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3/23/2008

A crucificação de Santa Maria


A Páscoa é o período em que celebramos a ressurreição de Cristo após o martirio da crucificação. Na Igreja de Santa Maria do Olival, que data do Século XII, decidiu-se este ano reviver esse martirio crucificando, desta feita, a própria igreja. Pelas colunas da Igreja foram espetados pregos de forma a que estes pudessem suportar as folhas de palmeira, curiosamente sinal desse martirio, demonstrando um enorme desrespeito pelo nosso património cultural, para além, obviamente, de o danificar. Esperemos que se apurem quem foram os romanos, mas sabemos que provavelmente toda esta história acabará como habitualmente acaba: com Pilatos lavando as mãos e com o povo esperando a ressurreição.






Actualização:


Depois desta noticia apareçer na primiera página do jornal O Templario, saiu em resposta o Cartoon, da autoria de Carlos Mendes, publicado n´O Templário de 10-4-2008.

3/22/2008

Thomar de Antigamente



É com enorme prazer que anuncio neste blog, a exposição que esta a decorrer na Biblioteca Municipal de Tomar. A Exposição é uma mostra de coleccionismo, tendo como tema principal Tomar no seu passado.


Organizado pelo Clube de Coleccionadores de Tomar, e tendo como expositor Ricardo Branco, que teve como objectivo primordial incentivar todas as pessoas ao coleccionismo, bem como realçar as mudanças evidentes que foram surgindo com a evolução da Cidade de forma a que possamos olhar para o “nosso” património e para a “nossa” cultura de forma diferente, para que se possa preservar durante mais anos e de maneira a que as gerações vindouras a possam estudar e fundamentar as suas opiniões tal como os nossos antepassados o fizeram e como nós próprios o fazemos.


A exposição estará aberta ao público até ao dia 31 de Março de 2008, no átrio da Biblioteca Municipal de Tomar. Esta exposição assinala também o aniversário do Clube de Coleccionadores de Tomar que comemora 10 anos, como tal estão anunciadas novas exposições no decorrer deste ano.


Ao clube de Coleccionadores de Tomar desejamos um futuro muito próspero!

Algumas fotografias da exposição:







Até breve

3/09/2008

O Porto de Thomar (Estaus)


Em Tomar, a margem esquerda do Nabão foi sempre a preferida pelos povos antigos: Celtas, Iberos, Romanos, Visigodos, etc... Todos eles deixaram marcas das suas construções nesta margem hoje freguesia de St. Maria dos Olivais. A margem direita, até à ocupação Templária era naturalmente inóspita porque o Nabão inundava o local, hoje freguesia de S. João Batista. Certo que havia uma via Romana que dava acesso à ponte e que provinha de Olisipo e se dirigia a Bracara Augusta. A ponte seria mais comprida no sentido da corredora: as guardas prolongavam-se até à embocadura da rua dos Moinhos.

O Nabão entrava, como hoje, em Tomar dividindo-se em dois cursos distintos: um que seguia a norte do mouchão, pela esquerda, para a ponte, passando junto ao mosteiro de St. Iria o qual era mais forte; outro que inundava a zona que é hoje o jardim da Várzea Pequena que, nesse tempo, era repleto de espadamas, juncos e lodo formando o seu curso na direcção da rua dos Moinhos passando por debaixo da via Romana que ali teria um pontão; dava movimento às rodas das azenhas e vinha passar ao fundo da rua da Graça junto dos Estaus atingindo o curso principal perto do antigo matadouro.
Foi o Infante D. Henrique que viria a transformar e a dar uma grande importância ao rio ao construir a famosa Escola de Navegadores que a tradição erradamente consagrou em Sagres. Esses edifícios tinham como nome Estaus, eram enormes edifícios, para a época, que ocupavam o primeiro quartel a rua dos Arcos; um frente ao outro cujas fachadas tinham 16 arcos Góticos cada igual número de janelas do mesmo estilo por cima do vértice de cada arco; davam luz a enormes salões que serviam de escola, refeitórios e dormitórios. Era aqui que ficavam hospedados os astrónomos, astrólogos, geólogos, cartógrafos, marinheiros... Nos baixos funcionavam as oficinas,c arpintarias, tanoaria, saboaria, segeiro, cordeiro, esparteiro... os armazéns, os mercados, etc.. aqui se construíram as peças para os veículos de passageiros de carga, para embarcações que eram montadas em S. Lourenço junto às ferrarias(também aqui já celtas e Romanos trabalhavam o ferro na antiguidade). A título de curiosidade foi nestas ferrarias de S. Lourenço que D Manuel I anos mais tarde mandou construir canhões para as Naus.

Prontos os barcos facilmente seriam lançados ao rio até ao porto de Punhete (castelo de Constância) onde eram finalizadas as embarcações. Dai seguiam Tejo abaixo até Lisboa de onde se iniciava a grande aventura dos descobrimentos ou achamentos.

*Restos dos arcos...

2/20/2008

Santa Maria do Olival

Olá.
Peço desculpa, pois não temos estado muito atentos às discussões do blog.
Assim sendo decidimos colocar algumas fotos que possam ajudar a chegar a uma opinião comum entre todos os leitores.
Também achei interessante mostrar outras imagens que são bastante curiosas e interessantes.
Queremos saber a vossa opinião.


*O tão falado "T"...


*Em 1948. Obrigado Sr. Rui Ferreira


* Na fachada principal do Templo no lado esquerdo uma frase que ocupa varias blocos calcarios, aqui fica apenas um


* Resto de uma coluna...


*....


* No atrio do Templo

Cumprimentos

1/25/2008

A Ultima Ceia de Leonardo Da Vinci – O Génio por de trás da obra

A pedido do amigo Sergio Tavares:


Todos nós já ouvimos falar de Leonardo da Vinci, nascido em 15 de abril de 1452 pelas obras e pelo estudos por ele efectuados onde destaco alguns estudos de anatomia, arquitectura, engenharia, obras de pintura como, Mona Lisa, Virgem dos Rochedos, O Baptismo de Cristo, A Ultima Ceia, etc...
Da Vinci foi sem duvida um grande homem do renascimento, que escrevia da direita para esquerda e os seus desenhos só podiam ser vistos com a ajuda de um espelho, no entanto o que me faz publicar este post é a mais recente teoria de Slavisa Pesci que ao sobrepor imagens traz de volta o debate sobre tão grande obra.

A teoria de Slavisa Pesci


Segundo Slavisa, ao sobrepor a Ultima Ceia com a sua imagem espelhada aparecem algumas imagens polémicas como a de ”São Filipe aparecer carregando um bebé nos braços. As lendas templárias dizem que, após Jesus ter sido retirado vivo da cruz, seus apóstolos precisaram levar Maria Madalena e seu filho em segurança para o Egipto e São Filipe foi um dos que a acompanhou nesta viagem.” (retirado de um site que analisa as novas descobertas)
La se volta a por a possibilidade da teoria da descendência de Jesus ser real já como foi alimentada pelo filme de ficção Código da Vinci. Então aqui temos ou tão falado pormenor:



Continuando podemos observa que no local onde Jesus se encontra vai aparecer o tão famoso cálice, ou para alguns o Santo Graal, e também é deveras possível ver o Sagrado Coração de Jesus tão presente na religião católica relação possível para alguns com as ordens Rosacruzes das quais diz-se que Da Vinci fazia parte. Ora o Santo Graal está a azul logo abaixo do coração:


O próprio Leonardo da vinci vai aparecer no quadro após se deslocar a sobreposição para a direita de quem vê a pintura, entre imagem de São Simão e a sua imagem reflectida:


Por ultimo aparece um Cavaleiro ao que dizem representação de um cavaleiro Templário transcrevendo o texto original de um site que diz:
“ São Simão, o Zelote, aparece vestido como um Cavaleiro Templário, com capa e túnica. São Simão, como Zelote, foi um dos que auxiliou na revolta dos Judeus contra os romanos, anos após a retirada de Jesus e sua família em segurança de Jerusalém. Uma grande homenagem de Leonardo!”:


Fica a cargo de cada um tirar as suas conclusões e comentar esta teoria que já esta na amplamente difundida na net e debate-la aqui como nos velhos tempos. Em jeito de despedida há mais um pormenor na pintura que é a de uma mão com uma faca que não se sabe de quem é e porque lá está mas isso deixo para quem tiver interessado descobrir, está na pintura normal.

1/23/2008

Castelo ou Convento??


Amigos como concerteza já devem ter ouvido falar na separação do Convento de Cristo (do sitio onde está inserido...) do Castelo dos Templarios, esta nova polémica chegou para ficar... (só falta saber se vamos ter de pagar dois bilhetes para visitar os dois monumentons...??!!??)


"A Portaria nº1130/2007, de 20 de Dezembro, impõe a afectação de um castelo, o de Tomar, e da Ermida de N. Srª da Conceição,integrando o Conjunto Monumental Património Mundial,(Convento de Cristo) afecto ao IGESPAR, a uma nova tutela, que a concretizar-se, resultará num objectivo desmembramento daquele conjunto.
Importa saber que é, exactamente, a diversidade arquitectónica e histórica na sua íntegra continuidade que sustenta o reconhecimento do Conjunto como Património da Humanidade:(Castelo, Convento, Cerca, Ermida e Aqueduto).
Este espartilhamento representa um retrocesso, cultural e da política de gestão deste património, até à situação anterior a 1875.
Lutemos pela unidade da memória da Ordem do Templo e da Ordem de Cristo em Tomar!!!"


Deixo vos aqui a petição para quem quiser assinar:

http://www.petitiononline.com/1cc1160/petition.html

(Obrigado ao Sr. Rui Ferreira pela lembrança)


Pelo que ouvi os populares comentarem pelas bonitas ruas de Thomar, foi que a Mata (ia deixar de ser Nacional) dos 7 Montes, iria ser vendida á Citaves (uma pequena parte) e à Sicarze (a parte maior), para exploração de galinhas e coelhos; porcos, cabras e vacas respectivamente, vamos ficar para ver se com a qualidade dos bastos a produção vai aumentar!!!

Quando me desloquei ao convento na passada terça-feira, também me despertou a curiosidade de dois funcionários do Convento estarem a falar sobre alguns claustros que iriam pertencer a outra instituição bem como as hortas dos frades que iria ser explorada pelo ministério da agricultura... vamos lá ver o que vai sair daqui...

Cumprimentos

(Resumindo e concluindo Portigal vai de mal a pior com isto tudo só podemos desejar que o proximo primeiro Ministro não nos venda à Espanha... pelo menos por uma "truta e meia"...)

1/21/2008

Templo de Santa Maria dos Olivais


Como é do conhecimento geral, todos sabemos a importância Histórica e Espiritual deste nosso Panteão de forma que estamos preocupados…

Os motivos deste post são alertar as autoridades competentes bem como todas as pessoas que usufruem do espaço, para o que se tem passado e para o que se esta a passar, bem como a crescente preocupação de o preservar-mos durante mais tempo (e não de o degradarmos cada vez mais…) de modo que as gerações vindouras o possam conhecer tal como nos o conhecemos…

A nossa indignação vai para os grafites que foram desenhados nas traseiras deste monumento nacional, um já lá se encontra a um ano o outro foi feito este fim-de-semana. Como é possível??!!! (Para esses miúdos (!!!) quero apenas quero referir que existem inúmeros sítios propícios e próprios para esse tipo de arte e não difamar outros monumentos e outras forma de arte!-infelizmente aqueles grafites não são arte...). Nós sabemos que o guarda faz o que pode, mas o seu Horário é das 10h as 17 horas e de segunda a sexta, durante a noite não existe vigilância, á noite o templo é entregue aos vândalos que além de grafites fazem do local casa de banho publica (a policia deve andar entretida com outras coisas…).



Outro dos motivos que nos levaram a escrever este post vai para o interior do mesmo:
*muitos de vos devem se lembrar de um quadro que estava numa das paredes laterais da igreja, pois bem esse quadro foi destituído do seu valor, pois por ordem de alguém o crucifixo a que a ele estava pregado foi retirado e esse mesmo crucifixo foi posto no altar rodeado por flores de plástico, o "coitado" do quadro perdeu toda a função que tinha... (no ponto de vista da Conservação e Restauro isto é considerado um "assassinato"...)



*este aviso vai também para as senhoras que fazem a limpeza do templo, por favor não lavem o chão com detergentes com amoníaco (ao menos que seja diluído…), esses detergentes são abrasivos e altamente penetrantes e estragam e provocam uma degradação mais rápida da pedra calcária.
* A mudança da pia Baptismal, para uma capela lateral, desvalorizando assim todo o simbolismo do objecto

Vamos ver com as obras que se estão a realizar como vai ficar aquela futura "Praça" em que as traseiras do Templo vão ser realçadas (a estrada vai passar por ai), esperando que a sua dianteria não fique como esta agora a parte traseira...

Quero pedir a todos os grupos e organizações que se identificam com este local para que se faça pressão sobre o I.P.P.A.R e Câmara Municipal para que algo seja feito.

Espero que a Templo volte a ser uma casa aberta para todos aqueles que procuram uma paz de espírito.

A todos um muito obrigado

Actualização:

Quero agradecer ao Jornal O Templário pela notícia lançada no seu semanário.
Contudo quero destacar a Resposta do Padre Frutuoso:


Infelizmente para se analisar se o crucifixo pertence originalmente ao Quadro é necessário proceder a alguns exames sem ser apenas e só à vista desarmada... Contudo poderei examina-lo mais atentamente na próxima vez que me deslocar ao Templo referido.
De qualquer maneira, se realmente quisesse retirar o crucifixo do quadro teria de perguntar à comunidade e saber a sua opinião. Pois agora fica um quadro colocada na parede com a Nossa Sra. e São João a olharem um para o outro, ficando Jerusalém como plano de fundo e uma nuvem a pairar sobre ela...
Amigo Pároco, mesmo que o crucifixo não pertença originalmente ao quadro, ele foi lá posto de modo a que pudesse contextualiza-lo melhor, retirando o crucifixo, o quadro deixa de fazer sentido!

Também quero destacar para um comentário feito pelo nosso leitor Insidejob:
"As Igrejas são da COMUNIDADE não apenas dos Religiosos. As últimas "recomendações" do Vaticano à Igreja Portuguesa vem no sentido de ela se abrir à Comunidade, não só no domínio da fé mas também estética e socialmente. As igrejas não são grutas do oráculo são locais de bem estar estético e pessoal."

Penso que está tudo dito... e por isso não vale a pena entrar em questões de ignorância, pois se ninguém falasse deste crime estava a pactuar para que crimes mais graves se realizassem!!! E isso sim é ignorância!

Cumprimentos

12/17/2007

O Sonho de S.Bernardo


-Há alguns dias atrás passei pela experiência de um estranho sonho de que desejo dar-vos notícia.
Assim falou Bernardo de Claraval ao capítulo dos Templários reunido a seu pedido numa das salas da abadia cisterciense de Claraval.

-Nesse meu devanear pelos sombrios caminhos da noite vi-me transportado à beira de uma alta falésia frente ao imenso oceano. Logo soube (ignoro por que artes do sonho) que me encontrava na extrema costa ocidental da Ibéria, no antigo país dos Lusitanos, terra que no entanto me era desconhecida.
Diante de mim estendia-se, sob o sol enlouquece dor de luz, esse mar incógnito que tanto temor infunde nos marinheiros. Trazido pelo rijo vento do largo, mesclando com mil vozes da natura, um urgente apelo atraí-me para o horizonte distante. Mas outra força poderosa retinha-me, puxava-me para o interior das terras. E nessa contenda vacilava o meu corpo e mais ainda a minha alma!
Foi então que vi, ou me pareceu ver, erguerem-se, por breves momentos, na neblina do horizonte, as torres brancas de uma cidade prodigiosa, que, no mesmo instante, reconhecia não poderem ser outras senão as da capital da malograda Atlântida, cujo destino funesto tão vivida mente nos evocou o sábio Platão. Fascinado, dei alguns passos em frente, lançando-me no abismo que se abria a meus pés, mas estranhamente nenhum terror me invadiu, como seria natural, pois me encontrei a voar suavemente em direcção a essa visão fugaz, indiferente ao tumulto dos elementos.
À medida que ia vogando tudo se desvaneceu e tornou um tom avermelhado. Pouca a pouco fui despertando. Encontrando-me finalmente deitado na minha cela por cuja estreita janela um raio do sol nascente vinha tocar-me nos olhos. Uma nostalgia profunda desses momentos ímpares me habita ainda o espírita passados tantos dias ....
Que pensais de tudo o que acabo de vos contar?

Após um prolongado silêncio o mestre da ordem falou assim:
-A meu ver, senhor, esse vosso sonho toma o aspecto de um aceno do destino. Um destino ligado a esse extremo da Ibéria e que parece apontar para a demanda de uma Atlântida simbólica ou de misterioso! Também se me afigura que a força que vos retinha viria do coração da Hispânia, dessas nações que estando naturalmente tão empenhadas nas guerras de reconquista muito pouco dispostas se viriam em lançar-se nos perigos e incertezas de tão grande esforçada aventura marítima.
Talvez o significado profundo do vosso sonho seja que tal gesta não será possível se não houve nessa faixa ocidental da península uma nação independente, toda voltada para o mar, que possa assumir a realização de tão grandioso objectivo.
-tocaste num ponto importante, meu amigo - replicou bernardo
-e sabei quanto os vossos pensamentos estão bem perto das minhas próprias reflexões!
Pedindo a palavra um segundo cavaleiro disse então:
-Sabemos senhor, que existe nessa terra ocidental um príncipe, D.Afonso e um povo que anseiam por se tornarem independentes.
Porque não irmos ao encontro desse desejo e usando nossa forte influência favorecemos aí o nascimento de uma nova nação?
-trabalhosa tarefa, que pode exigir todo o esforço e valor que em nós pudermos encontrar, mas sedutora -retorquiu o abade após uns momentos de reflexão.
Foi nesse momento que um terceiro cavaleiro, profundo conhecedor de questões de geometria simbólica, se ergueu lentamente da sua cadeira e com um olhar intenso que parecia fintar um horizonte longínquo, muito para além das espessas paredes da abadia, assim falou:
-Quantas vezes já sonhei acordado com tal possibilidade! Deixa-me dar um alvitre, fruto de certas ideias que há muito me acalentam o espírito. A terra é um ser vivo, forças obscuras a percorrem. Podemos canalizá-las, pô-las do nosso lado. Porque não tentarmos envolver essa nova nação no escrímio estimulante de um recinto sagrado, à terra bem ligado sob o olhar benevolente dos astros?
Talvez usando mesmo aquela forma que é para nós é tão sagrada, o místico duplo quadrado.
Talvez assim, sob nossa orientação discreta, melhor se vá cumprindo o vosso sonho, as portas se abram do mar desconhecido aumente-se o mundo, a Humanidade nele e o divino nela!
Um murmúrio de aprovação acolheu estas palavras, ao que Bernardo correspondeu dizendo:
-Bem me parece que foi os céus que falaram por vossa boca! Assim vos dou a incumbência de gizares um plano detalhado que traduza essa bela ideia. Por nossa parte tudo faremos para torná-la realidade, mesmo sabem do que grandes trabalhos e dificuldades nos hão-de surgir pelo caminho. Mas não é esse, afinal, o modo de caminhar que mais fundo nos cala na alma?

11/30/2007

Jantar dia 8 de Dezembro

Amigos.
Como sabem o blog faz anos e teremos todo o gosto de reunir novamente os nossos amigos, colaboradores e leitores, para mais um jantar convivio nesta bonita cidade de Thomar.

O ponto de encontro vai ser junto à estatua do D. Gualdim Pais, pelas 18h. Ás 20h iremos para o Restaurante o Tabuleiro onde vai ser realizado o jantar.

Aproveito também para adiantar que temos algumas ideias, para as quais gostariamos de ouvir a opinião de todos, para que o proximo ano, seja ainda mais rechiado de surpresas e desmistificações.

Se qiserem confirmar a vossa ida ou saber mais informações, enviem um mail para o_cruzado@hotmail.com

Abraços.
Até la.

11/23/2007

Santa Iria VIII – A Padroeira de Thomar


“Santa Iria

(Que floresceu em Nabância no século VII)

Num rio virginal de águas claras e mansas,
Pequenino baixel, a Santa vai Boiando.
Pouco a pouco, dilui-se o oiro das suas tranças
E, diluído, vê-se as águas aloirando.

Circunda-a um peslendor de verdes Esperanças.
Unge-lhe a fronte o luar (os Santos Óleos) brando,
E, com a Graça etérea e meiga das crianças,
Formosa Iria vai boiando, vai boiando…

Os cravos e os jasmins abrem-se à luz da Lua,
E, ao verem-na passar, fantástica barquinha,
Murmuram-se entre si:«É um mármore que flutua!»

Ela entr, enfim, no Oceano… E escuta-se, ao luar,
A mãe do Pescador, rezando a ladainha
Pelos que andam, Senhor! Sobre as águas do Mar…”

Leça, 1885, António Nobre

FIM

Santa Iria VII – O Convento


Este Convento de Freiras beneditinas, situado a noroeste, junto ao rio de Thomar foi fundado em 640, juntamente com o Convento de Santa Maria dos Olivais (também este beneditino) por S. Frutuoso, Arcebispo de Braga.

Sabemos que, por descobertas arqueológicas, que os dois conventos, já seriam locais de culto anteriormente, tal como a Igreja paroquial da altura, a de S. Pedro Félix.

O Convento, na altura, tinha uma cerca com o rio, e nas suas margens teria chorões, choupos e salgueiros; tinham também um terreno, onde eram cultivados os alimentos, que abastecia o convento.

No entanto quando a fundação da villa de Thomar por Gualdim Pais, apenas restavam ruínas mudas de toda a margem esquerda do grande rio de Thomar.

No local de tão sagrado culto, existiu uma confraria de Santa Iria, antes de 1336, quando Martim domingos, morador da Portela de S. Pedro de Tomar), lhe deixou metade das suas casas nas cortelhas, e que em 1467, se fundou um recolhimento de religiosas por obra de D. Mésia Vaz Queiróz, que levou consigo as suas três filhas, depois da morte do seu marido. Em 1523, por vontade da sua última filha aí recolhida, mandou construir a capela (a capela-mor, e talvez a Igreja), para sua sepultura e dos seus descendentes, conforme a lapide no local.

Em 1531 deu-se um forte abismo e muitas das estruturas desabaram, e foram reedificadas nos anos seguintes. O portal da Igreja é renascentista e está datado de 1536, bem como a janela, onde alguns vêem a mão de João de Castilho.

O século XVI foi muito crítico para a gentes de Thomar e suas terras, pois sofreram vários sismos de grande intensidade, 1531, 1551, 1575, em 1550, ocorreram uma grande cheia que deitou abaixo 6 casas térreas que tinham para despejo do mosteiro, caiu também a cerca de banda do adro e caiu quase toda a cerca da banda do rio.

No ano de 1550 foi fundada a Capela dos Vales, cujo brasão de armas figuram no altar e no frontão sobre o arco da capela.

A totalidade do alçado desde o altar de s. Francisco até aos pés da nave são contemporâneos, tendo sido a parede dilatada em espessura de forma a conter o dito altar, e incluindo nela o portal e a janela que, transladados passaram a fazer parte da nova fachada, acresce a isto a mudança do púlpito levada a cabo em 1610, para o lado norte da nave, junto à entrada, não se poderia ter efectuado sem produzir graves alterações na parede e no portal, pela sobrecarga que representa, assim como nos azulejos, que não apresentou sinais de afectação, pelo que provavelmente tudo terá sido realizado na mesma empreitada, conforme as inscrições na capela mor.

Outro factor a ter em conta para a modificação da volumetria do convento é o factor de que no século XVI o nº de monjas e pessoal auxiliar aumentou de 15/16 para em 1654 80 pessoas. Nesta altura o convento teve várias ajudas de reis e papas.

Outro ponto a destacar também é o facto de Felipe II em 1616 fundou um Convento de Carmelitas descalços em Thomar. Nessa altura Thomar tinha uma enorme quantidade de capelas, ermidas e Igrejas…

Da primitiva construção do mosteiro, terão subsistido entre outro, o lanço final da parede compreendido entre a capela-mor e o altar da capela de S. Francisco, situada no alinhamento da dos vales; se a primitiva cobertura da nave terá sido em abobadada não sabemos, mas o seu uso era corrente nessa época, e a capela mor e a dos vales provam-no, assim como a verga da porta de acesso à sacristia, de recorte gótico-manuelino, traduz o refinamento do pormenor decorativo.

Em 1615 constituía o prédio do convento e a sua cerca, a propriedade que partia do norte com a Rua Larga de S. Braz, a poente com o Rio de Thomar, a sul com a horta de El-Rey e a propriedade da comenda de Cem Soldos, e a nascente com caminho publico para Santa Maria dos Olivais. A nascente incluía também outra morada com o seu quintal que pegava com as outras casas através do “Arco das Freiras”.

No convento o claustro é só de um andar, cujos lados são arcarias de volta redonda, levantadas em simples e baixas colunas toscanas. Era neste claustro a entrada para o célebre pego, lugar de veneração que os tempos perpetuaram como tendo sido o do martírio de Santa Iria. Aquando da construção do convento tiveram de cobri-lo com uma abobada, para que não fosse levada pelas cheias. Na parte de cima na esquina da parede do convento foi colocado num nicho, uma imagem da Santa para que todos os que passassem na ponte reconhecessem o sitio do seu martírio.


*Pedra gravada no cunhal do convento de Santa Iria, pensa-se que seje visigoda, faz referência aos bons campos que eram banhados pelos Nabão