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6/18/2010

A SAGA DE SÃO CRISTÓVÃO - PARTE IV

Uma estátua de fazer perder a cabeça
CET – Centro de Estudos de Thomar
Do Círculo: “(C)ristóvão (E)m (T)omar”
Deve este post ser lido como continuação do post "São Cristóvão da Ponte (parte III)". Anunciámos que iríamos publicar um post a propósito de uma descoberta feita pelo Voltron após ter lido o post citado, todavia não é este ainda. A constituição do Círculo em causa teve como objectivo a publicão de dois posts. Este é o primeiro. 

“De facto é estranho que essa estátua seja de São Cristóvão. Corri milhares de páginas à procura de informação e encontrei uma descrição como sendo um soldado romano, o que parece corroborar o meu sentimento quanto à origem dessa figura”                                 Leon

Surpreendentemente não tem sido apenas a pintura mural da Charola a fazer correr muita tinta, ou no caso da Leon, a correr por entre milhares de páginas na tentativa de entender a estátua apontada como sendo a de “São Cristóvão da Ponte Velha” ou de “D. Manuel”. “Da Ponte” será, e disso já não nos restam dúvidas, todavia de uma outra. Quanto a ser São Cristóvão, parece haver algum tipo de equívoco que já vem de longa data.

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Estátua do Claustro da Lavagem

O alerta foi dado pela Leon que se lembrou de ir consultar os trabalhos da Salette da Ponte, visto esta ser uma das referências na arqueologia Tomarense, poderia fornecer-nos algum tipo de descrição ou informação quanto à estátua que está no Claustro da Lavagem, do lado direito de quem entra pela porta de acesso virada para a Almedina. Confirma-se, e mesmo sem saber se a descrição é da Salette, passamos a citar a legenda da fotografia da estátua.

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E São Cristóvão? Nenhuma palavra quanto a isso. Adensa-se o mistério, até porque inequivocamente é identificada como sendo de uma época anterior à da própria Lenda de São Cristóvão. Mais, foi encontrada algures junto à muralha Sebástica.

A ideia não seria que tendo estado ela na ponte a partir no tempo de D. João V se tinha entretanto retirado por incapacidade de se aguentar nas pernas? Como terá então ido parar tão longe do sítio onde conviveu com o povo Tomarense? E que local é este a que chamam Sebástico?

Após esta constatação a Leon ligou-me e noticiou-me as boas novas. Seriam-no mesmo? Sim, mas foram a causa de andarmos de cabeça perdida nos dias que se seguiram.

Começa então aqui, a história que nos foi possível recolher junto aos meios a que tivemos acesso. História esta, que ainda carece de algumas respostas mas que julgamos vir esclarecer parte da biografia do homem sem cabeça.

Comecemos então por dar conhecimento acerca da localização da designada muralha Sebástica que, como o nome indica, foi construída na época que antecedeu a batalha de Alcácer Quibir.

A Estrada Velha, conhecida como Coimbrã ou Santarena, e que estabelecia uma das ligações de Santarém a Penela, passava pelo local onde hoje é São Lourenço, começando aí a “costear” o Monte do Piolhinho (termo de Tomar), baixando então ao nível da Ponte das Ferrarias. Na época tinha esta zona uma cota muito inferior à que hoje conhecemos, estando portanto, sujeita a constantes e repetidas inundações do Nabão, o que a tornava intransitável no Inverno. Existia porém, um desvio susceptível de ser usado em alternativa, mas era penoso e até perigoso.

A muralha era assim uma necessidade premente a fim de resolver os incómodos causados pelas cheias inerentes à época da chuva. Mandou-se assim, na época do reinado do jovem Rei, construir uma forte muralha na margem do rio, que contivesse o rio e servisse de amparo ao aterro de sustentação às terras que permitiram nivelar a estrada. Ainda hoje é possível ver essa muralha cumprindo as funções para que foi construída, assim como o padrão que se elevou para comemorar essa grandiosa obra de aterro, o Padrão Sebástico.

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Padrão de D. Sebastião

Tivemos a oportunidade de referir que a estátua se relacionaria, de facto, com uma ponte, mas não dissemos eventualmente com que ponte. Debrucemo-nos então um pouco sobre essa outra ponte: a das Ferrarias.

Pelo que nos foi dado a conhecer, terá sido descoberta em época relativamente recente pelo ilustre João Maria de Sousa, que a ela se refere nas suas divagações literárias.

Não se lhe conhece a origem, talvez romana, nem até que época terá cumprido com a sua função, mas certo, é ter servido de açude – tal como actualmente – pelo menos desde o século XVI, altura em que, aproveitando um pequeno rápido onde, junto ao Monte do Piolhinho, ao fundo da Várzea Grande, existe um estrangulamento do rio e se fez uma fábrica de armas a mando de D. Manuel I. Pouco se conhece da sua tipologia, a não ser uma levada aberta a meio da ponte.

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Ponte das Ferrarias em Tomar perto do
Padrão de D. Sebastião
Prospecção no local

Encontrava-se precisamente na sua proximidade, a estátua que hoje vemos no Claustro Da Lavagem. Diz-nos a Carta Arqueológica do Concelho “que ali perto se encontrava em 1903, a estátua conhecida por S. Cristóvão. Ainda em 1927 Vieira Guimarães ali a viu. Actualmente, encontra-se no claustro da lavagem do Convento de Cristo”.

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Estátua do Claustro da Lavagem junto
à muralha Sebástica em Tomar

Acontece porém que, em 1903 – data em que J. M. Sousa noticia o facto – o mesmo não refere, tratar-se aquela estátua da representação de São Cristóvão, e de igual modo, também Vieira Guimarães, que talvez seja o único, ou o que mais cedo dá notícias da estátua do Santo na Ponte Velha ou de D. Manuel, não se refere à estátua que está no Claustro da Lavagem como sendo a de São Cristóvão ou que tivesse estado na ponte da cidade. Sabiam ambos – até porque a conheceram junto às Ferrarias – ser aquela estátua de origem incerta e duvidosa, mas nunca como a que esteve na ponte junto a Santa Iria.

É certo que não encontramos muitos escritos que afirmem ser esta estátua a do São Cristóvão que estava na Ponte Velha da cidade, mas é comummente assente – pelo menos entre as diversas pessoas com quem contactámos – ser aquela estátua a do famoso santo de pernas gastas e que se encontrava “voltado a sul. Logo à entrada, vindo do Além Ponte”. Esta citação do Amorim Rosa, apesar de dar notícias do Santo da ponte, não chega a identificar que estátua era essa – se a do convento ou não – e remete-nos imediatamente para J. M. Sousa e Vieira Guimarães que terão sido, sem dúvida, as suas fontes de informação.

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Ponte D. Manuel I (Velha ou da Cidade)

Portanto, independentemente de ser esta confusão da nossa autoria e de mais uns quantos escritos que encontramos na internet – e não só – serve este post para definitivamente – se o for – entender mais um pouco da biografia do homem da muralha Sebástica, de cuja origem mais recuada acabamos por saber tão pouco, tal como quanto ao final dos dias do nosso Rei, que àquele local dá nome.

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El Rei D. Sebastião

Abordemos então as notícias que obtivemos do Vieira Guimarães e João Maria de Sousa, os quais são a fonte mais credível para entender esta saga que já vai no quarto capítulo e nos levou mesmo à criação de um círculo do nosso CET - Centro de Estudos de Thomar, curiosamente designado como (C)ristóvão (E)m (T)omar, do qual iremos ainda publicar mais um post deveras interessante a nosso ver.

O local referido serviu de palco ao encontro entre as tropas do Santo Condestável e D. João I em 10 de Agosto de 1385 – dia de São Lourenço – as quais devem ter usado a ponte das Ferrarias “para dar passagem aos peões e cavaleiros a vau, porque devia o rio ser vadeavel naquela época e ainda no principio do séc. XIX em certas épocas do ano”, no entendimento do J. M. Sousa .Segundo Vieira Guimarães, no séc. XIV ainda estava apta a dar passagem a crer na Crónica de El-Rei D. João I, facto que não conseguimos apurar em virtude do livro ser extenso e de leitura difícil.

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Note-se em plano de fundo, à direita, a ponte
por onde as tropas teriam passado
Painel de Azulejos na Capela de São Lourenço com representação
das tropas de D. João I e do Condestável

No “Portugal Antigo e Moderno”, diz Pinho Leal, ter havido naquele local uma fábrica de fundição de ferro – de armas como já referido – pertencente a Henrique de Quental, e portanto, haveria a possibilidade de ter sido este o mentor de tal ponte e da estátua dele próprio que, naquele tempo (sec. XIX) ainda lá se encontrava, embora já decapitada.

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Portugal Moderno e Antigo de Pinho Leal

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Antiga casa de Aires de Quental em Tomar

Discorda veementemente J. M. Sousa que assim seja, quer no que diz respeito à estátua ser do próprio, quer da construção da ponte servir a sua fábrica. Diz-nos antes que, eventualmente, Henrique de Quental pode tê-la restaurado, mas nunca construído, pois a seu ver a ponte seria bem anterior à nacionalidade Portuguesa. 

Diz-nos João Maria Sousa que “a estátua mutilada, que ainda hoje se vê, e que se diz ser de Henrique do Quental, não ocupou primitivamente o logar, onde agora se encontra. O leito do rio elevou-se, devido principalmente aos açudes que os frades nelle mandaram construir…”. “ Portanto, se Henrique do Quental mandou, não diremos construir, mas reparar aquella ponte para serventia da sua fábrica de fundição, foi muito antes da construção da muralha; é pois natural que a estátua estivesse em baixo na margem do rio à entrada da ponte e, quando fizeram aquella muralha, a removeram dali e collocaram sobre ella no lugar onde hoje está”

Por outro lado, se tivermos dúvidas relativamente ao pensamento do Vieira Guimarães quanto àquela estátua podemos dissipá-las através da leitura da seguinte passagem de sua autoria “…para o diferenciar do outro (padrão) que está colocado antes do topo sul da muralha (aqui levanta-se os restos de uma estátua que damos em gravura, mas cuja representação ignoramos) o qual …”. A foto que apresentamos é precisamente essa que ele nos deu a conhecer.

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E como tudo isto foi a propósito do São Cristóvão, vamos terminar com as palavras de Vieira Guimarães sobre a estátua que estaria, em tempo idos, na ponte D. Manuel I:“ Sem dúvida que no tempo em que isto se escrevia – referia-se a uma descrição sobre a ponte D. Manuel I -, principio do séc. XVIII, não existia neste sítio e no mesmo lado, um corpulento S. Cristóvão, o advogado das pontes, cuja estátua não chegámos a conhecer – conhecia a outra sem dúvida - mas que pessoas ainda hoje vivas em Thomar se lembram dela e duma crendice que lhe andava ligada: o pó raspado das suas pernas servia, depois de tomado, para a cura das maleitas ou para abrir o apetite. Naturalmente tanto rasparam que algum pé-de-vento o deitou abaixo e provavelmente para o lado do rio, estando no fundo do pego que é ainda dos nossos dias e que camadas sucessivas têm vindo a entulhar. No reinado de D. João V a estrada a que esta ponte dava passagem, foi concertada e as suas pontes restauradas, o que nos leva a crer este S. Cristóvão viesse dessa ocasião pelo que também nos é testemunhado por aquelas pessoas. A sua figura, já lendariamente conhecida, opulenta de formas e a sua flutuante roupagem muito nos faria lembrar as celebres estátuas do grande escultor e arquitecto Bernini que no século anterior, em Roma, tinha prodigalizado o seu infatigável talento em obras admiráveis, como a Santa Teresa…”

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Santa Teresa de Bernini

Portanto, podemos então concluir que no passado, a estátua que se encontra hoje no Claustro da Lavagem, não era tida como sendo a de São Cristóvão que outrora teria estado na Ponte Velha, visto qualquer um deles – Vieira, J. M. Sousa e Pinho Leal – terem conhecido essa estátua junto à Ponte das Ferrarias. Contudo, pode pensar-se que a estátua de São Cristóvão teria sido deslocada em época anterior, para esta sua nova localização, no entanto, parece-nos pouco credível que assim fosse até porque Vieira Guimarães terá tido contacto com Tomarenses que ainda a recordavam. Sendo assim, e caso a estátua fosse a mesma, teria decerto sido esta, da muralha Sebástica, identificada como tal.

De facto, a estátua apresenta dois aspectos que, curiosamente, podem inspirar-nos a pensar tratar-se de São Cristóvão; são eles, os pés inacabados - que podem levar a pensar ter sido intencional na perspectiva de o representar como tendo os pés dentro de água - e a “mutilação” no ombro - que poderia ser o apoio ou sustento de uma outra parte, justamente o menino Jesus. Todavia, os factos apresentados ao longo deste ensaio e as vestes atípicas – de Romano e não de S. Cristóvão Latino – talvez nos levem a concluir que o São Cristóvão se perdeu para sempre não tendo deixado rasto. Quem sabe se não estará à espera de ser descoberto por debaixo das areias do rio Nabão, a fazer fé no que nos conta Vieira Guimarães.

“Quase que sinto a presença da estátua aqui no seu local original. Isto é lindo. Sou da opinião que não devíamos publicar foto para não perturbar o “Génio” do Local”.  Assim seja.                                                   Voltron

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Os Cinco


ADENDA
São diversas as informações que excluímos mas incluí-se, em nota de rodapé, alguma dessa informação considerada de interesse para quem queira estudar com maior profundidade o tema:

- A Ponte das Ferrarias pode ter sido conhecida como “Dorso de Burro”, alem de “Olarias” como já referido, depreendo-se essa designação em virtude da sua forma. Decerto teria dois arcos de grande flecha e um (ou dois) pequenos arcos, como podem ter verificado nas fotos apresentadas.

- Num Auto de Diligência de 1530 que procura apurar a navegabilidade do Rio de Tomar, encontramos referências à ponte, sem contudo ser referida a estátua. Podemos nesse documento constatar que, já naquele tempo, a ponte estava em ruínas, visto não selhe dirigirem como ponte mas sim como açude. (podemos fornecer o documento integral por e-mail).

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Um agradecimento especial à Amarna pela revisão final do texto e a quem de uma forma ou outra nos esclareceram algumas dúvidas.

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CET – Círculo “Cristóvão Em Tomar”
C:Voltron,
E: Degraconis, Leon, Cluny

5/24/2010

CETHOMAR – CÍRCULO DE ESTUDOS DE THOMAR

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CETHOMAR – CÍRCULO DE ESTUDOS DE THOMAR
MANIFESTO DE UMA IDEIA

Thomar tem sido fonte de inspiração para todos os que têm participado nos eventos trimestrais ou que tem acompanhado os trabalhos que vêm sendo publicados no blog. Desta feita, chegou a hora de dar corpo ao manifesto que alguns participantes têm vindo a reclamar: Ora et Labora.
Surge assim a ideia de criar um núcleo de estudos que designaremos por CETHOMAR – Círculo de Estudos de Thomar, no seio do qual pretendemos incentivar o desenvolvimento de trabalhos relacionados com toda a temática Templária e patrimonial que com ela se relacione de alguma forma, a qual é sobejamente conhecida como bastante diversa.
No actual grupo, se assim o pudermos designar, os participantes são oriundos das mais diversas mas convergentes formações, podendo assim contribuir para a realização da grande obra que se pretendeu com a criação do blog dos Cavaleiros Guardiães de Santa Maria do Olival. Proteger, promover, valorizar e estudar é a causa que deve unir todos os que têm participado nos eventos.
O CETHOMAR tem como objectivo a criação de Círculos de Estudo no seio dos quais, irão criar-se condições privilegiadas para o desenvolvimento de actividades específicas. Qualquer pessoa, participantes nos eventos ou não, poderá ingressar nesses círculos bastando simplesmente que demonstre vontade de colaborar, ou até simplesmente propor a criação de outros.
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Algumas das Estruturas de Apoio 

BIBLIOTECA VIRTUAL
Um vasto acervo de obras digitalizadas que irá ser um potente instrumento de pesquisa para todos os que queiram desenvolver trabalhos sobre as temáticas em questão. Entre as várias centenas de obras digitalizadas encontram-se obras fundamentais, como seja os Anais da UAMOC (digitalizados por artigos), Anais do Município de Tomar (digitalizado por anos), Tratado das Significações das Plantas (pdf), A Ordem de Cristo de Vieira de Guimarães (digitalizado) e mais um conjunto de obras incontornáveis. Trata-se pois de uma biblioteca especializada para a qual já se desenvolveu uma aplicação informática à medida.
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ASPECTOS DESCONHECIDOS DA CHAROLA

Autoria: Voltron
Introdução: Degraconis

Qualquer post publicado no blog pretende ser um registo aberto para a posteridade, uma história sem fim, e para o qual esperamos sempre novos desenvolvimentos. Assim foi com post “São Cristóvão – Uma história com pés e cabeça”, publicado ainda há pouco tempo.

Tendo tal tema, chamado a atenção do Voltron, que se devotou ao estudo do tema abordado, pasme-se, eis que se descobre algo mais. Algo de que, eu próprio, nunca tinha ouvido falar; não obstante, o facto de não ser de meu conhecimento e de não se encontrar publicado, não implica necessariamente, ser desconhecido.

Contudo, infelizmente, as poucas publicações que vêm a luz do dia não permitem que os investigadores possam partir de alicerces já traçados; pelo contrário, obriga-os a partir do ponto zero. Desta perspectiva não podemos então deixar de fazer o registo da descoberta para que outros a possam apreciar e vaticinar sobre a sua importância.

Esperávamos este sábado publicar o post elaborado pelo Voltron com uma introdução minha, mas devido a constantes desenvolvimentos nesta pesquisa, somos obrigados a adiar a sua divulgação, para que não se deixe de dar conhecimento integral do que se tem vindo a descobrir.

Irá este post abordar novamente São Cristóvão, em seus aspectos desconhecidos – isto num contexto Tomarense – e divulgar uma nova teoria relacionada com a origem do nome de Tomar e muito mais. Será apresentado num novo formato, inovador e original.
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4/20/2010

LÁPIDE DE GUALDIM PAIS

O desenterrar do passado
Autoria: Semrosto
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...a campa e respectivo epitáfio...

No seguimento do anterior post, onde se aborda a descoberta da lápide de D. Gualdim Pais, e a pedido do Degraconis, recolhi a informação que venho agora disponibilizar-vos através de um post, o meu primeiro sozinho por sinal. Andava a preparar-me para um outro post sobre uma insólita imagem de Tomar com que deparei-me mas o destino obrigou a minha participação começar pelo Gualdim Pais.

No jornal regional A Verdade de 1895 – ano com múltiplos acontecimentos de bastante interesse – e no mesmo dia em que é dada à estampa a carta de Vieira Guimarães que apela para que se edifique um monumento em memória do fundador da cidade, surge na última página uma notícia de última hora: Descoberta da Lápide de Gualdim Pais.

Remete esse pequeno artigo de última hora para a edição seguinte, na qual então iriam dar conhecimento da importante descoberta. É esta a notícia que publico na integra com muito agrado e que espero que seja legível visto não estarmos com tempo para a colocar em texto. Porém esperamos nos próximos tempos transcrever o texto para uma forma de mais fácil leitura. Caso alguém o faça entretanto agradecemos que nos envie para publicação imediata, e para esse efeito podemos mesmo mandar o jornal.

Antes de deixar-vos na paz do senhor para lerem a notícia, sublinho que a lápide não foi a única descoberta desse mês, e poderão dar conta de uma outra que se encontra no fim do texto e para a qual o Degraconis alerta visto a lápide ser já bem conhecida e a outra ser apenas do conhecimento de alguns. Encontra-se no pórtico e infelizmente não temos foto que permita ver nitidamente o que irá ser descrito. Sabem porque foi descoberta a lápide? Temos resposta mas que não está no texto.
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(ver este texto no tópico)

Deixaremos no entanto aqui uma foto relativa à segunda descoberta que é descrita na parte final do texto. Diz-nos Vieira Guimarães que a data inscrita pode eventualmente ser coeva do tempo em que Gualdim Pais ainda era vivo. Esta incrição tem sido esquecida por todos e vista por poucos, apesar de estar à frente de toda a gente que visita a igreja.

"Na porta principal em duas pedras vêem-se algumas letras, indicando que grande inscrição alli tivesse existido. Do que resta mais nitido só ha a palavra Era e mais 2XIII que parece indicar o ano da fundação daquele templo. (...) somos levados a crer que será a de 1213, nos quais tirando os 38 anos de avanço da Era de César teremos o ano 1175, ano em que o Gualdim ainda era vivo."

No meu próximo post, ainda antes da publicação da insólita foto de Tomar antigo, irei tentar transcrever a carta do Vieira Guimarães que culminou na edificação da estátua que tentei proteger com o Voltron à duas semana.

COMENTARIOS NO TÓPICO "DO TEMPLO DE SANTA MARIA" DO FORUM

(pag 7)

4/13/2010

MENTIRA TEMPLÁRIA

Uma Páscoa atribulada (História Verídica)
Co-autoria: Voltron, SemRosto e Degraconis
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Não resisto a narrar um episódio caricato que teve acontecimento na semana transacta e que envolve alguns dos assíduos Cavaleiros Guardiões de Santa Maria do Olival. Comecemos então pelo início.

Nas minhas incursões pela Serra de Sintra no âmbito de um post em elaboração sobre Sintra Templária e o mistério dos míticos túneis deste Éden terreal, tive um percalço na minha robusta saúde. Precisamente após, ter passado mais uma tarde na companhia dos estranhos Deuses que habitam todo aquele promontório lunar, por ventura a da Páscoa.

O Guardião do Parque da Pena e um dos túneis que não é simplesmente uma mina de água

É certo que não era dia de crucificação – tinha-o sido a sexta feira - mas era dia de Ressurreição. A minha só se deu três dias após ter estado ausente do mundo dos mortais e completamente incontactável – o que gerou alguma agitação entre participantes do blog.

Erguido das ruínas como um homem novo sou de imediato contactado por um dos Guardiões mais activos destes últimos tempos. Agitado, transtornado e revoltado deu-me notícias que ia-me colocando mais uns quantos dias na horizontal.

“Querem retirar o Mestre Gualdim da praça da República para novo local. Foi aprovado pela edilidade camarária com excepção dos independentes”
“Tás-te a passar? – retorqui eu”
“Não meu. Querem-no levar para a rotunda nova. Os tipos devem-se andar a picar.”
“Achas? Com quê”
“Com insanidade, só pode”
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Estátua de Gualdim Pais na antiga Praça D. Manuel
e anteriormente D. João. Hoje Praça da República.

O apelo a uma nova Cruzada imponha-se. Não iríamos ficar de braços cruzados. Ainda naquela noite – debilitado – iria escrever uma denúncia pública para enviar para os meios de comunicação e demais. No dia seguinte iríamos entrar em contacto com os partidos que votaram desfavoravelmente. Os Cavaleiros activos em Tomar por sua vez também já tinham um plano secreto.

Ainda nessa mesma noite após contactos para Tomar tive conhecimento de que devia tratar-se apenas de uma brincadeira – a notícia vinha no jornal O Templário do dia 01 de Abril.

A hora ia avançada e não voltei a contactar os nossos amigos de Tomar. Calculei que no dia seguinte, senão mesmo na própria noite, iriam ler no fórum de que se tratava de uma mentira de muito mau gosto mas com muita piada.

Logo após a estrela matutina ter desaparecido do horizonte é a câmara invadida por dois indivíduos – quem seriam? – que apressadamente e atabalhoadamente na passada, se lançam aos funcionários de primeira linha da Câmara de Tomar.

A confusão estava montada. Os funcionários não sabiam explicar em concreto o que se passava. De gabinete em gabinete acabam por falar com alguém que tinha estado na última reunião camarária e que não se lembrava do assunto ter sido discutido.

Os Cavaleiros são então informados timidamente por transeunte que por ali estava. Era a partida do dia das mentiras!!! - informou. Contudo o assunto era sério. Os dois homens misteriosos que escusaram-se a puxar das divisas, não podiam arriscar sair da fortaleza camarária agora que já tinham assentado arraiais. Tudo teria que ser devidamente esclarecido sob pena de terem que brandir as espadas que escondiam secretamente debaixo das suas vestimentas negras e nas quais se conseguia vagamente perceber uma estranha cruz vermelha que não se mostrava por completo por debaixo daquelas estranhas vestes.

Para pacificar e acalmar os ânimos teve-se que ligar para o Jornal – afinal de contas por ali ninguém estava a perceber o episódio - o qual tinha publicado a notícia, pelo que devia este então a assumir ser uma partida do dia das mentiras.


Tudo esclarecido. A história teria acabado em bem mas… saiu ontem no jornal O Templário a seguintes notícia “Principal rotunda de Tomar vai entrar em obras”


Rotunda da Fonte Cibernética também conhecida como rotunda nova

E esta hein! Ainda existirá quem acredite…

A ESTÁTUA DE D. GUALDIM PAIS
Breves apontamentos


Jornal A Verdade - Ano de 1895 - Um agradecimento especial
aos familiares do Semrosto que facultaram o jornal

O ilustre Dr. José Vieira Guimarães – um dos autores mais profícuos sobre a história de Tomar – em 24 de Março de 1895, ainda estudante, alvitrou no jornal A Verdade que se lhe erigisse um monumento, visto estarem próximas as comemorações do VII centenário de Gualdim Pais.

Arco na Corredoura - Comemorações do ano de 1895

Curiosamente, logo após a ideia de Vieira Guimarães foi descoberta na Igreja de Santa Maria dos Olivais – 21 de Abril – a lápide funerária de Gualdim Pais, tendo sido o próprio e o Pintor Manuel Henriques Pinto, director da Jacome Ratton os autores desse desenterrar do passado e que hoje se encontra na parede da segunda capela da igreja.

Lápide de Gualdim Pais

Constituída a comissão de festas para as comemorações de 13 de Outubro – VII centenário – a câmara aprova a quantia de 100 escudos para erigir o tal monumento. Às dez horas de dia 13 de Outubro é então lançada a primeira pedra para o monumento que se havia de erigir à memória do fundador da cidade.

Infelizmente devido a várias vicissitudes só em 1938 são cumpridas as resoluções do VII Centenário de Gualdim Pais, no entanto pelo que percebemos só foi a estátua inaugurada no dia 9 de Julho de 1940, não obstante ser a primeira data, a gravada com as outras duas importantes datas da cidade.

A Praça com estátua e sem estátua - Na foto pequena podem v
er que a igreja tem algo diferente de hoje em dia

A estátua de autoria do escultor Portalegrense Macário Dias apresenta Gualdim Pais em atitude pacífica, de espada embainhada – aqui esconde-se um segredo que qualquer Tomarense conhece – e com o pergaminho do foral numa mão, em atitude de quem vai entregar à Câmara a Vila.


Infelizmente o grande entusiasta da ideia e promotor dos festejos de 1895, já não se encontrava presente, tendo-o Deus chamado pouco tempo antes.

Nota de rodapé: Segundo nos consta esteve a estátua ainda em outro local antes de se fixar no actual.

3/19/2010

O SONHO DE UMA COISA: THOMAR

CRÓNICA DO EVENTO
NOTÍCIA NO JORNAL "O TEMPLÁRIO"
DIA 18 DE MARÇO 2010

(carregar na imagem para ler)

A cidade de Tomar comemora este mês de Março os 850 anos da fundação do Castelo dos Templários, conforme inscrição lapidar na torre de menagem que invoca o dia 1 de Março de 1160 como data de início da construção. Como não poderia deixar de ser, o Blog Cavaleiros Guardiões de Santa Maria do Olival (http://blog.thomar.org), também se associa às festividades promovendo mais um encontro entre os participantes do blog e demais interessados, tendo escolhido este fim de semana em virtude de corresponder ao dia 1 de Março do anterior calendário Juliano usado na época medieval. Com efeito, que local poderia ser mais privilegiado para servir de palco a mais um encontro do que o Castelo?
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Muitos são os que já tiveram a oportunidade de contemplar a Janela do Capítulo no Convento de Cristo, mas tantos não serão os que possam invocar tê-la visto com o contorno preto de um céu cheio de estrelas. Assim foi este evento.

Recebidos pelo Frei Expedito – o fantástico João Patrício - monge conventual que reside naquele espaço monacal desde tempos imemoriais, foi o grupo sujeito aos dardos do Cúpido que se esconde na aduela superior que fecha o arco do pórtico principal. Iniciados então na “doutrina do Amor” começou a vista guiada pela amabilíssima Maria da Luz, que levou o grupo por uma viagem nocturna pela história de Tomar. História essa, que se confunde com a própria história de Portugal, senão mesmo com a do mundo, não tivesse sido aquele local, berço do “sonho de uma coisa”: os Descobrimentos.
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A luz era parca mas suficiente para iluminar o caminho daqueles que marcaram presença neste encontro com o passado, da qual emergiram para espanto de todos, estadista e figuras a quem indubitavelmente se deve parte da história de Tomar. João de Castilho vagueava pelos dormitórios do Convento quando se encontra com o grupo, e após contar a sua história de forma eloquente reúne o grupo numa das salas com o próprio Gualdim Pais, fundador do Castelo Templário. Sem dúvida que se tratava de uma teatralização, mas a julgar pelas expressões dos participantes diríamos que tínhamos recuado até ao século XII. De figura herculeana e modos rudes – quantos não se assustaram com a sua voz altiva – desvendou-nos o quanto ardil teve que ser nas suas aventuras e desventuras contra os sarracenos. E como nestas coisas dos Templários e das Cruzadas há que sentir o que era ser cavaleiro, Gualdim Pais investiu as crianças participantes com a espada que serve para combater o fanatismo e a ignorância. Coragem e Honra foram os valores que transmitiu aqueles que virão a ser os protectores do património quando se tornarem homens. Um dos momentos altos da noite para todos nós e principalmente para os pequenos.
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Longa já ia a viagem quando soou a hora de recolher junto ao Claustro dos Corvos para se iniciar o banquete anunciado. Após o brandir da espada de Gualdim Pais chegou a vez dos garfos e das facas. Arroz Conventual e Fatias de Tomar adornaram o espírito Templário que inevitavelmente se entranha mas não se estranha em tão sublime lugar, uma espécie de preparação para o momento tão desejado da noite, as apresentações por parte dos especiais convidados para o evento.

João Fiandeiro da APTC Associação Portuguesa de Turismo Cultural – afinal de conta era de turismo cultural que se tratava este evento – o Prof. Doutor Fernando Larcher, presidente do GACC – Grupo de Amigos do Convento de Cristo – também o grupo é de certa forma “amigo” deste monumento – a sua esposa Prof. Doutora Madalena Larcher que iria apresentar um inédito da Ordem de Cristo, o Mestre Rui Gonçalves, também do IPT – Instituto Politécnico de Tomar – e por fim mas não menos desconsiderados, o Luís de Matos e Sérgio Veloso, o primeiro para fazer uma Resenha Histórica das Ressurreições Templárias dos últimos séculos e o segundo para dar a conhecer uma banda desenhada sobre a biografia de Gualdim Pais que se espera publicada no decorrer deste ano.

Diversas são as lendas que rodeiam inúmeros factos relativos a Tomar, dos quais o mais sobejamente conhecido é a ideia de que existiria – ou existe – um túnel que ligaria a Igreja de Santa Maria do Olival ao Castelo Templário. Dá-nos conta dessa lenda oral que corre por tradição entre o povo, os ilustres, J.M.Sousa no livro “Noticia Descriptiva e Histórica da cidade de Thomar” de 1903 e Amorim Rosa no livro “História de Tomar” de 1965, por exemplo. De certo trata-se de uma efabulação criada a partir das histórias recambulescas dos mistérios Templários, mas não deixa de fazer parte do “sonho de uma coisa”: Thomar.

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Muitos dos participantes partilham da mítica que rodeia a figura dos Templários mas não se coadunam com fantasias que se olvidem de tentar comprovar a verdade que se possa esconder por detrás dessas suposições. Imbuídos desse espírito científico tiveram então a honra de contar com o Mestre Rui Gonçalves para divulgar os resultados das primeiras Investigações Georadar na Igreja de Santa Maria dos Olivais e com o Prof. Larcher para nos enquadrar historicamente perante os resultados e abordar a história de Tomar. Apesar de serem ainda as primeiras investigações com esse aparelho, a requerer ainda mais intervenções e estudos, pode-se quase concluir que existem ainda vestígios soterrados de anteriores edificações, fundações essas que corresponderiam à igreja ou convento Beneditino do século VIII que as crónicas dão notícias, motivo pelo qual Gualdim Pais teria escolhido aquele lugar para erigir um templo dedicado à Nossa Senhora de Anunciação e que serviu de Bailia, Convento e Panteão aos mestres da Ordem Templária.

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Segundo os mesmos, não se verificou a existência de qualquer cripta ou túnel, mas nem por isso o sonho morreu, tão somente deu a conhecer – possivelmente – os restos mortais dos mestres do passado. Apesar de conhecida a localização onde D. João III e Frei António de Lisboa teriam depositado os ditos ossários no século XVI, outrora em Mausoléus, não se podia no entanto, com certezas, saber se ali estariam ou mesmo de que forma. Apontou o goeradar a existência de umas “caixas”, não obstante carecer de confirmação, que possivelmente serão cofres onde se lhes deu o descanso eterno.

Serão estes resultados, após estudos mais detalhados e minuciosos, alvo de publicação segundo indicação dos promotores dessa investigação, que alias não procuravam através dessa prospecção concluir pela existência ou não de criptas ou subterrâneos, tão só comprovar o que os documentos do Arquivo da Torre do Tombo relatavam quanto ao original templo de monges “negrados”.

A hora avançada, e com muita pena, não permitiu que se realizassem as restantes apresentações, mas nem por isso sentiu o grupo que a “cruzada” não tivesse comprida. Sentiram os participantes muita honra em ter contado com a presença de pessoas de grande credibilidade nestes assuntos históricos e muito honrado ficou também com a presença da Dra. Iria Caetano – directora do Convento de Cristo – que na qualidade de zeladora desse monumento presenteou-nos com uma visita para conhecer então quem eram os Cavaleiros Guardiões que trimestralmente fazem uma incursão pelo concelho.


Para terminar esta história só nos resta glosar uma das frases da intervenção do Prof. Doutor Larcher que diz algo semelhante a isto: “muitos podem procurar o tesouro templário e pensá-lo como algo material ou escondido, mas o verdadeiro tesouro da Ordem do Templo ou da Ordem de Cristo, como sucedânea da primeira, está à vista de todos. É o património legado à humanidade e a sua grandiosa história”.



Foi neste tesouro que passámos a noite em prol da salvaguarda, protecção e promoção da cidade de Tomar. Divulgar e viver os monumentos e a sua história é garantir que os pequenos "iniciados" pela espada de Gualdim Pais os poderão dar a conhecer aos seus netos…. Que a memória deste evento seja digna dos poemas com que o João Patrício nos deleitou durante a noite no seio da poesia que João Castilho lavrou em Pedra.

(Texto dedicado a Maria da Luz, João Patrício e Isabel Nogueira)

ENTREVISTA
NO JORNAL "O TEMPLÁRIO"
DIA 18 DE MARÇO 2010

De onde nasce a ideia do Blog dos Cavaleiros Guardiões?

Acho que essa resposta deveria ser dada pelos seus fundadores, não obstante terem contado com a minha acerradíssima participação desde os primórdios do Blog. Talvez este facto legitime-me a responder-lhe que tudo parte da ideia de criar um veículo que permitisse dar a conhecer a história de Tomar e os seus mistérios. Não existe em Tomar nenhum outro blog que tenha tanto enfoque nos intrigantes factos que rodeiam esta cidade Templária. Inevitavelmente, e visto um dos seus fundadores ser das áreas do restauro e conservação, foi o blog o meio usado para fazer denuncias sobre atentados ao património. Hoje mantêm a mesma filosofia e procura através da divulgação do património Nabantino protegê-lo das negligências de algumas entidades para com este.

E o Tesouro Templário?

Estamos aqui na Igreja de Santa Maria, pelo que posso revelar-lhe que o Tesouro Templário esconde-se aqui mesmo. Aqui, mas também ali no cimo daquela colina. Se no entanto fechar os olhos e pensar na história dos Templários também lhe poderei dizer que esse Tesouro está em si. Não me leve a mal mas o que quero dizer é que apesar de existir muita gente ávida de encontrar esse tesouro escondido algures numa comenda ou num castelo, na verdade maior tesouro não poderá ser do que os feitos da Ordem. A sua história, o seu património e também a mítica que tem preenchido o sonho de muitos dos que aqui vem.

Os responsáveis do blog hoje não são por inteiro os fundadores. A determinada altura o Ricardo Azul retirou-se. Tem alguma coisa a dizer disso?

A minha entrada é posterior à sua saída e tardia em relação a esse momento. Posso no entanto adiantar que não se tratou de nenhuma querela entre os responsáveis na altura, tão só a indisponibilidade do Ricardo para continuar o árduo trabalho que vinha desenvolvendo em redor do Blog, não obstante nem sempre as opiniões entre eles convergirem. Podemos dizer que essencialmente foram motivos profissionais que estiveram envolvidos. Hoje é um jovem com o seu próprio negócio. Saliento no entanto que foi incansável no trabalho que desenvolveu, foram dezenas e dezenas de postes colocados no blog no seu tempo. Os postes de Santa Iria são um exemplo disso.

Que futuro para o Blog e para o grupo que hoje reúne à sua volta?

Antes de mais quero inscrever nesta entrevista algo que nos entristece a todos: A representação ou participação de Tomarenses nestes eventos e no próprio blog é escassa. Não sei se será de estranhar mas é um facto que não conseguimos explicar. Quanto ao futuro não o consigo prever. Adivinho que o crescimento que tem sido exponencial de evento para evento em termos de participação poderá vir a trazer alguns condicionamentos quanto à organização dos encontros. Como poderemos levar cem pessoas a visitar a torre de menagem? Como poderemos instalar cem pessoas na Quinta da Anunciada Velha? Desta vez tivemos mesmo que ocupar mais do que uma residencial. Entende? Designamo-nos muitas vezes como grupo, o que deve dar ideia de uma hierarquia ou organização, mas em boa verdade somos um grupo bastante informal, e por ventura bastante jovem. Tocam as trombetas para reunir em Tomar para um evento e lá se encontram todos em Tomar. É engraçado. Tal é a força que atrai tanta gente. Julgo que o nosso papel será o de continuar a divulgar o património de Tomar, assim como denunciar através do blog, do jornal ou através de carta às entidades competentes, eventuais problemas ou atentados ao que hoje se pode considerar o tesouro templário que se encontra à vista de todos. Todavia talvez exista umas ideias para o futuro mas será precoce falar delas por agora.

Que papel pensa ter no seio do Blog visto ser o que tem mais visibilidade?

Simplesmente sou um dos elementos organizadores destas coisas. O que anda de picareta na mão e cabeça na Charola.
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2/24/2010

COMEMORAÇÃO DOS 850 ANOS

A Sociedade Geográfica de Lisboa, a Câmara Municipal de Tomar e o Grupo de Amigos do Convento de Cristo irá realizar no dia 1 de Março de 2010 em Lisboa uma sessão solene para a comemoração dos 850 anos do castelo dos Templários em Tomar (1160 - 2010).



A sessão iniciará às 16hs. Mais informações no site: http://www.socgeografialisboa.pt/ ou no forum tópico de Notícias, Eventos e Divulgação, página 10, onde podem ver em detalhe o programa.
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Há poucas cidades no mundo que se possam orgulhar de saber a data exacta do seu nascimento – Tomar é uma delas. As comemorações vão ter um ponto alto na próxima segunda-feira, onde irá se render uma homenagem a D. Gualdim Pais na igreja de Santa Maria dos Olivais, seguida de recriação da Iniciação de um Templário, entre outras actividades, e prolongam-se até Maio de 2011.
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SSSSSSSSssssSSSSSSSPROGRAMA DETALHADO