Contacte-nos através do nosso email:
cethomar@hotmail.com

9/01/2010

SINTRA TEMPLÁRIA

Os Misteriosos Subterrâneos
Autoria: CETHOMAR Círculo Sintra Templária
(Degraconis, Lexior e Peninha)

1. Introdução (por Degraconis)
s
“(…) Em reforço desta segunda hipótese (da presença templária naquelas casas), cujas confrontações se ajustam muito bem às que constam da carta de venda, encontrámos inesperadamente, no precioso arquivo dos Serviços de Turismo, onde tudo se guarda e nada se perde, um estudo que o espeleólogo Augusto Morgado publicou no Jornal Época de 12 de Agosto de 1972, depois de ter explorado a galeria subterrânea que parte das caves do Cave Paris, uns oito metros abaixo do nível do solo, em direcção ao Palácio Real. Segundo o esquema que acompanha esse artigo e que se reproduz na planta a ponteado, a passagem subterrânea prolonga-se para norte, sob a Praça da Vila, de onde bifurca duas vezes (…) ainda hoje se repara no muro da actual Rua dos Arcos (outrora Travessa dos Fornos) a abertura de uma chaminé de ventilação, cuja profundidade se pode sondar facilmente.  ” (a chaminé)

clip_image002clip_image004

clip_image006

Café Paris, Hotel Central, “Chaminé“
e Travessa dos Fornos

O trecho acima transcrito é retirado de um artigo do ilustre Sintrense Francisco Costa intitulado “O Paço Real de Sintra” inserido no Vol. I dos “Estudos Sintrenses” editado pela Câmara. Já conhecedores desta passagem, no citado texto, e em outras publicações que pouco mais fizeram do que transcrever na íntegra as palavras do Francisco Costa, decidimos procurar o citado artigo na ânsia de conhecer por inteiro a descrição dessa investigação levada a cabo pelo Espeleo Clube de Sintra, do qual A.Morgado era presidente.

Insolitamente, na posse do Jornal referido, não encontrámos o dito artigo que nos revelaria mais informação. Todas as referências que conhecíamos relativas ao artigo apontavam a mesma data e o mesmo Jornal. Poderia tratar-se de um lapso por parte do Francisco Costa? (jornal de 12 de Agosto de 72)

Após saturadas investigações conseguimos obtê-lo, e para espanto nosso, não eram apenas aqueles os dados errados mas também, o próprio nome do espeleólogo – não era Augusto mas sim Alexandre. Poderíamos pensar que houve uma dissimulação da parte do Francisco Costa – os outros apenas repetem o erro – numa tentativa de evitar o acesso a esse magnifico artigo, todavia, não cremos que o Francisco Costa o tivesse feito com essa intenção.

Esta galeria no centro da Vila, dava aos defensores do Paço uma saída ou uma entrada oculta, que deve ter caído em desuso quando as casas entregues aos Templários se tornaram independentes dos mea palacia fortificados – segundo Francisco Costa. Como poderão verificar mais adiante ficavam as casas Templárias na proximidade do Palácio Real. (o Paço)

clip_image008

clip_image010

Na senda das investigações do Alexandre Morgado descobrimos um outro artigo que aborda uma outra passagem subterrânea no Castelo dos Mouros de Sintra, que talvez comprove a lenda que invoca a existência de um túnel que partiria do Castelo e percorreria toda a serra em direcção à Vila Velha ou eventualmente a Rio de Mouro que dista alguns quilómetros de Sintra.

clip_image012

O artigo sobre o Castelo

clip_image014
Excertos da obra: Investigação ao castello situado na
Serra de Cintra - Abade Castro e Sousa - Ano de1843

Mais recentemente, nas proximidades do espaço do “Café da Avó”, novos subterrâneos foram descobertos, penetrando serra adentro, possivelmente também obra dos Templários ou dos Mouros, conforme notícia dada à estampa pelo Jornal A Capital. Teria esta entrada, sido descoberta por detrás de uma velha porta de uma dispensa.

clip_image016

clip_image018



Sobre este último túnel existe a ideia de que a sua entrada foi obstruída ou mesmo destruída em virtude das obras que o edifício tem vindo a sofrer nos últimos anos, todavia, e não querendo atrair visitas indesejáveis ao local – é propriedade privada – deixamos aqui registo do seu interior.

clip_image020clip_image022

clip_image024
A porta da dispensa actualmente
murada e interior

2. Os Bens Templários em Sintra

Neste trabalho consultámos várias fontes, umas mais factuais, outras menos, mas que não deixam de ser para nós fontes seguras no objectivo último de comprovar a presença dos Templários em Sintra e resolver alguns dos seus mistérios associados à Serra que desde tempos imemoriais tem sido designada por “ Mons Lunae” ou Monte da Lua , mais precisamente os “túneis” que a perfuram, dando-lhe a semelhança de um “ queijo suíço” . Mas mais importante que todas as fontes consultadas foi a nossa presença e investigação “ in loco” nos locais associados á presença Templária em Sintra, associando laivos de inspiração e saudade proporcionados por esta Ordem que ainda hoje mexe com muita gente , em particular com os autores deste artigo.

clip_image026

Cruzes Templárias em Sintra

Falando então da presença Templária em Sintra e consultando Francisco Costa no seu “ O Paço Real de Sintra “ verificamos que a fonte mais cabal atestando que a Ordem dos Templários esteve em Sintra é a Carta de Doação (1152) de D. Afonso Henriques e sua mulher, a rainha D. Mafalda, a Gualdim Pais, Mestre Geral da Província Portucalense do Templo, de «Damus tibi prefatas domus: damos-te as sobreditas casas, com as suas herdades cultivadas e incultas, para que as tenhas e possuas em todos os dias da tua vida». (a carta traduzida)

Prefatas domus quer dizer “casas já feitas” e “boas casas”. Aqui, “casas” no sentido de espaço imóvel, tanto podendo ser habitação como terreno culto, bom para semeadura e colheita. Há 3 cópias desta Carta de Doação no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Livro de Mestrados, fl. 66, e Ordem de Cristo, cod. N.º 233, fl. CXXXIII, e cod. N.º 235, fl. 68 v), estando todas datadas da era de 1190, correspondente a 1152 d.C.. Viterbo que viu o original em Tomar, também lhe atribui essa data. (Elucidário, ver Cruz), contudo existe quem afirme que a doação deve ter outorgada cinco anos mais tarde.

elucidário
Elucidário - Selo da Carta de Doação

O Visconde de Juromenha na  sua Cintra Pinturesca (Lisboa, 1838), na página 208 (Casas em Cintra. Doação á Ordem do Templo.) associa na forma de tradução prefa(c)tas domus por “paços já feitos”, o que tem levantado alguma polémica relativamente à data de construção daqueles, devendo-se talvez ler como “casas já doadas”, ou seja, já teriam as casas sido doadas antes da assinatura da doação escrita.

Quanto à doação dos mesmos a D. Gualdim por todos os dias da sua vida, quer dizer: doação perpétua à Ordem do Templo, na pessoa do seu Mestre Geral da Província, enquanto a mesmo existir. Tanto assim é que não foi Gualdim Pais a dispor individualmente dessas casas mas o colectivo dos cavaleiros Templários (in Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (1744-1822), Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram. Lisboa, 1865, 1 vol.).

Um outro documento é o da Inquirição aos bens das Ordens e Mosteiros do Termo de Lisboa, que se procedeu no final do reinado de D. Afonso II (1220), ou já em pleno reinado de D. Afonso III (1258), pois que o documento (A.N.T.T., gaveta 1, m.º 2, n.º 18) não tem data. Diz sobre os bens dos Templários em Sintra: «em primeiro lugar umas boas casas na vila (in primis in villa unas bonas casas)», e além delas umas tendas, duas vinhas, uma almoinha, um moinho de água, um pomar no sítio de Almoster (sic) (onde se insere hoje a Quinta da Regaleira) e ainda vários casais no litoral sintrense.

Todos esses bens constituíam a «baylia» da Ordem do Templo em Sintra. Portanto, em Sintra a Ordem não teve Preceptoria (Priorado) mas bailio (Comenda), com jurisdição sobre várias Granjas ou Fazendas suas dispersas pelo território em volta da vila, ou seja, no almosquer, que quer dizer precisamente, em árabe, “arrabalde”.

clip_image028
Um Cavaleiro em Sintra

(continua)

COMENTÁRIOS NO FORUM
TÓPICO "TEMP(L)O DE T(H)OMAR OUTRAS PARAGENS"

11 comentários:

Anónimo disse...

Não consigo ler os jornais.

Anónimo disse...

Teria todo o interesse em ler o teor das notícias inseridas no texto que publica caso seja possível.
Agradecido
Álvaro

Anónimo disse...

Vitor Beja
O Augusto Morgado ainda é vivo?

Anónimo disse...

Os comentários devem ser colocados no forum.
Um amigo

Anónimo disse...

Sr. Beja,
O Alexandre vive fora dos país e tem hoje 51 anos. Estará entre nós por mais 17 anos - segundo o mesmo - e não visita Sintra à 37 anos.
Cumprimentos

DEGRACONIS

Anónimo disse...

Logo que o post esteja concluido posso meter no forum os recortes dos jornais.

DEGRACONIS

Anónimo disse...

Peço desculpa mas não são 51 mas sim 61. Lapso meu a digitar os números.

DEGRACONIS

DEGRACONIS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
DEGRACONIS disse...

Resposta a emails:

O artigo terá continuação brevemente. Não houve manifestações de interesse sobre o tema, e como estávamos em dúvidas se seria um post apropriado para este blog acabámos, então, por colocar o da AVE DA CHAROLA.

Na verdade o artigo já está todo escrito, mas o enfoque que o Lexior acabou por dar aos túneis e as demasiadas fotos, obriga a refazer o artigo. Deve o artigo concentrar-se essencialmente nos Bens Templários em Sintra e passagem deles para a Ordem de Cristo.

Sobre o Alexandre já demos notícias em comentário anterior. Mais não nos cabe a nós informar.

Sei que temos prometido alguns posts que acabámos por não os publicar ou mesmo fazer. Sei que alguns ficaram incompletos. Guiamo-nos pelo interesse manifestado quando os anunciamos e pelo tempo que temos e que é escasso. Visto este de Sintra, pelos vistos ser aguardado, iremos brevemente o publicar.

Anónimo disse...

Não percebo porque não publicar o artigo todo. Que se fale de túneis!!! em sintra ou na china
Toupeira

Anónimo disse...

E se querem manifestações de agrado, aqui fica uma: Delirei com os recortes do jornal e ainda estou à espera de os ver em detalhe no forum como foi dito.
Toupeira