em manuscrito do Mestre Raúl da Graça, que em 1932, que desenhou uma proposta de arranjo exterior da Igreja. Arranjo que agora está a ser demolido.
Esta planta de alterações, propõe as demolições a amarelo e as construções a vermelho.
Nota que nem tudo chegou a ser construído, mas das demolições sabemos, pelas fotos o que aconteceu.
(Obrigado ao amigo Rui Ferreira.)


Trabalhos arqueológicos realizados em 1982, junto do Templo de Santa Maria dos Olivais. Nestas escavações puseram-se a descoberto parte do cemitério medieval a cerca de 50 cm de profundidade, onde encontraram também moedas e alfinetes entre outros objectos utilizados na época.
Fonte :Boletim cultural e informativo da Câmara municipal de Tomar nª5 ,de 1983

As antigas escadas, colocadas pela DGEMN


Muitas das pedras (estelas funerárias, entre outras) que foram desenterradas do átrio e da envolvente, nos anos 30, durante a intervenção da DGEMN, estão na colecção UAMOC no Convento de Cristo. Hoje novamente, outras vêm ao de cima…

Escavações arquelógicas junto ao Lar

A futura zona reabilitada, com a rotunda ao fundo...


Plano de reabilitação do flecheiro e Santa Maria do Olival. Na envolvente à Igreja de Santa Maria dos olivais vão se dar três grandes modificações. O trânsito passará por detrás da Igreja, saindo numa futura rotunda junto à Portugal Telecom e em frente à torre surgirá uma praça que vai confinar com um parque de estacionamento. Será mantida a zona de protecção à igreja, valorizando-se os percursos e enquadramento dos dois edifícios existentes. Do lado norte da igreja, o “jardim das oliveiras” (com meia dúzia delas!) será requalificado sendo atravessado por dois percursos pedonais e uma zona de estadia e sombra no seu interior.

Que acham destas obras? Façam o favor de comentar!
Até breve.

5/18/2008

Capela de Santo António em Tomar


A todos os que visitam Tomar por certo passa-lhes despercebido a existência desta capela, dedicada a este santo tão querido dos Portugueses.
Trata-se de uma pequena capela que foi construída no séc. XV no sítio denominado hoje Casal de Santo António, a cerca de três quilómetros de Tomar e perto do Aqueduto filipino.
Este pequeno edifício conservou-se muito tempo em ruína, sendo mais tarde aproveitado para dependência agrícola, sérvio de adega e palheiro, sem contudo lhe terem mutilado qualquer dos seus elementos arquitectónicos.

A capela é formada por um arco gótico do séc. XV, uma abóbada ricamente decorada, da renascença e tendo como retábulo do altar, um nicho, já do séc. XVII.
Na parede do lado do Evangelho estava colocado um pequeno túmulo, em estilo gótico, constituído por um arco-sólido de três arquivoltas alojando uma arca ossário.
Este túmulo pertence a Nuno Gonçalves da Meira, Homem de confiança do Infante D. Henrique e membro da ordem de nosso Senhor Jesus Cristo.

No ano de 1942 o saudoso coronel Garcez Teixeira sugeriu a ideia de que se adquirissem todos os elementos pertencentes à capela, que ainda lá se encontrassem. Para isso forçaram-se negociações e como não se conseguiu a cedência gratuita, foram adquiridos por compra, no ano seguinte.
Retiradas do local primitivo, as respectivas cantarias, foram devidamente arrecadadas, ficando à espera de uma oportunidade para se fazer a reconstituição da capela noutro local mais apropriado e mais acessível aos inúmeros apreciadores do nosso património artístico.
Primeiro pensou-se em adaptá-la à capela de S. Gregório Nazareno, mas por fim achou-se preferível manter este pequeno templo sem alterações ao seu estilo. Foi o que se fez, procedendo-se ao restauro e reconstrução no local onde hoje se encontra, bairro 1ºMaio (antigo bairro Salazar).
Neste projecto foram aumentadas as dimensões do corpo da capela e colocou-se na fachada principal a primitiva porta de entrada.
Para completar o conjunto, foi colocada a rosácea na fachada, as cantarias da Renascença da porta de serviço, nas traseiras do edifício, os azulejos Hispano-árabes do frontal da igreja.

A todos que queiram visitar esta capela, ela fica perto da antiga fábrica da fiação sendo muito fácil encontra-la.
Esta capela esta aberta todas as segundas de manhã para missa, e no dia do seu padroeiro, dia 13 de Junho.
Para a feitura deste post queremos agradecer a simpatia com que fomos recebidos pelas pessoas que tão bem conservam este local. A todos um muito obrigado.
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