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9/23/2010

TEMPLO & TEMPLARISMOS

13º ENCONTRO DO BLOG - SEMINÁRIO
Orante e Guia convidado: Manuel J. Gandra

Apresentação do Seminário

Raros foram os dramas humanos que, tal como aquele protagonizado pela Ordem do Templo, suscitaram paixões tão díspares, contraditórias e persistentes.

A copiosa bibliografia, antiga e moderna, disponível, apesar de nem sempre imaculada, constitui indício seguro da perenidade se não do ideário templário, pelo menos da inquietação que enigmas nunca cabalmente esclarecidos, como o do seu lendário tesouro ou do misterioso ídolo que alegadamente adoravam, tem persistido em alimentar.

A possibilidade da sobrevivência da Ordem após a sua suspensão canónica, em 1308, também não é questão despicienda. A avaliar pela profusão de sociedades, umas discretas, outras secretas, que se reivindicam como legitimas herdeiras do Templo, essa parece ter-se tornado, pelo menos desde o século XVIII, pretexto bastante para a reinvenção de inauditos ritos iniciáticos, creditados, de forma quase sempre anacrónica, aos templários.

Tais constatações são verídicas também para Portugal.

Porém, o público não dispondo aqui de alternativas credíveis (uma vez que são raros os investigadores independentes e os académicos que não fogem do assunto, como se diz que o diabo foge da cruz), é compelido a consumir produtos importados, invariavelmente de qualidade duvidosa. Acresce a tudo isto a desvantagem adicional de, geralmente, esses produtos ignorarem, omitirem ou subvalorizarem o papel da Ordem de Cristo, autêntica sucessora e herdeira do Templo, cuja práxis e projecto adoptou, nacionalizando-os.

A negligência e a deserção por parte dos especialistas nacionais tem, por outro lado, facilitado a adopção, bem como a implantação de um elevado número de elucubrações fantasiosas e infundadas, produzidas ora por franco-atiradores, ora por dignatários ou simples filiados em associações neotemplárias portuguesas ou transnacionais.

De facto, salvo algumas monografias e contributos pontuais com direito a destaque, as Ordens do Templo e de Cristo não conheceram ainda quem, numa perspectiva global, sistemática, sustentada (quer tradicional, quer documentalmente) e lusíada se aventurasse a resgatar a sua história, projecto, praxis e património.

A utilidade do empreendimento chegou a merecer, convém recordá-lo, o reconhecimento de autoridades como Pedro A. de Azevedo ou Jaime Cortesão, o qual sublinharia ainda a necessidade de conduzir tal estudo ponderando o quanto do tesouro templário (espiritual, mas também material) terá sido investido na preparação e concretização da expansão marítima, bem como na consolidação do Império português.

Aquilo que se propoê é um fim de semana de reflexão desinibida sobre a herança templária, consoante o seguinte alinhamento:

TEMAS

Ordem do Templo - as origens; ordenação canónica e jurídica (Regra e Estatutos); história institucional; segredos e enigmas;

Templarismos - posteridade legítima (Ordem de Cristo = Ordem Templária de Portugal); usurpações e usurpadores (da tradição maçónica à Nova Era);

Tomar à luz do paradigma hierosolimitano - cartografia do lugar santo, como pólo ontofânico e ontogénico;

Visita à cidade, ao Convento de Cristo e ao Castelo de Almourol.

Documentos a distribuir para análise e reflexão: Regra, Bula de instituição da Ordem de Cristo, Cartulários do Processo contra os Templários, Livros de Cavalaria nacionais, Lusitânia Transformada, etc.

PROGRAMA

SÁB 23/10
10.30 Ponto de Encontro Praça da República
Roteiro Centro Histórico: igreja S. João Baptista, Sinagoga, Moinhos de El-Rei, igreja St Maria do Olival
Almoço na Estalagem de Santa Iria no Mouchão
14.30 Sessão de estudo e reflexão: Ordem do Templo e Templarismos (ver programa detalhado)
Porto de Honra no Posto de Turismo
20:30 Jantar Convento de Cristo, seguido de Tertúlia.

DOM 24/10
10.30 Visita Guiada ao Convento de Cristo
Almoço
15.00 Percurso de Tancos até Almourol (em barco da junta de freguesia reservado para o efeito), seguida de visita guiada ao castelo.

INFORMAÇÕES | INSCRIÇÕES
POSTO DE TURISMO DE TOMAR
ou

9/08/2010

AVE DE SÃO CRISTÓVÃO

Uma Ave Oculta
Autoria: CETHOMAR Círculo SC
(Degraconis e Voltron)


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A pintura mural da Lenda de São Cristóvão na Charola

Nove e sete da noite. O encontro estava combinado junto à estátua de Gualdim Pais. Mesa reservada no restaurante “o Tabuleiro”. A conversa iria ser anotada, memorizada e gravada. Personagens: Degraconis e Voltron.

DG: Então como conseguiste ver a Ave na pintura mural do São Cristóvão? Nunca ninguém me referiu a sua existência. São escassos, senão raros, os escritos sobre essa pintura.

VR: Para dizer a verdade, foi a ave que me descobriu! Senti algo a observar-me na pintura! Olhei, e entre as folhas verdes da árvore, existia uma presença estranha. Era ela… que fazia ali aquela ave? Misteriosa e talvez de grande importância… quem sabe?

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A Ave dissimulada nos troncos da árvore

DG: Misteriosa e oculta! Das centenas de imagens que analisei antes de escrever um dos anteriores posts, nenhuma inclui uma ave na árvore, pelo menos como esta, sozinha. Algumas pinturas incluem-nas, mas julgo serem meramente decorativas ou parte integrante da paisagem em que o pintor enquadrou esse episódio da vida de S. Cristóvão. Esta é diferente. Apesar de oculta tem bastante destaque a partir do momento em que damos conta dela. Na lenda também não consegui encontrar referência explícita à existência de uma ave.
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Pinturas da Lenda de São Cristóvão

VR: Além da ave, se observares bem, de todas essas imagens que recolheste e me deste a ver, conseguirás perceber a presença repetida de um homem com uma candeia na mão! Na pintura mural da Charola também esse homem está presente! É um elemento característico das pinturas de São Cristóvão! Mas se reparares bem na pintura, vais verificar que ele está mesmo em frente do pássaro… até está a olhar para ele! Mas o mais interessante é o que ele segura na mão! Aquilo poderá ser, segundo as minhas conclusões, uma gaiola!

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A suposta candeia que entendemos talvez ser uma espécie de gaiola

DG: Uma gaiola? De facto essa candeia também é uma presença constante na generalidade das pinturas conhecidas. Inicialmente tive algumas dúvidas sobre esse objecto que o “ermita” segura na mão, mas da comparação entre as diversas imagens que pude analisar, concluí, sem qualquer dúvida, que se tratava de uma candeia. O que me permite afirmar com segurança essa conclusão, é o facto de em algumas pinturas essa suposta candeia ser mesmo representada como um facho de luz. Possivelmente a Luz de Cristo, se pensarmos que foi precisamente essa personagem que deu a conhecer Cristo a S. Cristóvão.
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O ermita em diversas pinturas nitidamente com uma candeia na mão
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O ermita com um facho de luz na mão

VR: Pois, mas neste caso…

DG: Podemos então pensar que estamos perante mais uma pintura Portuguesa que, quanto a esta lenda, apresenta alguns aspectos sui generis em relação à pintura europeia. Mas achas mesmo que não se trata de uma candeia e sim de uma gaiola?

VR: Aquilo não é uma candeia! Não existe nenhuma cor que evidencie uma iluminação, e para além disso tem uma espécie de porta pequena aberta na direcção do pássaro!

DG: De facto o seu interior parece ser de um forte negrume. De luz parece nada ter.
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Detalhe

VR: Exacto. Chegas à mesma ideia a que eu cheguei.

DG: Voltando à ave. De que pássaro se poderá tratar?

VR: Já estive a pensar muito nesse assunto! Estudei aquela ave e cheguei a algumas conclusões! O tamanho da ave, o bico e o pescoço comprido são algumas das características que analisei na pintura. Características tais, que quase me fizeram acreditar tratar-se de um abutre, especialmente da espécie grifo. Mas já coloquei de parte essa possibilidade. Outra possível hipótese é ser uma andorinha. Para dizer a verdade, já nem sei se aquilo representa uma ave real ou apenas uma ideia!

DG: Não seria de estranhar ser apenas a ideia de uma ave e não se tratar de uma espécie de ave em concreto. Contudo até sou capaz também de reconhecer uma andorinha como bem disseste.

VR: Então que simbolismo podemos encontrar numa andorinha que nos possa reforçar a ideia?

DG: Possivelmente não será uma andorinha e talvez nunca venhamos a saber o que pretendeu o pintor ali representar. Todavia, só por si já lhe podemos apontar um simbolismo evidente, ou seja, aquele que é usual atribuir às aves.

VR: O qual deve ser alto visto conseguirem voar próximo do céu…

DG: …e longe da terra. Sim, isso levou a que os autores dos bestiários aproveitassem a natureza desses animais para extrair ensinamentos moralizantes elevados.

VR: Então e sobre a andorinha em particular?

DG: Antes de mais, temos sempre que pensar em que tradição se vai interpretar o objecto visto poder diferir bastante de cultura para cultura. Não temos dúvidas que neste caso, estamos perante a tradição cristã, contudo, teremos de pensar se a sua representação é anterior ao Concílio de Trento ou não. Ou seja, sem esta contextualização simples, arriscam-nos a nem chegar próximo do que a imagem pretendia transmitir aos iletrados que a viam.

VR: De facto…

DG: A andorinha, pelo facto de ser uma ave migratória, tornou-se um símbolo da ressurreição de Cristo. Assim como Cristo desaparece e volta aparecer após três dias, também a andorinha se deixa de ver e volta a surgir na primavera.

VR: Espera ai! Queres tu dizer que anuncia então a primavera? Não é sinal de Primavera a presença abundante das flores na pintura! Fantástico!
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Pintura onde se repete a presença de flores

DG: Bem visto. Todavia lembro-te que a lenda refere a árvore ter florido e talvez daí a presença das flores. Volto a repetir que temos ter cuidado com as identificações que tentamos fazer, assim como os sentidos que lhes atribuímos.

VR: Pois…

DG: Conta uma antiga lenda que quando a Andorinha regressou dos misteriosos locais onde se recolhia durante o Inverno, ao passar por Jerusalém, deparou-se com Cristo crucificado, tendo então “vestido” uma capa negra para fazer luto.

VR: Ainda hoje a mantêm vestida então. Achas que a ave pode representar a alma de São Cristóvão?

DG: É uma hipótese. As aves, mais concretamente as suas asas, costumam representar a alma do homem. Se neste caso estivermos perante uma andorinha, até te posso dizer que representaria a alma penitente e dos arrependidos. Esta é uma das interpretações específicas da andorinha. Terei agora dificuldades em explicar porquê, mas podes consultar o Livro das Aves escrito no séc. XII, seguindo a tradição de interpretar simbolicamente e alegoricamente a natureza de vários animais e ainda de seres fabulosos, de pedras etc. Em Portugal surgiu uma adaptação desses manuscritos no Convento do Lorvão.

LIVROS DAS AVES_DIVERSAS GRAVURAS 
Da esq - dir.: Rola, Fénix, Corvo, Andorinha, Codorniz, Águia, Palmeira e Pomba
Livro das Aves, escrito em 1183, Mosteiro do Lorvão

VR: São Cristóvão é sem dúvida uma alma penitente e arrependida. E à árvore poderemos atribuir algum sentido em especial?

DG: Sim, mas acho que não vale a pena tentarmos associar-lhe algum sentido em particular. Caso fosse uma palmeira, o seu sentido seria facilmente apreendido. É uma árvore que só apresenta sentidos positivos e até se associa a Cristo.

VR: Mas não será uma palmeira certamente.

DG: Ainda sobre a ave, podemos pensá-la como a ave-do-paraíso, se bem que essa não tem asas (sorrisos). Não precisa porque no paraíso não existe necessidade de esforço. Não estão sujeitas à penosa lei da gravidade (sorrisos).

VR: Essa é boa! Mas agora que falas de Paraíso penso na árvore do paraíso…. à primeira vista, pela cor do fruto e pela forma da árvore, pensei que fosse uma laranjeira. A laranjeira pertence à família das Rutáceas, que engloba mais de mil espécies, quase todas tropicais ou subtropicais. Caracterizam-se por terem folhas lustrosas, cujas glândulas segregam óleos aromáticos, e pelas flores, que têm cinco pétalas. Mas sabes que a laranjeira não é uma árvore nativa na Europa, assim como não o é na Península Ibérica! Segundo alguns estudos que fiz no passado, a laranjeira foi plantada na península pelos mouros, quando estes dominavam estas terras.

DG: Já agora sabes como se diz Laranja em Turco?

VR: Sim… portukal! E em árabe diz-se portucale, em grego é portokali e em romeno é portocal. Compreende-se que o seu nome é muito idêntico ao nome Portugal. Com esta informação quase chegamos a perceber que o nome do nosso país, oriundo do nome Condado Portucalense, deriva da palavra laranja em árabe. Uma ideia extravagente a juntar a tantas outras.

DG: Queres dizer que Portugal pode derivar de palavra Laranja? Pronto lá se vai a teoria romântica da sua origem graalistica. Como deves saber, existe a ideia entre alguns estudiosos do oculto, Portugal derivar da junção de Porto e Graal. O selo rodado de Afonso Henriques, no seu ver, reforça essa ideia. Estou impressionado com as laranjas! Quando estive na Turquia, achei curioso designarem o nosso país de laranja na língua deles mas nunca imaginei que o fosse em tantas outras línguas. Já agora em Chinês também!

VR: Não, mas apesar de os mouros terem plantado por cá laranjeiras, os portugueses, no tempo dos descobrimentos, trouxeram laranjas da China para a sua comercialização. É por isso que as laranjas são denominadas "portuguesas" em vários países, especialmente nos Balcãs.

DG: De facto, até sou capaz de conseguir ali ver uma laranjeira com as laranjas meias encobertas pela folhagem, o que permite justificar alguma da falta de esfericidade do fruto. Então e as flores? Não são brancas as flores da laranjeira?

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VR: Sim, são! Mas as flores de fundo podem não pertencer à árvore ou pode ter as pintado dessa cor pr questões estéticas! E outro facto interessante é as flores da laranjeira terem cinco pétalas assim como essas flores!

DG: Todavia a lenda fala-nos de uma tamareira!

VR: Sim de facto, mas se observares bem, aquela árvore não tem características de tamareira! Para além disso, não existem tamareiras por estes lugares, como sabes!

DG: De facto uma Tamareira nunca será. Vejo que todas as flores têm 5 pétalas. O pintor deve ter-se inspirado numa laranjeira para esse efeito. Aliás existia um laranjal no Convento. Julgo que visível por detrás da Charola num iluminura quinhentista.

VR: Então vais gostar do que te vou contar a seguir! Sabes que nem todas as flores na pintura têm 5 pétalas! Existem 2, que eu descobri, que têm 6 pétalas!

DG: Não posso. Onde se escondem?

VR: Onde? Acredita que estão elas muito bem posicionadas! Uma em frente da cara de São Cristóvão e a outra mesmo ao pé do pássaro e da gaiola! Será coincidência?

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DG: Não sei o que pensar.

VR: Sabes que simbolismo poderá estar aqui envolvido? Que sabes sobre o simbolismo das flores e das árvores?

DG: Tenho algum conhecimento, mas não é oportuno alongarmo-nos nesse tema. Todavia também te digo que não vale a pena tentar decifrar significados desses elementos, sem conhecer bem a obra de um antigo monge do Convento de Cristo…

VR: Referes-te ao Frei Isidoro de Barreira que escreveu o “Tractado das significaçoens das plantas, flores, e fructos que se referem na Sagrada Escriptura : tiradas de divinas, & humanas letras, cõ suas breves considerações”?

DG: Bem, conheces bem o nome do livro. Nunca consegui decorar o título por inteiro. Infelizmente, só chegou até nós um volume. É essencial para se entender os significados que andavam associados às flores, plantas e frutos, pelo menos numa primeira abordagem. Mas voltando à gaiola! O facto de a gaiola estar aberta, caso seja uma gaiola, indica que espera o pássaro ou que o libertou, não? Pela posição do pássaro, diria que o espera. Terá isso algum sentido ou será apenas um detalhe sem importância ou intenção?

VR: Como tu dirias, nada na arte sacra é aleatório ou sem intenção. Tudo é pensado ao detalhe mas também não consigo concluir por uma hipótese ou outra.

DG: Pois…

VR: Faz-me bastante confusão que em todas as pinturas que analisámos, o objecto que agora pensamos ser uma gaiola ser sempre, e sem margem para dúvidas, um objecto que emana luz e neste caso em nada parece partilhar essa ideia.

DG: Apenas no século XVII, surgem dicionários e tratados que condensam esse vasto reportório iconográfico, para que o artista o possa utilizar de uma forma eficiente, sem correr o risco de não ser entendido. Baliza-se assim o pensamento simbólico às definições que essas enciclopédias obrigavam, em detrimento da imaginação individual de cada criador, verificando-se consequentemente a mera aplicação mecânica desses conceitos. Perdia-se na arte a sensibilidade simbólica em prol de uma objectividade tão característica do pensamento moderno. Visto ser esta pintura mural anterior a esse período, poderá ser produto de uma má interpretação do pintor ou mesmo uma ideia sua desviando-se do que usualmente vemos retratado.

VR: Talvez nunca venhamos a sabê-lo… Quanto a às enciclopédias, referes-te a César Ripa?

DG: Sim, também. Mas antes de César Ripa e da sua monumental obra Iconologia, à que não esquecer, entre outros, Alciato e a sua obra Emblemata.

 CESAR RIPA E ALCIATO
 
César Ripa (séc. XVII) e Alciato (séc. VXI)

VR: Independentemente de leituras simbólicas, já fico contente com a simples ideia de ter descoberto a Ave de S. Cristóvão e a gaiola, que possivelmente manteve-se escondida aos olhos de muitos que deambularam pela Charola nos últimos séculos.

DG: Também fico feliz apenas com esse pequeno detalhe.

VR: E se for ilusão óptica e tudo produto da nossa imaginação?

DG: O pintor não é alguém inspirado, mas sim alguém capaz de inspirar os outros, disse Dali. Talvez seja isso que nos esteja então acontecer!

VR: Foi uma bela inspiração!

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(Parte II - brevemente)

9/01/2010

SINTRA TEMPLÁRIA

Os Misteriosos Subterrâneos
Autoria: CETHOMAR Círculo Sintra Templária
(Degraconis, Lexior e Peninha)

1. Introdução (por Degraconis)
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“(…) Em reforço desta segunda hipótese (da presença templária naquelas casas), cujas confrontações se ajustam muito bem às que constam da carta de venda, encontrámos inesperadamente, no precioso arquivo dos Serviços de Turismo, onde tudo se guarda e nada se perde, um estudo que o espeleólogo Augusto Morgado publicou no Jornal Época de 12 de Agosto de 1972, depois de ter explorado a galeria subterrânea que parte das caves do Cave Paris, uns oito metros abaixo do nível do solo, em direcção ao Palácio Real. Segundo o esquema que acompanha esse artigo e que se reproduz na planta a ponteado, a passagem subterrânea prolonga-se para norte, sob a Praça da Vila, de onde bifurca duas vezes (…) ainda hoje se repara no muro da actual Rua dos Arcos (outrora Travessa dos Fornos) a abertura de uma chaminé de ventilação, cuja profundidade se pode sondar facilmente.  ” (a chaminé)

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Café Paris, Hotel Central, “Chaminé“
e Travessa dos Fornos

O trecho acima transcrito é retirado de um artigo do ilustre Sintrense Francisco Costa intitulado “O Paço Real de Sintra” inserido no Vol. I dos “Estudos Sintrenses” editado pela Câmara. Já conhecedores desta passagem, no citado texto, e em outras publicações que pouco mais fizeram do que transcrever na íntegra as palavras do Francisco Costa, decidimos procurar o citado artigo na ânsia de conhecer por inteiro a descrição dessa investigação levada a cabo pelo Espeleo Clube de Sintra, do qual A.Morgado era presidente.

Insolitamente, na posse do Jornal referido, não encontrámos o dito artigo que nos revelaria mais informação. Todas as referências que conhecíamos relativas ao artigo apontavam a mesma data e o mesmo Jornal. Poderia tratar-se de um lapso por parte do Francisco Costa? (jornal de 12 de Agosto de 72)

Após saturadas investigações conseguimos obtê-lo, e para espanto nosso, não eram apenas aqueles os dados errados mas também, o próprio nome do espeleólogo – não era Augusto mas sim Alexandre. Poderíamos pensar que houve uma dissimulação da parte do Francisco Costa – os outros apenas repetem o erro – numa tentativa de evitar o acesso a esse magnifico artigo, todavia, não cremos que o Francisco Costa o tivesse feito com essa intenção.

Esta galeria no centro da Vila, dava aos defensores do Paço uma saída ou uma entrada oculta, que deve ter caído em desuso quando as casas entregues aos Templários se tornaram independentes dos mea palacia fortificados – segundo Francisco Costa. Como poderão verificar mais adiante ficavam as casas Templárias na proximidade do Palácio Real. (o Paço)

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Na senda das investigações do Alexandre Morgado descobrimos um outro artigo que aborda uma outra passagem subterrânea no Castelo dos Mouros de Sintra, que talvez comprove a lenda que invoca a existência de um túnel que partiria do Castelo e percorreria toda a serra em direcção à Vila Velha ou eventualmente a Rio de Mouro que dista alguns quilómetros de Sintra.

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O artigo sobre o Castelo

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Excertos da obra: Investigação ao castello situado na
Serra de Cintra - Abade Castro e Sousa - Ano de1843

Mais recentemente, nas proximidades do espaço do “Café da Avó”, novos subterrâneos foram descobertos, penetrando serra adentro, possivelmente também obra dos Templários ou dos Mouros, conforme notícia dada à estampa pelo Jornal A Capital. Teria esta entrada, sido descoberta por detrás de uma velha porta de uma dispensa.

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Sobre este último túnel existe a ideia de que a sua entrada foi obstruída ou mesmo destruída em virtude das obras que o edifício tem vindo a sofrer nos últimos anos, todavia, e não querendo atrair visitas indesejáveis ao local – é propriedade privada – deixamos aqui registo do seu interior.

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A porta da dispensa actualmente
murada e interior

2. Os Bens Templários em Sintra

Neste trabalho consultámos várias fontes, umas mais factuais, outras menos, mas que não deixam de ser para nós fontes seguras no objectivo último de comprovar a presença dos Templários em Sintra e resolver alguns dos seus mistérios associados à Serra que desde tempos imemoriais tem sido designada por “ Mons Lunae” ou Monte da Lua , mais precisamente os “túneis” que a perfuram, dando-lhe a semelhança de um “ queijo suíço” . Mas mais importante que todas as fontes consultadas foi a nossa presença e investigação “ in loco” nos locais associados á presença Templária em Sintra, associando laivos de inspiração e saudade proporcionados por esta Ordem que ainda hoje mexe com muita gente , em particular com os autores deste artigo.

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Cruzes Templárias em Sintra

Falando então da presença Templária em Sintra e consultando Francisco Costa no seu “ O Paço Real de Sintra “ verificamos que a fonte mais cabal atestando que a Ordem dos Templários esteve em Sintra é a Carta de Doação (1152) de D. Afonso Henriques e sua mulher, a rainha D. Mafalda, a Gualdim Pais, Mestre Geral da Província Portucalense do Templo, de «Damus tibi prefatas domus: damos-te as sobreditas casas, com as suas herdades cultivadas e incultas, para que as tenhas e possuas em todos os dias da tua vida». (a carta traduzida)

Prefatas domus quer dizer “casas já feitas” e “boas casas”. Aqui, “casas” no sentido de espaço imóvel, tanto podendo ser habitação como terreno culto, bom para semeadura e colheita. Há 3 cópias desta Carta de Doação no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Livro de Mestrados, fl. 66, e Ordem de Cristo, cod. N.º 233, fl. CXXXIII, e cod. N.º 235, fl. 68 v), estando todas datadas da era de 1190, correspondente a 1152 d.C.. Viterbo que viu o original em Tomar, também lhe atribui essa data. (Elucidário, ver Cruz), contudo existe quem afirme que a doação deve ter outorgada cinco anos mais tarde.

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Elucidário - Selo da Carta de Doação

O Visconde de Juromenha na  sua Cintra Pinturesca (Lisboa, 1838), na página 208 (Casas em Cintra. Doação á Ordem do Templo.) associa na forma de tradução prefa(c)tas domus por “paços já feitos”, o que tem levantado alguma polémica relativamente à data de construção daqueles, devendo-se talvez ler como “casas já doadas”, ou seja, já teriam as casas sido doadas antes da assinatura da doação escrita.

Quanto à doação dos mesmos a D. Gualdim por todos os dias da sua vida, quer dizer: doação perpétua à Ordem do Templo, na pessoa do seu Mestre Geral da Província, enquanto a mesmo existir. Tanto assim é que não foi Gualdim Pais a dispor individualmente dessas casas mas o colectivo dos cavaleiros Templários (in Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (1744-1822), Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram. Lisboa, 1865, 1 vol.).

Um outro documento é o da Inquirição aos bens das Ordens e Mosteiros do Termo de Lisboa, que se procedeu no final do reinado de D. Afonso II (1220), ou já em pleno reinado de D. Afonso III (1258), pois que o documento (A.N.T.T., gaveta 1, m.º 2, n.º 18) não tem data. Diz sobre os bens dos Templários em Sintra: «em primeiro lugar umas boas casas na vila (in primis in villa unas bonas casas)», e além delas umas tendas, duas vinhas, uma almoinha, um moinho de água, um pomar no sítio de Almoster (sic) (onde se insere hoje a Quinta da Regaleira) e ainda vários casais no litoral sintrense.

Todos esses bens constituíam a «baylia» da Ordem do Templo em Sintra. Portanto, em Sintra a Ordem não teve Preceptoria (Priorado) mas bailio (Comenda), com jurisdição sobre várias Granjas ou Fazendas suas dispersas pelo território em volta da vila, ou seja, no almosquer, que quer dizer precisamente, em árabe, “arrabalde”.

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Um Cavaleiro em Sintra

(continua)

COMENTÁRIOS NO FORUM
TÓPICO "TEMP(L)O DE T(H)OMAR OUTRAS PARAGENS"

7/30/2010

ALQUIMIA POÉTICA

Autor da poesia: João Amendoeira

“Desde cedo se apaixonou pelos poetas, e pelo prazer de brincar com as palavras, brincadeiras estas que mais tarde, através de outros, fizeram descobrir em si o poeta que já existia. O poeta, não surge, não se faz, nasce já com o corpo, e João Amendoeira já nasceu poeta.”

Autor de obra já publicada e já nosso conhecido, foi lhe lançado o desafio de compor algumas poesias para o circuito dos 5 elementos, o qual aceitou com muito agrado. Não só nos surpreendeu com a alquimia das palavras mas também com algumas das suas intervenções relativamente à história mítica e poética de Tomar. Um muito obrigado da parte do blog pela autorização da publicação que agora fazemos.

TOMAR
Tomar é bela
bela em todo seu esplendor
se fosse donzela
cairia, por ela, de amor.
Não seria eu poeta
se não fosses tu cidade
e tu de mim, poeta, mais completa
somos, juntos, seres de felicidade.
Tomar é bela,
olha para ela
meu sonho, tua água, teu céu,
meu sol, teu corpo, teu véu.
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SANTA MARIA 
DOS OLIVAIS
Santa Maria das Oliveiras
lugar de tanta fé e fados,
ruas, charruas e vidas inteiras,
a esperança dos pobres e apaixonados.
Santa Maria dos Olivais,
coração da terra, voz do mistério
de tantos cavaleiros imortais
e da cruz que fez o império.
Santa Maria, Santa Maria
quem fez de ti o peito
que alimenta a noite e o dia
da alquimia e dos amigos de teu leito.

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CONVENTO DE 
SANTA IRIA
Convento de Santa Iria
casa de cavaleiros e água pura
segredas aquela história
que hoje perdura
em coração, a caveira, a pena
e a gravidez de Madalena.

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ALQUIMIA DOS INFANTES
(Igreja S.João Baptista)
É na alquimia do templo
que os Infantes se iluminam
místicos dão luz ao tempo
traçado pela Ordem, eles caminham,
buscam o que o vento consinta,
o que jaz, o fogo rompe
e em paz, a água sinta
furando a terra, do rio, até ao monte.
Sete montes, sete letras do amor
não fosse a palavra “saudade”
nossa, tão nossa de alma e sabor
tão quanto os filhos do pintor,
que na Igreja João Baptista
ousam a história do seu senhor,
a cabeça, o fogo, a ponte do artista,
para a imortal fonte dos Infantes do amor.

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NOSSA SENHORA 
DA CONCEIÇÃO
Oh vento que surges no alto
embalas a padroeira Conceição
lá no cimo do asfalto
dos marinheiros da tua nação.
Oh vento dos alquimistas
olhar templar
guarda teus segredos e artistas
de quem os quiser desafiar.
Oh nobre Conceição,
engrandece o nosso coração.

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ANOITECEU, HERMES 
E TESEU
Anoiteceu
não percebi de tal
tudo escureceu
o beijo desigual
o pássaro que voou
o luar que se aclamou
anoiteceu
as estrelas iluminaram
Tomar boieira iluminada
os olhares de Hermes acordaram
perante a Janela adorada
anoiteceu amada
os templários caminham
pela estrada de Teseu
eles heróis caminham
eles caminham eles caminham
anoiteceu anoiteceu
e nenhuma memória se perdeu.

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CASTELO DE TOMAR
Castelo
de minha cidade,
quanto és belo
de tão vasta idade,
Ver-te
é sentir quantos te viram
ler-te
é viver as espadas que te acudiram,
admirar-te
é respirar o céu que outros sentiram
em nossas mãos,
tua firmeza,
teus irmãos,
teu brilho, tua glória, tua destreza,
amante da história.
Castelo
da minha cidade
quanto és belo
longe de ti, minha saudade.

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João Amendoeira ©
http://www.joaoamendoeira.com/

7/12/2010

CRÓNICA DO 12º ENCONTRO

Thomar sob o Signo de Hermes
Circuito dos 5 Elementos


Diversas são as leituras possíveis dos estilos arquitectónicos que se conhecem nos monumentos de Tomar. Os quinhentos anos de construção, quase ininterrupta, possibilitam as mais diversas incursões pelo espírito que presidiu cada momento que esta cidade viveu ao longo da História de Portugal. E se muitos outros locais da Europa têm permitido múltiplas interpretações e até por vezes romanceadas, Tomar não é menos imbuída dessas possibilidades simbólicas e rocambolescas.


Desta feita, o blogue http://blog.thomar.org dos Cavaleiros Guardiães de Santa Maria do Olival, promoveu, no fim-de-semana passado, mais uma visita cultural pela cidade subordinada ao tema: “Thomar sob o signo de Hermes – Circuito dos 5 Elementos”.

Muitos foram os que participaram nesta visita guiada por João Fiandeiro – presidente da APTC – conhecedor da mais íntima história do património, que ao longo dos cinco monumentos visitados, foi acompanhado por um misterioso Alquimista, encarnado por João Patrício, que eloquentemente leu a poesia de João Amendoeira – um poeta de Tomar com obra publicada - escrita de acordo com a tónica que se deu a cada monumento.

Se a Igreja de Santa Maria do Olival, outrora quase soterrada, se relaciona de forma natural com o elemento Terra, Santa Iria, com a sua cisterna é água, São João Baptista, santo das fogueiras, é fogo, Nossa Senhora da Conceição, como que a pairar sobre a cidade e construída para última morada do D. João III antes de “ascender aos céus”, é ar, e por fim, a Charola, o quinto elemento por excelência, que na sua forma circular perfeita, gere todo o quadrado constituído pelos outros quatro elementos, através dos quais se caminhou até chegar ao pórtico do Convento, onde se esconde o cúpido dissimulado que talvez esconda em si próprio o segredo do quinto, o amor.


Ninguém saiu do encontro a julgar Tomar uma cidade alquímica, nem crentes de misteriosos e insólitos alquimistas escondidos na arquitectura Tomarense, e se não aprenderam a fabricar a pedra filosofal que as obras medievais invocam, aprenderam que a História de Tomar é essa quinta essência aristotélica que permitiu viver a alquimia da poesia e do encontro com o património.

O jantar de confraternização permitiu aos mais interessados no tema, conviver com Walter Grosse, autor do livro “Fulcanelli, un secret violé”, o qual terá em tempos estudado a obra arquitectónica de João de Castilho e Boitaca sob essa perspectiva.

Usando as palavras de João Patrício, o alquimista, “são estes eventos que permitem descobrir o elixir da longa vida que os alquimistas procuravam, da longa vida para os monumentos que conseguiram chegar até aos dias de hoje”.
 

Thomar sob o Signo de Hermes
Circuito dos 5 Elementos
Passeio Cultural a 5 Monumentos
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7/03/2010

REVIVER É REAVER

Reviver o Cerco de 1190
Texto da autoria da Cultural Templ'Anima

“Reviver é Reaver – Cerco de 1190 ao Castelo Templário” é a actividade à qual o nosso BLOG e o CETHOMAR aderem e convidam todos a participar. Não se trata do cartaz oficial, visto estar a Câmara responsável por esse, mas o cartaz que com a autorização devida da entidade organizadora – Templ'Anima cultural – nos propomos a divulgar a actividade.



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No decurso das comemorações dos 850 anos da fundação templária do burgo , pelo mestre Gualdim Pais e seus homens , a Associação Cultural Templ’Anima, propôe-se evocar no mês de julho um acontecimento exemplar ocorrido neste castelo : o cerco feito pelo exército do Almansor em julho de 1190 e desfeito pelo grande mestre Gualdim “ a quem Deus salvou com seus freires” das mãos dos inimigos...segundo memorial escrito nas paredes deste castelo...Foi há 820 anos....

“A conservação/ valorização da Porta da Almedina e seus acessos. Passa pela sensibilização da comunidade ..para . conhecer a sua história...reatar a ligação afectiva... Porta de entrada no burgo interior, desde o “arrabalde ”. Também conhecida por “Porta do Sangue” por aí ter sido sustida a investida muçulmana no ataque de 1190, ocorrendo grande mortandade.

...Parque Florestal e Jardim de talhões geométricos, históricamente parte integrante do conjunto monumental .do convento .. cujo destino está ligado à conservação do conjunto e da cidade(seu vero pulmão)!... Onde existe um património natural e construído pelos freires : Charolinha com cúpula, (de João de Castilho)no meio de um tanque circular,;Cadeira d’El-rei reservatorio de rega e Mãe de Agua (distribuidora), uma passagem secreta subterrãnea, parte do aqueduto do Convento . e até um lagar (de azeite) ...

Com a degradação do pequeno bosque ajardinado ...desmoronam-se os templos e com eles ...a divina poesia.... d’A Lusitânia Transformada obra simbólica qunhentista.. ... de imaginário messiânico ... que nos fala da mata como espaço ....lúdico / contemplativo , escrita por Fernão Álvares do Oriente (1540 –.1600), cavaleiro da casa de D.Sebastião....e sobrevivente de Alcacer-Quibir....

.. Floresta oculta e aprazível... junto à ribeira do Nabão, deleitoso vergel émulo do Paraíso. Bosque sagrado.de carvalhos .. pequena floresta do Sangral. tradicionalmente associado aos ritos iniciáticos da Armia Cavalaria ... ...Também harmonioso santuário de Diana onde habitam fermosas Ninfas (das Hespérides)...abraçando vida de perfeição..e .pastoreando rebanhos de carneiros, enquanto debatem filosóficamente o tempo: propicio, exaltam o Amor e festejam o S.João Percursor do advento ou retorno da idade de Ouro !

Parafraseando o livro .. “vamo-nos pois por este vale frio (Riba Fria) ,ver nossa deusa (a Mata de Diana) ... e passando pela ribeira... ver aos do Erimanto” (Monte do javali) –ou seja o castelo onde deram caça à fera e gritando toma-lo, toma-lo...deram o nome á cidade...(isto segundo contaram as testemunhas dionisinas)...

Na subida pela Mata : Visita do ultimo Carvalho Templario (com cerca de 700 anos) e da Cruz da Rosa inscrita pelos templarios sobre a porta da Almedina


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Informações
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Organizado por Templ’Anima - Associação Cultural e Câmara Municipal de Tomar

6/18/2010

A SAGA DE SÃO CRISTÓVÃO - PARTE IV

Uma estátua de fazer perder a cabeça
CET – Centro de Estudos de Thomar
Do Círculo: “(C)ristóvão (E)m (T)omar”
Deve este post ser lido como continuação do post "São Cristóvão da Ponte (parte III)". Anunciámos que iríamos publicar um post a propósito de uma descoberta feita pelo Voltron após ter lido o post citado, todavia não é este ainda. A constituição do Círculo em causa teve como objectivo a publicão de dois posts. Este é o primeiro. 

“De facto é estranho que essa estátua seja de São Cristóvão. Corri milhares de páginas à procura de informação e encontrei uma descrição como sendo um soldado romano, o que parece corroborar o meu sentimento quanto à origem dessa figura”                                 Leon

Surpreendentemente não tem sido apenas a pintura mural da Charola a fazer correr muita tinta, ou no caso da Leon, a correr por entre milhares de páginas na tentativa de entender a estátua apontada como sendo a de “São Cristóvão da Ponte Velha” ou de “D. Manuel”. “Da Ponte” será, e disso já não nos restam dúvidas, todavia de uma outra. Quanto a ser São Cristóvão, parece haver algum tipo de equívoco que já vem de longa data.

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Estátua do Claustro da Lavagem

O alerta foi dado pela Leon que se lembrou de ir consultar os trabalhos da Salette da Ponte, visto esta ser uma das referências na arqueologia Tomarense, poderia fornecer-nos algum tipo de descrição ou informação quanto à estátua que está no Claustro da Lavagem, do lado direito de quem entra pela porta de acesso virada para a Almedina. Confirma-se, e mesmo sem saber se a descrição é da Salette, passamos a citar a legenda da fotografia da estátua.

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E São Cristóvão? Nenhuma palavra quanto a isso. Adensa-se o mistério, até porque inequivocamente é identificada como sendo de uma época anterior à da própria Lenda de São Cristóvão. Mais, foi encontrada algures junto à muralha Sebástica.

A ideia não seria que tendo estado ela na ponte a partir no tempo de D. João V se tinha entretanto retirado por incapacidade de se aguentar nas pernas? Como terá então ido parar tão longe do sítio onde conviveu com o povo Tomarense? E que local é este a que chamam Sebástico?

Após esta constatação a Leon ligou-me e noticiou-me as boas novas. Seriam-no mesmo? Sim, mas foram a causa de andarmos de cabeça perdida nos dias que se seguiram.

Começa então aqui, a história que nos foi possível recolher junto aos meios a que tivemos acesso. História esta, que ainda carece de algumas respostas mas que julgamos vir esclarecer parte da biografia do homem sem cabeça.

Comecemos então por dar conhecimento acerca da localização da designada muralha Sebástica que, como o nome indica, foi construída na época que antecedeu a batalha de Alcácer Quibir.

A Estrada Velha, conhecida como Coimbrã ou Santarena, e que estabelecia uma das ligações de Santarém a Penela, passava pelo local onde hoje é São Lourenço, começando aí a “costear” o Monte do Piolhinho (termo de Tomar), baixando então ao nível da Ponte das Ferrarias. Na época tinha esta zona uma cota muito inferior à que hoje conhecemos, estando portanto, sujeita a constantes e repetidas inundações do Nabão, o que a tornava intransitável no Inverno. Existia porém, um desvio susceptível de ser usado em alternativa, mas era penoso e até perigoso.

A muralha era assim uma necessidade premente a fim de resolver os incómodos causados pelas cheias inerentes à época da chuva. Mandou-se assim, na época do reinado do jovem Rei, construir uma forte muralha na margem do rio, que contivesse o rio e servisse de amparo ao aterro de sustentação às terras que permitiram nivelar a estrada. Ainda hoje é possível ver essa muralha cumprindo as funções para que foi construída, assim como o padrão que se elevou para comemorar essa grandiosa obra de aterro, o Padrão Sebástico.

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Padrão de D. Sebastião

Tivemos a oportunidade de referir que a estátua se relacionaria, de facto, com uma ponte, mas não dissemos eventualmente com que ponte. Debrucemo-nos então um pouco sobre essa outra ponte: a das Ferrarias.

Pelo que nos foi dado a conhecer, terá sido descoberta em época relativamente recente pelo ilustre João Maria de Sousa, que a ela se refere nas suas divagações literárias.

Não se lhe conhece a origem, talvez romana, nem até que época terá cumprido com a sua função, mas certo, é ter servido de açude – tal como actualmente – pelo menos desde o século XVI, altura em que, aproveitando um pequeno rápido onde, junto ao Monte do Piolhinho, ao fundo da Várzea Grande, existe um estrangulamento do rio e se fez uma fábrica de armas a mando de D. Manuel I. Pouco se conhece da sua tipologia, a não ser uma levada aberta a meio da ponte.

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Ponte das Ferrarias em Tomar perto do
Padrão de D. Sebastião
Prospecção no local

Encontrava-se precisamente na sua proximidade, a estátua que hoje vemos no Claustro Da Lavagem. Diz-nos a Carta Arqueológica do Concelho “que ali perto se encontrava em 1903, a estátua conhecida por S. Cristóvão. Ainda em 1927 Vieira Guimarães ali a viu. Actualmente, encontra-se no claustro da lavagem do Convento de Cristo”.

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Estátua do Claustro da Lavagem junto
à muralha Sebástica em Tomar

Acontece porém que, em 1903 – data em que J. M. Sousa noticia o facto – o mesmo não refere, tratar-se aquela estátua da representação de São Cristóvão, e de igual modo, também Vieira Guimarães, que talvez seja o único, ou o que mais cedo dá notícias da estátua do Santo na Ponte Velha ou de D. Manuel, não se refere à estátua que está no Claustro da Lavagem como sendo a de São Cristóvão ou que tivesse estado na ponte da cidade. Sabiam ambos – até porque a conheceram junto às Ferrarias – ser aquela estátua de origem incerta e duvidosa, mas nunca como a que esteve na ponte junto a Santa Iria.

É certo que não encontramos muitos escritos que afirmem ser esta estátua a do São Cristóvão que estava na Ponte Velha da cidade, mas é comummente assente – pelo menos entre as diversas pessoas com quem contactámos – ser aquela estátua a do famoso santo de pernas gastas e que se encontrava “voltado a sul. Logo à entrada, vindo do Além Ponte”. Esta citação do Amorim Rosa, apesar de dar notícias do Santo da ponte, não chega a identificar que estátua era essa – se a do convento ou não – e remete-nos imediatamente para J. M. Sousa e Vieira Guimarães que terão sido, sem dúvida, as suas fontes de informação.

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Ponte D. Manuel I (Velha ou da Cidade)

Portanto, independentemente de ser esta confusão da nossa autoria e de mais uns quantos escritos que encontramos na internet – e não só – serve este post para definitivamente – se o for – entender mais um pouco da biografia do homem da muralha Sebástica, de cuja origem mais recuada acabamos por saber tão pouco, tal como quanto ao final dos dias do nosso Rei, que àquele local dá nome.

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El Rei D. Sebastião

Abordemos então as notícias que obtivemos do Vieira Guimarães e João Maria de Sousa, os quais são a fonte mais credível para entender esta saga que já vai no quarto capítulo e nos levou mesmo à criação de um círculo do nosso CET - Centro de Estudos de Thomar, curiosamente designado como (C)ristóvão (E)m (T)omar, do qual iremos ainda publicar mais um post deveras interessante a nosso ver.

O local referido serviu de palco ao encontro entre as tropas do Santo Condestável e D. João I em 10 de Agosto de 1385 – dia de São Lourenço – as quais devem ter usado a ponte das Ferrarias “para dar passagem aos peões e cavaleiros a vau, porque devia o rio ser vadeavel naquela época e ainda no principio do séc. XIX em certas épocas do ano”, no entendimento do J. M. Sousa .Segundo Vieira Guimarães, no séc. XIV ainda estava apta a dar passagem a crer na Crónica de El-Rei D. João I, facto que não conseguimos apurar em virtude do livro ser extenso e de leitura difícil.

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Note-se em plano de fundo, à direita, a ponte
por onde as tropas teriam passado
Painel de Azulejos na Capela de São Lourenço com representação
das tropas de D. João I e do Condestável

No “Portugal Antigo e Moderno”, diz Pinho Leal, ter havido naquele local uma fábrica de fundição de ferro – de armas como já referido – pertencente a Henrique de Quental, e portanto, haveria a possibilidade de ter sido este o mentor de tal ponte e da estátua dele próprio que, naquele tempo (sec. XIX) ainda lá se encontrava, embora já decapitada.

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Portugal Moderno e Antigo de Pinho Leal

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Antiga casa de Aires de Quental em Tomar

Discorda veementemente J. M. Sousa que assim seja, quer no que diz respeito à estátua ser do próprio, quer da construção da ponte servir a sua fábrica. Diz-nos antes que, eventualmente, Henrique de Quental pode tê-la restaurado, mas nunca construído, pois a seu ver a ponte seria bem anterior à nacionalidade Portuguesa. 

Diz-nos João Maria Sousa que “a estátua mutilada, que ainda hoje se vê, e que se diz ser de Henrique do Quental, não ocupou primitivamente o logar, onde agora se encontra. O leito do rio elevou-se, devido principalmente aos açudes que os frades nelle mandaram construir…”. “ Portanto, se Henrique do Quental mandou, não diremos construir, mas reparar aquella ponte para serventia da sua fábrica de fundição, foi muito antes da construção da muralha; é pois natural que a estátua estivesse em baixo na margem do rio à entrada da ponte e, quando fizeram aquella muralha, a removeram dali e collocaram sobre ella no lugar onde hoje está”

Por outro lado, se tivermos dúvidas relativamente ao pensamento do Vieira Guimarães quanto àquela estátua podemos dissipá-las através da leitura da seguinte passagem de sua autoria “…para o diferenciar do outro (padrão) que está colocado antes do topo sul da muralha (aqui levanta-se os restos de uma estátua que damos em gravura, mas cuja representação ignoramos) o qual …”. A foto que apresentamos é precisamente essa que ele nos deu a conhecer.

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E como tudo isto foi a propósito do São Cristóvão, vamos terminar com as palavras de Vieira Guimarães sobre a estátua que estaria, em tempo idos, na ponte D. Manuel I:“ Sem dúvida que no tempo em que isto se escrevia – referia-se a uma descrição sobre a ponte D. Manuel I -, principio do séc. XVIII, não existia neste sítio e no mesmo lado, um corpulento S. Cristóvão, o advogado das pontes, cuja estátua não chegámos a conhecer – conhecia a outra sem dúvida - mas que pessoas ainda hoje vivas em Thomar se lembram dela e duma crendice que lhe andava ligada: o pó raspado das suas pernas servia, depois de tomado, para a cura das maleitas ou para abrir o apetite. Naturalmente tanto rasparam que algum pé-de-vento o deitou abaixo e provavelmente para o lado do rio, estando no fundo do pego que é ainda dos nossos dias e que camadas sucessivas têm vindo a entulhar. No reinado de D. João V a estrada a que esta ponte dava passagem, foi concertada e as suas pontes restauradas, o que nos leva a crer este S. Cristóvão viesse dessa ocasião pelo que também nos é testemunhado por aquelas pessoas. A sua figura, já lendariamente conhecida, opulenta de formas e a sua flutuante roupagem muito nos faria lembrar as celebres estátuas do grande escultor e arquitecto Bernini que no século anterior, em Roma, tinha prodigalizado o seu infatigável talento em obras admiráveis, como a Santa Teresa…”

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Santa Teresa de Bernini

Portanto, podemos então concluir que no passado, a estátua que se encontra hoje no Claustro da Lavagem, não era tida como sendo a de São Cristóvão que outrora teria estado na Ponte Velha, visto qualquer um deles – Vieira, J. M. Sousa e Pinho Leal – terem conhecido essa estátua junto à Ponte das Ferrarias. Contudo, pode pensar-se que a estátua de São Cristóvão teria sido deslocada em época anterior, para esta sua nova localização, no entanto, parece-nos pouco credível que assim fosse até porque Vieira Guimarães terá tido contacto com Tomarenses que ainda a recordavam. Sendo assim, e caso a estátua fosse a mesma, teria decerto sido esta, da muralha Sebástica, identificada como tal.

De facto, a estátua apresenta dois aspectos que, curiosamente, podem inspirar-nos a pensar tratar-se de São Cristóvão; são eles, os pés inacabados - que podem levar a pensar ter sido intencional na perspectiva de o representar como tendo os pés dentro de água - e a “mutilação” no ombro - que poderia ser o apoio ou sustento de uma outra parte, justamente o menino Jesus. Todavia, os factos apresentados ao longo deste ensaio e as vestes atípicas – de Romano e não de S. Cristóvão Latino – talvez nos levem a concluir que o São Cristóvão se perdeu para sempre não tendo deixado rasto. Quem sabe se não estará à espera de ser descoberto por debaixo das areias do rio Nabão, a fazer fé no que nos conta Vieira Guimarães.

“Quase que sinto a presença da estátua aqui no seu local original. Isto é lindo. Sou da opinião que não devíamos publicar foto para não perturbar o “Génio” do Local”.  Assim seja.                                                   Voltron

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Os Cinco


ADENDA
São diversas as informações que excluímos mas incluí-se, em nota de rodapé, alguma dessa informação considerada de interesse para quem queira estudar com maior profundidade o tema:

- A Ponte das Ferrarias pode ter sido conhecida como “Dorso de Burro”, alem de “Olarias” como já referido, depreendo-se essa designação em virtude da sua forma. Decerto teria dois arcos de grande flecha e um (ou dois) pequenos arcos, como podem ter verificado nas fotos apresentadas.

- Num Auto de Diligência de 1530 que procura apurar a navegabilidade do Rio de Tomar, encontramos referências à ponte, sem contudo ser referida a estátua. Podemos nesse documento constatar que, já naquele tempo, a ponte estava em ruínas, visto não selhe dirigirem como ponte mas sim como açude. (podemos fornecer o documento integral por e-mail).

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Um agradecimento especial à Amarna pela revisão final do texto e a quem de uma forma ou outra nos esclareceram algumas dúvidas.

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CET – Círculo “Cristóvão Em Tomar”
C:Voltron,
E: Degraconis, Leon, Cluny