Contacte-nos através do nosso email:
cethomar@hotmail.com

2/17/2009

TOMAR SOBRE O MANTO DE SANTA MARIA

ANALISE CRIATIVA DE UMA PINTURA - PARTE I
TB sobre A CHAROLA DO CONVENTO DE CRISTO
Autoria: DEGRACONIS


Pois é meu caro amigo João, só poderíamos ter escolhido um quadro que nos levasse a fazer mais uma viagem mental por estes mundos, à semelhança da imagem que afinal não era a estrela de Santa Maria mas a de uma outra igreja qualquer, a qual brevemente abordaremos. Como diz o Rui Ferreira, muita conversa poderemos ter a partir do quadro. Tivéssemos tempo e letras para isso.

Alguém já nos facultou um link que permite facilmente perceber a similitude entre a construção circular da pintura e a nossa Charola Templária. Era ai que queríamos chegar com a semi-publicação da foto. Aguardávamos o desenvolvimento do tema do Manto para depois então avançarmos charola acima. Mas pelos vistos não há charola que espere lol (charola também é nome vulgo para ambulância pelo que o Azul me disse).

O interesse pelas edificações de planta circular que surge no século XIX, não apenas pela sua raridade em relação às outras construções, mas também pela sua aura de misticismo, leva à defesa da teoria de que era hábito essa forma nas construções Templárias. Contudo se na verdade tal não tem correspondência plena com a realidade, em Tomar efectivamente tem, pois temos uma rotunda templária oitavada.

É sobejamente conhecida a tipologia do Templo de Salomão pelas descrições bíblicas que nos dão conta da sua forma rectangular, contudo o parco conhecimento histórico e arqueológico de Jerusalém gerou muita confusão na imagética do homem medieval, justificando-se desse modo, muitas vezes ser invocado o Templo de Salomão como protótipo de algumas construções de planta centralizada. O Templo de Salomão tinha sido destruído um milénio antes da propagação das igrejas pela Europa fora, tendo os cruzados encontrado no local desse antigo templo uma construção circular conhecida como a Cúpula do Rochedo. A confusão acentua-se bastante em virtude de ser essa construção, após a chegada dos cruzados, designada como Templum Domini, Templo do Senhor, havendo mesmo quem pensasse ser aquela construção islâmica sobre as ruínas de Salomão, o templo original.


Cúpula do Rochedo

Com o passar do tempo começam as crónicas dos cruzados a designar a Mesquita de Al-Aqsa como Templo de Salomão e a Cúpula do Rochedo como Templum Domini (continuando-se porém a pensar ser este o verdadeiro local do templo de Salomão), ambas na esplanada das mesquitas e contruidas no século VII. Uma com forma circular, como já vimos, e a outra com forma rectangular, que se apropriava mais às descrições bíblicas do Templo de Salomão.

Mesquita de Al-Aqsa onde os Templários se instalaram

Contudo, e apesar de os Templários terem a sua sede no Templo de Salomão (na verdade era o palácio de Salomão), optaram por escolher outro santuário como seu emblema - o Templo do Senhor - provavelmente porque o termo “templum” era partilhado pelos dois principais monumentos da esplanada. Qualquer que fosse a razão, o selo da Ordem carregava a imagem do Templo do Senhor e a inscrição “Sigillum Militum Templum Christi”.


Selos Templários da época de Gualdim Pais


Para agravar a confusão do pensamento medieval europeu, a par da Cúpula do Rochedo, existia em Jerusalém mais uma construção circular, o Santo Sepulcro. Portanto pelo facto de serem duas edificações centralizadas leva à identificação de ambas no imaginário ocidental.

Santo Sepulcro que inspirou na Europa uma série de Igrejas

A Charola em Tomar tanto pode ter tido como arquétipo uma ou outra, como ambas, mas com o alongamento da Charola no tempo de D. Manuel poderemos pensar que seria identificada inicialmente com Santo Sepulcro, na medida em que as construções circulares ou poligonais possuem conotações funerárias – e lembrem-se que possuía a Charola uma espécie de lanterna dos mortos – metamorfoseando-se mais tarde em replica do Templo Salomónico. Porém os selos que conhecemos do ínicio da ordem (sec XII-XIII) refletem a Cúpula do Rochedo e não o Santo Sepulcro, pelo que devemos ter algumas reservas na determinação da verdadeira intenção dos Templários Portugueses com a construção da Charola.

Antigos desenhos da Charola em Tomar

Mas não ficam por aqui os paralelismos entre a sagrada Jerusalém e Tomar na medida em que a própria cartografia de Tomar reflecte outras possibilidades simbólicas com a terra prometida. Se em Jerusalém o Vale de Jeosafá onde corre o rio Cedron separa a cidade, nomeadamente a Cúpula do Rochedo e o Santo Sepulcro do Monte das Oliveiras, em Tomar o rio Nabão de igual modo separa a Charola da Igreja de Santa Maria dos Olivais, sita a nascente como o monte palestiniano homónimo. Torna-se o terreno dos olivais que envolvem Santa Maria a réplica do Horto das Oliveiras.

Curiosamente podemos também verificar possibilidades simbólicas entre o quadro do Enguerrand Quart com a disposição da urbe nabantina. No citado quadro temos uma divisão que consiste em dois aglomerados populacionais murados e separados por um curso de água, sendo evidente a separação entre o que apresenta um teor militar com uma espécie de Charola e o outro que apresenta um teor de carácter religioso com a inclusão de igreja. Conhecemos a mesma tipologia em Tomar, com a Charola de um lado da margem do rio Nabão e do outro lado do rio a Igreja de Santa Maria. É conhecido o possível significado desses aglomerados do quadro, Roma e Jerusalém, mas não deixa de ser interessante a analogia que podemos traçar com Tomar, não fosse por demais evidente a similaridade da Charola de Tomar com a do quadro. Aliás ressaltou de imediato ao João e a mim.


Parte inferior do quadro onde se ve as duas urbes separadas por uma porção de água

O que interessa reter e será deveras interessante é que a pintura reflecte o imaginário do pintor, talvez apoiado em algumas descrições e desenhos, pois nunca este se deslocou a Jerusalém, reflectindo então a suposta “Charola” do Enguerrand a ideia generalizada que o homem ocidental tinha dos monumentos da terra santa, ou seja, idealizou uma charola semelhante à que em Tomar foi construída, talvez também esta a materialização de uma ideia que se generalizou na idade média, não obstante ser do nosso conhecimento a permanência do Gualdim Paes em terras do médio oriente. Tal como em Tomar, a Charola não se posiciona em lugar central da fortificação, mas sim num dos seus confins, aproveitando as barreiras naturais.

Fui também alertado pelo João para a semelhança entre o Cristo que na pintura se encontra dentro de uma igreja e o Cristo que actualmente se encontra no cruzeiro dos dormitórios do Convento em Tomar. Sabemos e podem verificar na foto que esse mesmo Cristo foi em tempos peça do altar da Charola, tendo sido deslocado para o cruzeiro no século passado, o qual se encerrou com uma porta tipo grade no ano de … Não sabemos no entanto quanto tempo permaneceu na Charola.

No Convento de Cristo em Tomar

Mas não se ficam por aqui as analogias. Se já citámos as relacionadas com a Charola há que voltar agora a Santa Maria, tal como em tempos o devem ter feito constantemente os Templários e os cavaleiros da Ordem de Cristo. O Cristo do quadro é uma imagem da missa de São Gregório, onde Cristo surgiu da hóstia para incrédulo de uma descrente. E não guardava a igreja de Santa Maria a relíquia de São Gregório que Gualdim Pais trouxe do oriente antes desta tomar guarida no convento e depois no Tesouro da Sé de Lisboa, onde ainda hoje pode ser vista. Pois é!!!! Mais um facto curioso. Não tarda montamos aqui um enredo do tipo Dan Brown. Não se trata do mesmo São Gregório mas são homónimos e do mesmo período. Não se trata da mesma figura de Cristo mas não deixou de nos impressionar visualmente pela sensação de “deja vu”.

Julgo que a trindade representada no quadro tem fundamento teológico na unidade de Deus que se manifesta de uma forma Trina, sendo talvez uma inovação plástica na forma de representação do Pai e Filho, caso a iluminura apresentada no fórum pelo Leon seja de data posterior, e que creio ser um extremo da ideia da unidade da Trindade, pois vemos Pai Filho e Espírito Santo decalcados uns dos outros.

"Quem me vê, vê também o Pai.(...) (João 14,15 e 16)

Note-se também o detalhe das pontas das asas na boca das figuras (muito haveria a dizer)

"Não credes que eu estou no Pai e o Pai está em mim?" (João. 14,15 e 16) "Eu estou no Pai e o pai está em mim" (João. 14, 11) "Eu e o pai somos um" "O Pai está em mim e eu no Pai" ( João.10, 30 e 38).

Mesmo Platão, anterior a estas questões teológicas cristãs afirmava na sua obra “República” que “o três é um, e o um é três".

Mais umas palavras teria ainda acrescentar, ate porque como diz o Luís de Matos, um pouco de cultura nunca é de mais, tal é riqueza da pintura apresentada. Talvez posteriormente se possa dar continuação ao tema.

Especiais agradecimentos ao João por algumas fotos que ilustram o post.


COMENTARIOS NO TÓPICO "CHAROLA DO CONVENTO DE CRISTO" DO FORUM

2/05/2009

O MANTO DE SANTA MARIA

NOVA AQUISIÇÃO PARA A IGREJA
Autoria: O blog
Nem só de descobertas vive o blog, mas de invenções também. Desta feita, e após o martírio da Páscoa no ano passado com os pregos nas colunas, da separação da Mãe do Filho pela deslocação do crucifixo do quadro para o altar, é a entrada junto ao pórtico do templo agraciada com um manto de veludo vermelho de grandes dimensões.

Atentos no zelo pela igreja não podíamos deixar de vos dar a conhecer esta nova “invenção” que não censuramos ao contrário das outras para as quais levantámos vozes criticas que chegaram a ter destaque jornalístico.

Não temos informação que nos permita escrever sobre o que levou à colocação desse pano ou cortina na entrada da igreja. Não nos é estranho o acesso às igrejas ser barrado por portas, muitas vezes parte integrante do coro alto, nem por mantos ou cortinas que interditem a visibilidade das igrejas de uma perspectiva exterior.




Contudo esta inovação irá obrigar a uma adaptação do discurso de quem guia os visitantes ao interior da igreja. A saber, é usual à entrada sermos alertados para “a igreja que se esconde como nas entranhas da terra mãe”, uma visão que nos lembra o quanto temos que “descer” no nosso próprio ser para encontrarmos o nosso verdadeiro eu ou promover um encontro epifânico.

O facto de ser uma das poucas igrejas em Portugal onde se desce por intermédio de tantos degraus, vista de fora, provoca a “sensação psíquica de regresso ao útero da terra, às águas genesíacas de Nossa Senhora, para se ir beber o leite espiritual e renovar a alma”. Porém agora será essa suposta sensação interrompida pelo manto. Se essa barreira agora permite barrar o frio que no inverno se possa sentir vindo do exterior, tonando mais confortável ou suportável a participação nos cultos litúrgicos regulares em Santa Maria, subscrevemos tal solução em vez de se fecharem as portas (do céu). Pode tambem encontrar a sua razão de ser em questões relacionadas com a privacidade do culto que não ficaria assim tão exposto aos trauseantes que por ali passem naquela altura.

Visão anterior ainda sem o manto, em que se podia "afundar" o nosso olhar no interior de Santa Maria

Aproveitamos o momento para lembrar o quanto o pórtico é deveras importante no seio do conjunto que constitui uma igreja. Transpor o limiar, passar a porta, encerra um mistério de “passagem”. Apesar de ser um acto tão mecânico quanto o fazer o sinal da cruz, há que parar e dar atenção ao valor de transpor a porta. Dai a sua importância decorativa que é verificada por todos que visitam uma igreja românica ou gótica; a sua excessiva decoração realça o simbolismo que se pretende transmitir ao crente. “Quão venerável é este lugar! Não é ele senão a Casa de Deus e esta a porta do Céu”.

A porta, síntese do todo o templo, onde o arco tal como a absíde representa o mundo celeste e a base rectangular, tal como a nave, o mundo terrestre, é um símbolo cósmico, talvez patente nas esferas que circundam todo o friso do pórtico de Santa Maria, materializando o “ciclo celeste, o movimento do céu, ou seja, a actividade do Verbo no mundo”.

Quando a determinada altura na idade média se optou por colocar uma grande rosásea sob o grande portal, tornando-se em arco triunfal, transformou-se mais ainda numa janua coeli que resplandece o sol divino.

Por conseguinte, a entrada da igreja com o seu tímpano celeste, constitui pela sua simbólica, em conjunto com o altar, o lugar de uma teofania, que não deve ser esquecido pelo crente que nesse momento passa deste mundo para o mundo do “além”, do profano ao sagrado.

No entanto alertamos que a Igreja (ou Templo) de Santa Maria tem vindo nos últimos anos a sofrer algumas degradações, das quais o precário telhado que deixa as águas “divinas” permear o seu interior se apresenta preocupante, quanto as águas “genesíacas” que insistem em brotar do solo no lado norte. Esta água não é novidade dos dias de hoje, pois já á trezentos anos se dizia que “…se descem dezasete degraos, & por esta causa he muyto húmida a parede da nave do norte…”

Esperemos que o manto vermelho não tenha que vir a servir para amarfanhar essas Águas, tão imensas quanto o MANTO de SANTA MARIA que a todos Abriga, Protege e Consola.


Esconde-se debaixo do Manto de Santa Maria muitos mistérios. Levante-se o Véu.

1/13/2009

NO ALTAR DE SANTA MARIA

A DESCOBERTA DE UMA PEÇA ANTIGA DA IGREJA
Autoria: JOÃO




O interior do Templo de Santa Maria ao longo da história sofreu muitas reformas que se traduziram nas suas diversas alterações e edificações acopuladas. Hoje Santa Maria não é mais do que o produto da (in)consciência dos homens ao longo da idade média, que em pouco respeitaram as edificações primitivas, alheando-se de valores estéticos no ímpeto de adaptarem os edifícios a valores de ordem funcional.

Dizem-nos as crónicas de antigo que só um altar possuía e que só se viu guarnecida de mais uns quantos com a construção das capelas na nave sul. Se desse antigo altar pouco sabemos, possivelmente por ter sido destruído aquando da reforma da ordem pela Frei António de Lisboa, do altar que se dotou a capela mor no séc. XVIII temos novidades a revelar.



As fotos disponíveis permitem-nos verificar a existência de um altar em talha dourada de estilo barroco. Os relatórios das intervenções em Santa Maria contam que alem de ter havido um rebaixamento do pavimento na capela-mor onde se encontrava esse altar, também o próprio altar foi feito desaparecer. Desaparecer? Mas terá tal elemento sido destruído? Teria sido vendido? Desmontado para lenha e transformado em cinzas?

Mas das cinzas nasce a Fénix!!! Não, não lhe aconteceu nada disso. Ufa!!!

Andava eu nas minha "peregrinações", "vigílias", ou tão somente pelas sombras do que outrora foi Thomar, quando sou encaminhado a mais uma visita ao convento de São Francisco. E como as sombras de Santa Maria são iluminações, dou por mim diante do altar de São Francisco. Estigmatizados são os meus olhos pelo que leio no friso superior desse altar. É latim, mas suficientemente claro no escuro do templo para perceber que estava perante um visão. Não é que as dúvidas assombrassem meu espírito sobre o que tinha descoberto, mas não havia como rebuscar as fotos antigas do altar barroco de Santa Maria para certificar-me da bênção que tinha recebido. Não acredito no acaso, acho que não é mais que a medida da nossa ignorância, mas sem dúvida que foi golpe de sorte.

Não seria a primeira descoberta dos retalhos de Santa Maria, mas esta era sem dúvida de alto valor, não fosse o altar de uma igreja o centro do qual tudo irradia e para onde tudo converge. O altar é o objecto mais sagrado do templo, a razão da sua existência e a sua própria essência, porquanto se pode, em caso de necessidade, celebrar a divina liturgia fora de uma igreja, mas é absolutamente impossível fazê-lo sem um altar. Introibo al altare dei.

O altar é o lugar privilegiado para o contacto com a divindade, o centro de reunião da assembleia de Deus, e neste caso a causa de reunir-me convosco neste artigo.

Se altar do latim altare, significa o lugar onde se coloca o que é oferecido à Deus, significou para mim o contrário; diante aquele altar foi-me oferecido uma alegria, pois é com muito apreço que reúno mais uma peça sagrada de Santa Maria. A peça de um puzzle que ainda está muito longe de estar finalizado.

A comparação das fotos do antigo altar de Santa Maria e as fotos que recolhi deste, confirmam ser o mesmo. O altar teria sido deslocado na década de quarenta para o convento de São Francisco, onde teria oferecido guarida a outro grande vulto do Cristianismo, o próprio São Francisco, mantendo-se ate aos dias de hoje no mesmo local. Encontra-se do lado direito na primeira capela junto à abside da igreja.

Mas ainda não terminámos.

Com ajuda do meu amigo Degraconis, que cedeu-me parte da informação que passo a transmitir, interpretamos a frase em latim que se apresenta no friso superior do altar.

“Oliva Speciosa in campis” Esta frase ressalta desde logo uma remissão para Oliveira, Olival. A palavra Oliva e Campis são de fácil leitura, mesmo para um leigo em latim. Significa a frase completa, se bem que lhe falta o termo “Quasi” no início, “Como uma bela Oliveira no campo” ou então “Qual Oliveira especiosa nos campos”.

Não se trata do altar de Santa Maria dos Olivais ou Olival, que devia a sua denominação a um possível campo de Oliveiras que envolvia a Igreja? Se as fotos já confirmavam a sua identificação, a frase reforçava e surpreendia pela vontade de se revelar. Não podia haver dúvidas.

A expressão latina é retirada do livro bíblico Eclesiástico 24, e refere-se à Virgem Maria:

Elevei-me como o cedro do Líbano, como o cipreste do monte Sião;
cresci como a palmeira de Cades, como as roseiras de Jericó.
Elevei-me como uma formosa oliveira nos campos, como um plátano no caminho à beira das águas (quasi oliva speciosa in campis, et quasi platanus exaltata sum juxta aquas)
Exalo um perfume de canela e de bálsamo odorífero, um perfume como de mirra escolhida;

Somos assolados pelos epítetos conferidos à Nossa Senhora, contudo nenhum outro se lhe equipara como Estrela-do-mar, de que nasceram hinos ou ladainhas sem conto. Ave maris Stella, cantou-se em todos os países da Europa ocidental e foi parafraseado em Português e traduzido em várias línguas. Talvez seja essa uma das interpretações canónicas, no dizer do Degraconis, da estrela no frontão da Igreja de Santa Maria, a par da teoria que a associa ao Rei Salomão. A Rosa que nasce no seio dessa estrela que conhecemos identifica-se com o Sol, “O filho atravessou-a como um raio de luz e a Virgem permaneceu depois do parto. Uma nova estrela gerou um novo sol! Estrela do Mar, porque nos ilumina com a sua graça, na noite do pecado…”, e não é a rosa na cruz ou na estrela um símbolo rosacruciano de Cristo que tem de nascer da matéria?
A

Mais satisfeito fiquei quando me dá a conhecer um texto escrito por um Frei do Convento de Cristo à mais de quatrocentos anos e a quem foi dada licença para se dedicar unicamente à escrita. Um escrito em Português antigo mas que vos dou então a conhecer, visto utilizar a expressão contida no altar.

“A Oliveira foi antigamente confagrada à deosa Minerva, que se pagava de cousas puras, como a oliveira o era: por isso foi preterida a todas as mais árvores por sentença de Pallas. Das principais que na sagrada escritura sao referidas, he ella hua, & assim entra no número daquellas a que se compara a Eterna Sabedoria: Quase Oliva Speciosa in Campis. Santo Augustinho a ella compara a Igreja Catholica: & a mesma Igreja della faz comparação à Virgem Senhora Nossa. Dos significados que tem, he mais conveniente o que primeiro lhe foi dado do Ceo, que he paz (…)

E assim termino, Paz a todos.



COMENTARIOS NO TÓPICO "DO TEMPLO DE SANTA MARIA" DO FORUM


-----------------------------------------------------------------------------

O Degras especializado em ecologia espiritual cedeu-me as significações que o tal Frei do Convento de Cristo atribui à botânica incluída na transcrição bíblica onde se insere o Quase Oliva Speciosa in Campis.

Cedro – Excelência; Palmeira – Vitória; Rosa – Graça; Oliveira –Paz; Plátano – Alteza; Bálsamo – Misericórdia.

1/05/2009

LIVROS DE PEDRA

Autoria: DEGRACONIS

A abertura do tópico Livros de Pedra não foi acompanhada de nenhum post. Contudo e visto ser um tema de grande interesse optamos por complementa-lo com um pequeno ensaio que levanta algumas questões. Não queremos no entanto confinar esse tópico ao assunto agora apresentado, mas dar algum relevo a um assunto que talvez merecesse maior destaque do que a simples inclusão no fórum.

Determinar a evolução da emblemática Templária e da Ordem de Cristo tem sido alvo de muito controvérsia e encontra-se ainda longe de conclusões definitivas. A cruz templária designada como pátea foi a forma que maior divulgação teve entre os Templários Portugueses, não obstante aparecer no resto da Europa, principalmente em França, mas raramente.

O seu aparecimento em algumas zonas de Portugal levou a que alguns estudiosos atribuíssem essas zonas como possessões ou comendas Templárias, quando tal parecia improvável. Entretanto estudos posteriores concluíram que essas cruzes não tinham origem Templária, mas que era um emblema ou símbolo utilizado no período paleocristão.

Pode-se e tem-se afirmado que a cruz pátea, independentemente da sua origem ainda mais recuada e no oriente, ter servido de modelo à cruz adoptada pelos Templários. O facto dessas cruzes estarem disseminadas pelo território poderia seria uma forma de simular perante o inimigo a presença da Ordem Templária.

Se todos nós já conhecemos os ensaios que atestam a existência dessa cruz em documentos de pedra em períodos bastante recuados, como por exemplo o trabalho publicado do Gandra dado a conhecer na abertura do post, entre tantos outros, nenhum conhecemos que intente numa aproximação similar para as cruzes da Ordem de Cristo. Ok, aqui vamos nós…

A cruz patente num emprazamento realizado pelo Mestre João Lourenço em 1322, é porventura a mais remota representação da cruz da Ordem de Cristo, assim como a cruz gravada em pedra datada de 1357. Esta cruz tem as bases das extremidades dos quarto braços planas. Outra imagem, mas posterior, do ano de 1400 já apresenta a cruz com as extremidades ligeiramente côncavas. Alem destas e de outras posteriores a 1400, conhece-se a cruz que o anjo segura na iluminura da Leitura Nova e que deixa perceber como seria a Charola nessa altura do Infante D. Henrique e D. Manuel. De notar que as variações à cruz são diversas, e este estudo se concentra essencialmente nas formas gravadas em pedra.



Antes de avançar mais temos então que recuar. Recuar para tomar impulso.

As estelas apresentadas no início do tópico do forum são quase todas, senão todas, provenientes da zona de Mértola, faltando no entanto algumas que também se assemelham à cruz dos Templários Portugueses. Darei a conhece-las no fórum. No entanto é de ressaltar que algumas das outras estelas encontradas têm sido esquecidas nestes estudos. Porquê esquecidas? Porque não tem semelhança com o objecto desses estudos que é o de demonstrar que a cruz pátea tem tradição anterior ao sec. XII, pois são do século VI ou VII.

Acontece porém que essas outras estelas têm sido esquecidas porque não se equiparam com as dos Templários, equiparam-se no entanto com as da Ordem de Cristo. Podem ser um modelo que as influenciou, e mesmo que não seja ficam aqui como uma curiosa coincidência.

Repare-se que uma das cruzes, porventura a que pela sua nitidez mais se assemelha à cruz da Ordem de Cristo em período Infantino e Manuelino, encontra-se envolta numa espécie de corda manuelina (e isto mil anos antes do seu aparecimento como estilo decorativo ou arquitectónico).

No estudo do Gandra, ao qual podem aceder através do link colocado num post, podem ver o que se pensa talvez ser a cruz mais antiga da Ordem de Cristo, se bem que não tem legenda e talvez não saibam identificar. Não consigo colocar aqui a imagem. Encontra-se esta num selo pendente, preso por tiras de cabedal datando de 1231. Encontramo-nos diante o selo do designado Mestre do Templo para os três reinos, ou melhor dizendo, Prior do capítulo peninsular daquela ordem. De salientar o facto muito interessante de nesse selo se revelar uma cruz idêntica a da Ordem de Cristo que, como se sabe, veio a nascer da do Templo.

Pode-se então admitir, portanto que em Portugal os Templários já tivessem começado a fazer uso de uma cruz deste tipo. Isto pode ser visto no livro do Marques de Abrantes “Sigilografia Medieval Portuguesa”, que tentarei digitalizar.

Ou seja, podiam ter sido os próprios Templários a produzir uma das cruzes que veio a ser emblema e insígnia da Ordem de Cristo, e fizeram-no quer para o seu próprio símbolo quer para a ordem sucedânea na qual foram reintegrados, recorrendo a símbolos ancestrais encontrados em território nacional. Isto apenas reforça o que anteriormente ensaiei, ou seja, nada nasce do nada. Os templários forem portadores dessa herança simbólica e transmitiram-na às gerações vindouras.

COMENTÁRIOS NO TÓPICO "LIVROS DE PEDRA" DO FORUM

-----------------------------------------------------------------------------
Nota de rodapé
Não sou muito versado nesta coisa das cruzes e não sei se já existe alguma abordagem semelhante a que faço aqui, ou se até é apenas um delírio meu. Fica ao vosso critério. Ideias excêntricas não têm que ser propriamente falsas mas sim discutidas.


Este post de última hora é apenas um interregno para um outro que se está a preparar sobre Tomar, pois nem estava para ser feito, mas achamos que podia reforçar a ligação entre o blog e o forum.

O título do post é da autoria do Scaliburis, ao qual agradecemos.

12/18/2008

(RE)TOMAR A REGALEIRA

Autoria: DEGRACONIS




Tencionava dar a conhecer somente as fotos deste post, pois julgava serem suficientes para entender as conclusões a que cheguei. Contudo pediram-me para que emoldurasse com algumas palavras as fotos que divulgo. Aqui ficam.

No âmbito das pesquisas que venho a desenvolver deparei-me com um ornamento no varandim do coro alto da Capela da Santíssima Trindade na Regaleira. Trata-se de um motivo escultórico dissimulado entre outros ornamentos.

Conheço as diversas publicações sobre a quinta, assim como os discursos de quem nos tem proporcionado visitas guiadas e em nenhum deles encontro referencias a este motivo inserido no coro alto da capela.

A primeira vez que o dei a conhecer a alguém foi no decurso de uma aulas sobre temas de Cultura Portuguesa na quinta em 2006. Após o ter denunciado comparece um dos responsáveis pela quinta para também o ver. Verificava-se ser um inédito. Ninguém até á data o tinha publicado ou noticiado publicamente.





Intriguei-me pela sua significação pois era bastante evidente não tratar-se de apenas um motivo decorativo. Pela sua posição no coro e pelos seus contornos bem definidos, os quais são mais fáceis de vislumbrar visto de trás, convidava a ser decifrado. Visto esta descoberta estar inserida no seio das minhas pesquisas foi fácil entender o seu significado e contextualiza-lo, apesar de algumas opiniões serem de que não tinha intenção simbólica. Que o leitor forme agora a sua opinião.

Aparentemente tratava-se de um III e um V, ou seja, talvez um VIII, o número Oito. Contudo, não deve ser ele encarado dessa forma. Era um 3 e um 5, no qual se encerram conceitos que irei desenvolver sumariamente de seguida.

Manifesta a Quinta da Regaleira a evocação de um Portugal Áureo que entrou em declínio em 1580. O espaço espelha os interesses e ideologias do seu patrocinador Carvalho Monteiro, as quais são ressuscitados através dos seus diversos símbolos e estilo arquitectónico. O arquitecto a quem se adjudica a obra, Luigi Manini, deslocou-se a Tomar e estudou cuidadosamente diversos monumentos onde predominava o estilo manuelino. No espólio de Manini podemos mesmo constatar fotos várias do Convento de Cristo.

Alguns comentários no blog denunciam a existência de uma ligação entre Tomar e Sintra, nomeadamente com a Quinta da Regaleira, tendo já surgido a ideia de Gualdim Pais estar nela sepultado. De facto, a quinta insere-se num couto que foi doado a Gualdim Paes mas será difícil acreditar que a ligação entre ambas não seja mais do que a partilha de uma ideia: a de um Portugal Providencialista destinado presidir o Quinto Império anunciado para a Terceira Idade de Joaquim de Fiori, a idade do Espírito Santo.

As ideias joaquimitas, visionárias de um novo período para a humanidade, são introduzidas em Portugal através da Rainha Santa Isabel e o rei D. Dinis os quais as impulsionam, assumindo estas em Portugal um modelo sem paralelo no resto da Europa. Modelo baseado no conceito de império, que se manifesta na coroação de uma criança ou de um pobre como Imperador. Esta ideia de coroação e poder profetizam de certa forma, ou podem ser encaradas, como a génese da ideia manifestada mais tarde pelo Padre António Vieira, a de Portugal como o V (Quinto) Império.

Um dos locais sagrados onde as Festas do Império se realizaram em tempos idos foi Tomar, apesar de só estarem documentadas a partir do século XIX. A Festa dos Tabuleiros efectivamente não é mais do que uma festa com raízes nas ideias decorrentes da Terceira Idade culminando com a distribuição de pão e bodo para o povo.

A própria arquitectura Manuelina é reflexo de um mundivisão de Portugal como arauto de uma nova era. Não foi o próprio D. Manuel a considerasse o novo Messias?

A educação de matriz Franciscana de D. Manuel, imbuída das teorias de Joaquim de Fiore que defendia uma visão trinitária da história, sendo a Terceira Idade a era da Confraternização Universal, do Amor e da Liberdade e à qual podemos ligar o misticismo do V Império, leva D. Manuel assumir a Monarquia Lusitana como fundadora e garante de um império de Deus. Com efeito, D. Manuel identifica-se como Salomão, como rei David, como novo César, como rei Mago, como Constantino e como Pai da Pátria, desta feita, simbolicamente como o Senhor ou Imperador do Mundo. Esta visão encontra raízes no carácter heráldico de que se revestia o milagre de Ourique, tão sobejamente conhecido, e onde Cristo aparece a D. Afonso Henriques investindo-o como fundador de uma Nação de origem Divina, assim como numa série de factos associados à vida de D. Manuel.

Evidentemente tal atitude deixou testemunho nos diversos campos da produção artística na época Manuelina sendo por excelência a arquitectura o suporte mais evidente, contudo o mais obscuro em termos de exegese simbólica. É corrente dizer que o Manuelino esconde um Segredo. Esse segredo partilha da simbólica que agora deciframos no motivo esculpido quatrocentos anos mais tarde no coro da Capela e que tão lucidamente nos ilumina sobre as ideias Manuelinas de Carvalho Monteiro, não obstante não ser ideia deste fazer recair em si o papel de redentor da Humanidade.

O blog não tem transbordado muito da temática templária, mas é inevitável que tal aconteça. A trajectória iniciada num possível projecto templário para Portugal, dá passagem de testemunho através da ordem de Cristo culminando nos descobrimentos Portugueses. Este período representa a concretização do profetizado destino universalista e ecuménico que Portugal foi comungando desde a sua fundação, rodeando-se de poliedras visões sobre a missão a que Portugal estava destinado. Desde as ideias gibelinas manifestadas na Monarquia de Dante, atravessando a procura de reinos perdidos, como o de Preste João, até à assunção da ideia utópica do V Império, Portugal é o conversor do mundo a uma nova Idade de Ouro.

O ideário sinárquico Templário terá encontrado expressão popular nas ideologias que constituíam os vectores das Festas do Divino Espírito Santo, sendo os responsáveis pela difusão dessas festas os mesmos que protegeram a ordem dos Templários convertendo-a em Ordem de Cristo, herdeira do seu património material e espiritual.

Este discurso vincado de teor milenarista e escatológico que persiste em Portugal, não se esgota no fim do período áureo de Portugal, prolonga-se na retórica sebastianista e encontra ainda eco nas palavras de Fernando Pessoa, António Quadros e mais uns quantos, espelha-se também no Neo-Manuelino da Regaleira. Que outro estilo arquitectónico poderia Carvalho Augusto Monteiro escolher que se adaptasse tão bem a uma actualização dos ideais cavaleirescos dos templários e da ordem de Cristo, da qual D. Manuel foi seu administrador?

Resta por fim apenas lembrar que os mais ilustres críticos de arte da actualidade tem tentado uma leitura da Janela do Capítulo em Tomar através da interpretação do sonho de Nabucodonosor, na parte que em se refere à Árvore Seca. Curiosamente deriva a apologia do V Império de um outro sonho do mesmo Nabucodonosor.

António Augusto Carvalho Monteiro evoca assim na sua obra e vida a ideia de António Vieira, que procura na “História do Futuro” o V Império e que Fernando Pessoa desdenha na história do passado. O motivo escultórico do coro manifesta assim a mesma ideia que a Janela do Capitulo em Tomar. Ambas de uma forma dissimulada. Não é a Árvore Seca símbolo do Império Universal?


Se não restam dúvidas de que existe uma intenção simbólica naquele motivo, pois a imagem fala por si, podemos ainda tentar dar mais um passo.

Esse IIIV encontra-se no centro da varanda do coro. Se intentarmos olhar por entre as frestas desse III e V o que vemos (v.filme 0:31 seg)? A Coroação, a pomba do Espírito Santo e ainda um monograma em forma de M (de Monarquia, Messias, Maria, Monteiro). Não nos remetem as ideias do V império e das festas do Espírito Santo precisamente para a Coroação de um Imperador ou Monarca sob a égide do Espírito Santo do qual a Pomba Branca é o seu expoente máximo em termos iconográficos?




Trata-se da pintura em cima do altar que retrata a Coroação da Virgem por Jesus Cristo presidida por uma pomba.

Serão estes factos todos apenas uma coincidência?

Conclusão: Carvalho Monteiro antecipa-se aos estudos que ainda hoje faltam sobre a demonstração de que o ideário que preside as Festas do Espírito Santo é o mesmo que se encontra no coração dos que construíram a ideia de Portugal como V Império, unindo-os através da Corda Manuelina que os entrelaça. Se as Festas do Espírito Santo revestem-se de teor universalista e o V Império de algum nacionalismo, no fundo são a mesma coisa, esperança, “Esperanças de Portugal”.

No texto apresentado optei por conduzir-vos numa viagem a partir do motivo do coro até à pintura no altar, mas em boa verdade toda a historia se processa por ordem inversa. Indícios na capela e na Virgem a ser Coroada impeliram-me a olhar na direcção do coro. Santa Maria é assim, ilumina-nos a visão. O IIIV foi apenas a confirmação do sonho.





__________________________
notas de rodapé
O tema não se esgota aqui e até se pode tentar outra leitura do símbolo mas acho que esta aproximação tem a força suficiente para ser publicada. Outro detalhe: No aro do pórtico da capela encontra-se dois medalhões com duas figuras em paralelo que podem ser eventualmente Padre António Vieira e Joaquim de Fiori. São dois rostos envelhecidos. Estranho estarem ao lado um do outro quando é usual se representar uma figura masculina e outra feminina, como podem verificar em todas as outras na quinta.
Aconselho os leitores a visitar a capela e a olhar mais perto a verdade que se esconde naqueles motivos. (o próprio III e o V têm uma marca que talvez não se veja nas fotos, mas terá que ser o leitor agora a dar o próximo passo). Peço desculpa por alguns erros e por nao explicar alguns conceitos, mas o texto foi escrito em tempo record e o espaço é curto.


COMENTÁRIOS: Para enviar o seu comentário, participe no fórum.

12/14/2008

O Fórum do Blog

O Blog tem uma grande novidade, um fórum! Esperamos com isso criar um espaço de discussão e convívio para todos os nossos visitantes.

http://forum.thomar.org/

Creio que muitos já perceberam que boas discussões que ocorriam nos comentários acabaram por se perder com a publicação de um novo post e a conseguinte criação de mais um espaço de comentários. Sendo assim, tomamos por bem em criar um espaço único de discussão.

Além disso, temos como proposta uma experiência, queremos que além dos posts normais que são publicados no blog, possa-se lançar um tema de discussão no Fórum e com a participação de todos, discuti-lo e finalmente criar um post com as conclusões do tema. Incluive já colocamos o primeiro tema, que é sobre a Charola do Convento de Cristo e a controvérsia que estava a ser gerada nos comentários do último post.

http://forum.thomar.org/viewtopic.php?f=8&t=8


O Fórum permite comentários dos nossos ilustres anónimos (para não perder a graça), porém, recomendamos fortemente que se registem, bastando para isso um username, senha e e-mail, simples.

Esperamos que gostem!

12/03/2008

A PEDRA OBLÍQUA DE SANTA MARIA

AUTOR: DEGRACONIS

Após o artigo da Crucificação de Santa Maria, eis a Revelação. Serve este Post para revelar parte das investigações que se efectuaram no ano transacto e as suas consequentes conclusões, se bem que provisórias. Por falta de oportunidade e alguma preguiça para a escrita, só agora é apresentado ao Blog, não obstante já ser do conhecimento de quem tem participado nos jantares.


Como é do conhecimento de todos, corre por tradição em Tomar velhas historias sobre secretas galerias e subterrâneos que ligam diversos pontos de Tomar.

O único referenciado em documentos com alguma antiguidade, seria o que tem início em Santa Maria e terminaria na Torre de Santa Catarina, ou vice-versa. Se na torre de Santa Catarina temos o problema de estar parcialmente aterrada e não ser possível encontrar vestígios do acesso a esse túnel, em Santa Maria temos algo de substancial, a LAJE OBLIQUA.

As escavações efectuadas em Tomar (margem esquerda) permitiram encontrar camadas de terras sedimentares ou de aluvião, que indica terem sido essas terras do tipo pantanosas, impossibilitando a construção de túneis seguros e que passassem por debaixo do rio Nabão, pois teriam que descer a grande profundidade sujeitando-se a infiltrações ou desabamentos.

Contudo, podemos pensar que essa grande laje de dois metros por um, que se encontra em frente ao absídolo do lado da Epístola e se diferencia das outras pelo seu tamanho e posição obliqua, seria a entrada para uma cripta invés do acesso ao tal túnel de que falam as lendas. Túnel que alguns afirmam já terem penetrado sem contudo o terem percorrido mais do que alguns metros, outros dizem que houve quem muito se aventurasse e nem tivesse regressado.
A possibilidade da existência de uma cripta é legítima dado não ser atípica a presença destas em locais como Santa Maria, amiúde das vezes com a intenção de preservar relíquias sagradas. Na igreja da Graça em Santarém constatámos a existência de uma. Alias, este tema de Santarém já foi abordado noutro post. Recordo que inicialmente era em Santa Maria que estava guardada a relíquia de S. Gregório de Nazianzeno que podia eventualmente estar nessa cripta

Outras lendas, impulsionadas ou mesmo principiadas, pelo livro Gisors ou Tomar do Guiguand, apontam que debaixo do castelo ou charola estaria escondido algum tipo de tesouro templário. Sobre este assunto, de uma possível cripta debaixo da Charola existe relatos que nos dão uma forte indicação de ter existido algo. Esses relatos chegam mesmo a dar detalhes precisos sobre o que foi visto. Reportam-se estes relatos ao último século e mais não se pode adiantar por solicitação expressa de quem sabe do assunto.

No entanto, empreendeu-se há umas décadas a escavações no castelo, quiçá na procura da veracidade dessas lendas, tendo-se encontrado uma cisterna. A cisterna junto à torre de menagem. Numa das suas extremidades há uns anos encontrava-se uma parede cimentada, e que poderia ser a entrada para um túnel de acesso à charola, visto estar nessa direcção, e uma e outra ficarem unidas por uma linha recta. Hoje julgo estar toda rebocada a cimento excepto os tectos abobodados. Eventualmente a laje que se distingue das outras no lajeado da Charola e que se encontra à frente da antiga Capela da Nª Sra. Dos Anjos seria o outro acesso a esse túnel. Não sendo este o assunto do post retomemos o caminho da devoção para Santa Maria.
Alias, é o facto de estar esta pedra em posição divergente e apresentar um tamanho considerável em relação às restantes pedras que tem levantado uma série de questões e divagações da mais diversa ordem. Não existe visitante a quem não seja essa laje mostrada acompanhada com a questão de ser diferente de todas as outras e apontar a entrada para um suposto subterrâneo.

Antes de avançar, gostaria de recordar que nos escritos que abordam este eventual túnel não se verifica referencia alguma a esta pedra. Tal só se constata nos escritos das últimas décadas. A causa possível poderá ser a sua inexistência em período anterior à década de 40, altura em que talvez se tenha procedido a algumas mudança no lajeado do chão de Santa Maria (mas que julgo que não pelas descrições das obras). Contam as histórias orais que nessa altura foi posta essa grande pedra para tapar o acesso do túnel que se descobriu, e ao qual acederam algumas pessoas. Destas histórias outros poderão dar informações nos comentários.

Para se entender e descobrir novos factos, há que ir aos locais, senti-los e reflectir. A informação prévia é crucial para se conseguir fazer algumas descobertas, mas estas não se efectuam pela mera leitura de livros. Foi o que aconteceu. Uma tarde passada na igreja e a insistência de alguém sempre com a mesma pergunta.

Mas porque está a pedra então inclinada ou na diagonal em relação a todas as outras? A essa questão e sem uma resposta prévia formulada, surgiu a resposta e a prova imediata. E disto que vos venho dar conta. Coisa simples.

Resposta que dei na altura e que a mim próprio surpreendeu: A Pedra não está em posição estanha em relação às outras. São todas as outras que estão incorrectamente posicionadas. O chão foi todo alterado algures no passado, tendo esta mantido a sua posição original, Prova disso encontra-se no Púlpito.

O Púlpito assentava sobre o antigo lajeado, e quando se procedeu à mudança durante as obras na década de 40, não se levantou o Púlpito. Talvez por ser complicado e desnecessário. Deixou-se ficar este assente nas pedras anteriores à mudança. Pode não ter sido aquando destas obras, mas nas de 1840 dado ter havido alterações no pavimento nessa altura, ou pode mesmo ser anterior. Não conseguir verificar ou ter acesso a dados que permitam-me concluir quando o chão foi remexido. Espero que alguém forneça esses dados nos comentários.

Apenas apresentei esta possível teoria ao rapaz, o qual no dia seguinte juntamente com outro elemento do grupo foi com uma bússola verificar a orientação dessas pedras do púlpito e a da pedra obliqua. A direcção é exactamente a mesma. Prova essa que pelos vistos tem escapado a todos os que andam a divagar com essa pedra (ou não).

No boletim da câmara pode-se constar que quando questionada sobre a pedra, afirma nunca ter sido a pedra removida por ser excessivamente pesada.

Com este dois factos podemos já concluir que afinal são todas as outras pedras que estão na posição errada.

Conclusão breve, até porque isto é apenas parte da investigação, e muitas ilações e pistas podem agora ser seguidas. Estava eu na posse de conhecimentos mas nunca os tinha juntado. Das obras levadas a cabo e do que a câmara dá conta, que até pode não estar correcto, mas que juntamente com a constatação verificada no púlpito, assume toda a importância e dissipa duvidas sobre a orientação da pedra ser estranha. Não é estranha, seriam todas as outras.

Lembro que as sondagens efectuadas pelo meu homónimo do Politécnico apontam para inexistência de qualquer galeria debaixo dessa pedra. O Prof. Larchier foi peremptório nas suas afirmações tendo-se referido exactamente a esse facto verificado pelas sondagens. Contudo verificou-se a possibilidade de estarem em Santa Maria os restos mortais dos Mestres Templários.

No entanto, o mistério não morre aqui e julgo este post não ser funesto para a mítica templária, apenas nos orientou noutro sentido, porque podemos andar quinhentos anos para trás. A pedra está naquele local pelo menos há quinhentos anos, data do púlpito renascentista.
Enfim, coisas simples…


(a partir da pág 6)


11/25/2008

Túnel descoberto no Templo de Stª Maria do Olival

Vivem!

Em primeiro lugar, devo dizer que o túnel já foi tapado à umas semanas… ou seja neste momento o que podem ver em visita ao Templo é apenas as obras de conclusão dos arranjos exteriores do Templo.

*O pano está a tapar a parede interior, rebocada do tunel.

Quando o tunel foi descoberto ou encontrado (em 29 de Outubro) estava em Chaves e por lá permaneci mais uns dias, na ânsia de chegar a Tomar para “matar” a curiosidade… Contudo quando cheguei, o túnel já tinha sido desvalorizado, por varias entidades (membros da câmara, membros do actual IGESPAR, etc), que em visita ao local afirmaram ser um simples canal onde passaria o Ribeiro Salgado e que não havia interesse em explorar e que em breve seria fechado.

Realmente foi fechado pouco tempo depois, penso que se usou betão, mas não para o encerrar de vez, mas sim para a construção da nova escada lateral, em substituição da antiga. De qualquer modo o uso do betão em monumentos desta importância é sempre um atentado! Como conservador restaurador não posso pactuar com estes assassinatos, apesar de nada puder fazer a não ser criticar… e ver o nosso património a ser desvalorizado!

*Viva o Betão!!! Hoje em dia em qualquer intervenção é obrigatorio (senão corre o risco de ruir!) o uso de betão! E quanto mais melhor! Viva os nossos engenheiros!

Mas voltando ao túnel… se é de facto um canal para desviar as águas do Ribeiro Salgado não sei… mas este ainda há bem pouco tempo foi desviado para um colector pluvial nas obras nas traseiras do Templo.
Contudo a planta que o túnel apresenta é um pouco estranha… Através do desenho que apresento, da planta elaborada pela DGEMN, espero que todos os leitores percebam.

O túnel tem cerca de 18 metros de cumprimento, cerca de 1,50 metros de altura (inicial, pois vai diminuindo) e cerca de 1 metro de largura.
O túnel como está actualmente apenas começa a ser túnel num sentido, contudo a anterior entrada seria mais perto da porta lateral norte, ou pelo menos nessa direcção pois na intervenção da DGEMN fez-se o actual chão que rodeia o Templo, este impede a visualização da continuação do túnel, contudo é totalmente perceptível que iria na direcção da porta lateral norte do Templo. Continuando então na descrição do túnel, passado cerca de dois metros do muro que sustenta as terras, na direcção norte faz uma curva com cerca de 90 graus de ângulo e segue paralelamente ao templo em direcção ao Ribeiro Salgado, tem cerca de 18 metros de cumprimento, até que se chega a outra curva de com ângulo de 90 graus… pouco à frente (cerca de 1m) o tecto desabou e o caminho esta obstruído.

*Parte do túnel desabada.
Outra questão interessante é o facto da parede do túnel, a que está paralela às escadas laterais, estar rebocada. Na minha opinião, penso que este reboco corresponde à época da intervenção da DGEMN nos anos 40, pois aquando das obras de construção da escada lateral o túnel teria desabado, até à primeira curva, onde actualmente começa o túnel… Mas nesta teoria surge uma duvida… será que antes da intervenção da DGEMN já se teria algum acesso ao túnel ou seja alguma entrada… é bem possível… pois se reparar-mos na altura do chão dentro dos anexos deitados abaixo nos anos 40 estará muito perto do tecto do túnel, ou seja poderia ter-se acesso ao túnel ainda antes das intervenções da DGEMN. É de reparar que a parede do anexo estaria muito próximo com o túnel. Além de que não sabemos para onde continuaria o túnel.

*Se reparar-mos bem conseguimos perceber a existencia de outro patamar inferior nos anexos.

Na descrição do túnel temos que considerar ainda que tanto a parte inferior como a superior do túnel é construído com lajes ou seja poderia ter a função de canal de água e faz mais sentido que fosse para canalizar as águas da chuva para o Ribeiro Salgado. Assim temos de considerar outra situação, na parte frontal do templo do lado norte existe um escoador de água no início das escadas (obra da DGEMN) este que vem dar perto da esquina do templo também do lado norte, penso que este vai em direcção ao Ribeiro Salgado também paralelamente ao templo, podendo perfeitamente este continuar para o túnel, pois este situa-se num plano mais baixo.

*Penso que esta intervenção seja da DGEMN e servisse para esxcoar a água.
Está teoria pode ter algum sentido pois se reparar-mos bem à medida que entravamos no túnel este começava a ficar com menos altura, devido a restos de lama e terra (naquela altura estavam secos), assim percebemos também que o túnel à medida que se vai aproximando do Rib. Salgado vai ficando ligeiramente inclinado.
Para se perceber melhor seria necessário consultar a rede de escoamento de águas da envolvente do Templo, contudo não sei se haverá sequer… mas deixo uma planta do templo anterior às obras da DGEMN.

*Planta do Templo de 1934.

Com tanto paleio devo dizer em jeito de conclusão que não consegui perceber se o túnel é contemporâneo das intervenções da DGEMN ou se anterior…
Para comparação demonstro outros túneis:

*Um túnel do aqueduto que servia para transportar água para o Convento de Cristo, foi mandado construir pelo Felipe I (1593) e acabado pelo Felipe II (1613).

*Túnel para transporte de água, encontrado em Castelo Branco à poucos meses, este tínel tem aproximadamente entre 200 e 300 anos.
Outro achado interessante que poderá ou não ajudar a percebermos a datação do túnel, é que numa das lajes que servia de tecto ao túnel, tem um desenho a carvão de uma cruz, porém percebe-se que o desenho foi feito antes da sua colocação, pois o desenho vai até às extremidades da laje ou seja até depois do sitio que era suposto assentar…


Também achei estranho o facto de nenhum jornal/radio da região comentar este achado… pois seria uma notícia interessante, penso eu, assim aqui fica para quem queria adicionar informações ou apenas trocar ideias o faça de forma livre e aberta.

11/18/2008

Pentagrama na Torre da Igreja São João Baptista

Da mesma autoria do post anterior. Mais uma vez Obrigado! Um abraço.

Outra ocorrência do Pentagrama em Tomar

Embora haja mais casos, ainda mais esclarecedores, àcerca da carga simbólica subjacente a este esquema geométrico, que não nos atrevemos aqui a divulgar, aproveitamos a deixa anterior, para revelar outra ocorrência do Pentagrama, a qual poderá ter passado despercebida. Trata-se da pedra que, muito provavelmente, terá constituído o tímpano da antiga capela anterior à Igreja de S. João Baptista, agora embutida na Torre Sineira. O ângulo do vértice superior que encima a flor-de-lys (que é, na verdade, uma flor de ÍRIS=IRIA), é da ordem dos 108 graus. A coincidência é, certamente, significativa. Porquê, no entanto, esta predilecção por este signo, o pentágono estrelado? Grande segredo que importa descobrir...
Adiantamos ainda que, para nós, o animal que está representado à esquerda é um Leão, reconhecível pela juba que só no local é visível (constituída por pequenos ”V” invertidos, tratamento aliás idêntico a outras representações do mesmo animal, noutros locais e épocas), assim como, o da direita, é um Cão com uma Lebre na boca (devemos esta última interpretação ao nosso amigo Azul, cuja intuição nos pareceu genial, face aos caminhos que a mesma nos abre). Ao contrário de Maurice Guinguand, não lemos o motivo central, como sendo a constelação da Taça, mas é uma Taça, não temos dúvida nenhuma. A aproximação da Taça e da Flor-de-Lys, demonstra que ambos os símbolos são equivalentes e são-no efectivamente.

11/16/2008

Santa Maria Speciosa in Campis

Este post foi gentilmente enviado para o meu mail, contudo o seu autor preferiu ficar no anonimato. A ele só temos de agradecer pela vontade de participar activamente no blog. Obrigado. Até breve!

Santa Maria Speciosa in Campis – Alçado ocidental
O pentagrama comanda a disposição dos principais elementos arquitectónicos. Aplicado com sabedoria, a outras obras de carácter Tradicional, revela os seus segredos. Compete ao leitor avisado, aprofundar o cânone. Eis a razão pela qual, Leonardo Da Vinci, transmitiu aos vindouros a famosa figura do “Homem de Vitrúvio”

11/11/2008

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO




Saudações a todos!

É com gosto que comunico a realização de mais um jantar de confraternização entre os participantes deste blog.

Ocorrerá no dia 6 de Dezembro próximo, em Tomar.

O ponto de encontro será junto a estátua do Venerável Mestre Dom Gualdim Paes [Praça da República], às 19h00 de onde seguiremos para
local a ser ainda marcado.

Aos interessados em participar, por favor, enviem um e-mail para jantar@thomar.org com o nome, contacto telefónico e no caso de virem acompanhados, os respectivos nomes dos acompanhantes.

Lembro que a finalidade do jantar é de confraternização e troca de idéias, todos os leitores deste blog estão convidados e não se faz necessário prévio conhecimento de ninguém, portanto, havendo vontade de novas pessoas em participar do jantar, serão muito bem vindas.