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6/02/2011

O CLAUSTRO PERDIDO

Autoria: Paulo Peixoto | Cethomar
              

É com enorme prazer que acedo prefaciar o trabalho agora apresentado pelo Paulo Peixoto, um dos mais jovens e activos coordenadores do Cethomar, sobejamente conhecido no blog como Voltron, e ao qual devemos muito do que se tem vindo a realizar.

Debruçando-se sobre obras de grande valor e antiguidade, como sejam, os escritos de Jerónimo Roman e Pedro Álvares de Seco, não esquecendo de abordar outros de idêntico valor mas contemporâneos, como seja Salete da Ponte, Amorim Rosa, Vieira Guimarães, entre outros, Paulo Peixoto vem esclarecer um mito que há muito anda esquecido de todos os estudiosos do Castelo Templário. Trata-se do nono claustro referido por Frei Roman que terá existido no Convento de Cristo, e ao que parece nunca foi devidamente explicado nem encontrado. Vilhena refere-o e os Anais citam-no, tal como o leram no livro da “Ínclita História da Cavalaria da Ordem de Cristo” do século XVI, sem no entanto colocarem em causa a sua real existência em tempos recuados.

Paulo Peixoto vai mais longe e surpreendentemente parece que de uma vez por todas traz-nos um desfecho credível a essa história que fez a UAMOC procurar durante cinco anos em vão esse claustro perdido que Vilhena afirma ter conhecido.

                                                                                              Degraconis
                                                                                           P’lo Cethomar

O CLAUSTRO PERDIDO
Do Convento de Cristo


“O termo Claustro ou Crasta deriva do latim Claudo, Claudere que designa fechar. Na realidade a mor parte dos Claustros definem um recinto fechado, ainda que, quando a nós, em termos espaciais é afinal o que estabelece a transição entre o interior e o exterior.”
                                                                                                        Arq. Costa Rosa

       O Convento de Cristo encerra em si os mais belos claustros que existem em Portugal. Todos eles têm histórias e segredos que tornam a sua arquitectura ainda mais bela. É o caso do Claustro Principal, que guarda em si a beleza do renascimento, e o de Santa Bárbara, onde os seus demónios estão sempre atentos a todos aqueles que por ali vagueiam.

       Actualmente existem oito claustros, sendo eles: o da Lavagem, do Cemitério, o Principal, o de Santa Bárbara, da Hospedaria, da Micha, dos Corvos e o das Necessárias.
       Nada disto é novidade, todavia alguns antigos autores fazem menção a um outro claustro que não se consegue identificar. Afinal, que Claustro é esse que ninguém sabe onde está ou onde ficava? A própria UAMOC (União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo) nunca o conseguiu descobrir, apesar de o terem estudado pelas mesmas fontes que aqui apresentarei.
    Em 1886, Vilhena Barbosa escreveu sobre o Convento de Cristo no seu livro “Monumentos de Portugal”. Este refere o misterioso Claustro como sendo o primeiro a ser ali construído.

Proximo da capella mór, para o lado de leste, encontra-se um claustro, pequeno, de construção sólida, com a abobada dos seus lanços achatada, com a cantaria dos arcos tão grosseiramente lavrada, e tão desataviada de adornos; um claustro, em fim, com tantos e taes signaes de antiguidade, que se denuncia aos olhos menos experientes como uma obra dos príncipios da monarchia.” (pag.192)

       Verificamos que o autor o descreve como sendo “pequeno” e de “construção sólida”. Refere ainda ser “como uma obra dos princípios da monarquia” mostrando desta forma os seus “sinais de antiguidade”.

        Vilhena Barbosa localiza o claustro a leste da Charola e ficamos assim com a ideia de que possa ter existido nos Paços Henriquinos. Não é de todo disparatada a ideia, pois ficaria exactamente na área que é povoada desde o tempo dos cavaleiros Templários. O autor, no livro citado, ainda reforça a sua localização nesse local orientando-se pela primeira suposta Casa do Capítulo.

“Entre as obras que mostram antiguidade no Convento de Christo, há uma casa quadrangular, com abobada achatada, sustentada em pilares, e de tão sólida construção, que se conserva sem maior ruína, não obstante as águas da chuva, que dos terrados superiores cáem sôbre a sua abobada ha alguns annos. Esta casa, situada ao sudoeste do primeiro claustro, de que tratei a pág. 190, parece-me ser a primitiva casa do capitulo.”
       
        Vilhena localiza a primeira Casa do Capítulo a sudoeste do Claustro. No entanto, é de salientar que as descrições de Vilhena em relação ao claustro foram estudadas por parte da UAMOC referindo-se a isso da seguinte forma: “Manda a verdade que declaremos que, após cinco anos de estudo do convento, (…) nunca encontramos o tal claustro”. Portanto, o Claustro que Vilhena Barbosa supostamente viu, não passa de uma recolha de informação antiga, não correspondendo à realidade dos seus dias. Tudo leva a crer Vilhena apenas ter visto esse claustro no livro de Frei Jerónimo Romam do século XVI.

Frei Jerónimo Roman (1536-1597) autor do livro “Histórias das Ínclitas Cavalarias de Cristo, Santiago e Avis”, recolhe nas suas páginas informações valiosas sobre Tomar. Este Frei, da Ordem de Santo Agostinho, presenciou a coroação do rei Filipe II de Espanha, I de Portugal, no ano de 1581 nas Cortes de Tomar. No seu livro, Roman fala precisamente sobre este primeiro claustro do Convento de Cristo. Segundo o que consigo entender, durante a sua estadia em Tomar, ainda o Claustro existiria.

Apresenta-se a seguir um excerto do livro de Roman, onde fala do primeiro Claustro a ser construído no Convento de Cristo.

“Quando se começou a habitar este sítio, onde agora é este convento, como já disse que foi do tempo do Infante D. Henrique, pois este mandou lavrar um claustro, o primeiro que houve neste Convento, então só de seguida se começou edifício não muito grande nem sumptuoso que vieram a ser assim, pois o rei D. Manuel deu ordem que todos os frades clérigos vivessem dentro do Convento e para eles mandou construir alguns edifícios.
Existem oito claustros em este Convento, cada um dos quais têm as suas oficinas respectivas para o serviço dos religiosos. O primeiro e mais antigo é o Claustro Velho, que por ser o primeiro e mais antigo se chama assim, e serve de poucas coisas, não tem altos mas têm um médio laranjal excelente e fresco, este que Infante D. Henrique mandou fazer, e está agora entre uns edifícios e casas velhas que serviram de palácio do rei D. Manuel e outros que chamam casas da rainha, porque este rei e rainha tiveram muita afeição a este convento.”

Claustro Velho! É esse o nome que Frei Jerónimo Roman atribui ao primeiro Claustro do Convento de Cristo. Nome adequado por ser o mais antigo.

A Laranjeira é a árvore que mais se associa ao convento ao longo da sua história, sendo ainda hoje possível sentir a sua presença junto à casa inacabada do Capítulo, e segundo Roman até existiria uma cisterna que regaria alguns dos seus laranjais. É referido pelo autor a presença de laranjeiras no Claustro Velho mandadas plantar pelo próprio Infante D. Henrique. Era decerto um lugar agradável!

Frei Jerónimo Roman afirma que o rei D. Manuel e uma determinada rainha, certamente D. Catarina, teriam “muita afeição a este convento”, facto pelo qual o Paço do Infante também é conhecido por Paço da rainha D. Catarina.

O excerto que se segue, continuação do texto acima apresentado, refere o Claustro da Lavagem ficar-lhe a ocidente:

“Andando um pouco para ocidente há outro claustro antigo que é o segundo em antiguidade, o qual ergueu Infante D. Henrique, e tem um claustro alto mandou a pintar toda assim pelas paredes como o alto dos dóceis o rei D. Manuel renovando serve agora de lavatório dos Hábitos dos religiosos aos quais esfregam e lavam suas túnicas e capuzes porque têm junto uma cisterna de água.”

        Recentemente, a Dr. Salete da Ponte debruçou-se sobre as edificações henriquinas dando particular atenção aos designados “Paços do Infante”:

      “Regressando às construções henriquinas e tendo em conta o carácter exemplar de que se deveria resistir a figura do príncipe (indo recolher-se no castelo), interrogamo-nos sobre o lugar onde ele residia. Referências escritas, já da segunda metade do século XVI, mostram-nos que era na área compreendida entre o Claustro da Lavagem e a alcáçova.”

        O excerto transcrito, provém do estudo publicado com o nome de “Abordagem Arqueo-histórica dos Paços do Castelo dos Templários” da Dr. Salete da Ponte, estudo no qual, vai-se socorrer de Pedro Álvares de Seco, visto este descrever cuidadosamente os paços henriquinos, dando-nos a conhecer a existência de um pátio com um laranjal e jardim.

        “Os paços antigos tinham um pequeno terreiro junto à sua extremidade leste e o acesso a eles se fazia-se pelo lance inferior da escadaria que acedia à Charola; entrando por uma porta do piso térreo do Claustro da Lavagem, encontrava-se uma escada conduzindo à sala de recepção no andar nobre dos paços. Outro acesso era por uma porta grande (denominada «Porta dos Arcos»), junto ao referido lance de escadaria, passando sob a sala de recepção e através de outra porta, a qual, por sua vez, abria para um pátio, em cuja face norte existia numa varanda com escada; a oeste era ainda a parede do claustro. As dependências dos paços antigos eram a norte e a leste daquele pátio. Fazia também parte dos paços, adjacente ao primeiro terreiro indicado, um laranjal e jardim. Os paços novos foram construídos na parte norte deste laranjal, que continuou, embora mais pequeno, a existir em frente dos novos edifícios.”

        Os paços antigos são da altura do Infante D. Henrique e os paços novos do tempo de D. Manuel, ficando situados aproximadamente no mesmo local. Alias, já em citações anteriores de Frei Jerónimo Roman, referi as ditas casas mandadas construir por D. Manuel ficarem nos Paços do Infante.

Salete, baseada em Pedro Álvares de Seco, refere um laranjal, possivelmente o mesmo que Roman descreve, e seria este nos Paços do Infante. Só que existe um problema: Salete não refere nenhum claustro! Possivelmente Pedro Álvares de Seco não identifica essa construção como sendo um claustro.

       Portanto, da confrontação das duas descrições do século XVI pelos dois autores referidos, acho estar em condições de afirmar não ter existido propriamente um claustro mas sim um pequeno pátio interior que, por ser possivelmente quadrado, levou a que Frei Roman, em data posterior à descrição do Pedro Álvares de Seco, tenha-o designado como sendo um claustro. As constantes alterações ou “mudanças que todos os dias se fazem” nos Paços, no decorrer do século XVI, pode ter contribuído para atribuições diferentes da parte de cada um dos autores, visto não existir dúvidas ambos estarem a referir o mesmo local. A confirmar ser o mesmo espaço, temos o facto de Roman dizer que “está (esse claustro) agora entre uns edifícios e casas velhas que serviram de palácio do rei D. Manuel” e por sua vez Pedro afirmar “os paços novos foram construídos na parte norte deste laranjal, que continuou, embora mais pequeno, a existir em frente dos novos edifícios".

      Ficam portanto, esclarecidas algumas questões relacionados com este Claustro. Se de facto existiu um nono Claustro, ou melhor, o primeiro, este estaria localizado no Paço do Infante, hoje em ruínas, e talvez seja mais apropriado o designar como um pequeno pátio interior de matriz quadrangular.



Paço do Infante no Convento de Cristo.



 Localização do Claustro/Pátio no século XVI.

20 comentários:

Cristiano Ferronato disse...

Como faço para ter acesso a este trabalho aqui no Brasil. Estive em Tomar e foi um dos mais belos e misteriosos locais que visitei em toda vida. Parabéns pelo Blog.

Paulo Peixoto disse...

Basta contactar para o seguinte email: cethomar@hotmail.com

Pede os trabalhos que lhe interessa e receberá no seu email.

Anónimo disse...

Misteriosos? Conte conte..

CLUNY disse...

Caro Paulo Peixoto afinal no teu entender quantas casas do Capitulo têve o Convento de Cristo?

Paulo Peixoto disse...

Apenas tenho conhecimento de três casas do capitulo: Um que se refere no post, junto ao Claustro do Cemitério; a Casa Inacabada do Capitulo; e a habitualmente designada Casa do Capitulo, a que pertence a famosa janela do capitulo.

CLUNY disse...

No teu trabalho transcreves esta passagem do livro Vilhena.

“Entre as obras que mostram antiguidade no Convento de Christo, há uma casa quadrangular, com abobada achatada, sustentada em pilares, e de tão sólida construção, que se conserva sem maior ruína, não obstante as águas da chuva, que dos terrados superiores cáem sôbre a sua abobada ha alguns annos. Esta casa, situada ao sudoeste do primeiro claustro, de que tratei a pág. 190, parece-me ser a primitiva casa do capitulo.”

Deduzo então que consideras esta suposta casa do capitulo como um mal entendido, ao afirmar a sua existência.

Tal como acaba por ser o suposto claustro mais plausível de ser um pátio?

Paulo Peixoto disse...

Aquela casa do capitulo existiu realmente! Mandada construir pelo Infante D. Herinque, situava-se junto ao claustro do Cemitério. A sua localização poderia de facto ser a sudoeste do primeiro claustro. Não existe nenhum mal entendido em relação a casa do capitulo!

Não percebi a tua ultima questão, mas se estás a perguntar porque é mais plausível ser um pátio do que um claustro, eu no próprio texto não dou certeza a nenhuma das opções, uma vez que o local está em ruinas o que não permite responder a tal questão! Apenas refiro que o local foi identificado como sendo claustro pelo Jeronimo Roman, e a partir deste o Vilhena Barbosa também o identificou como um claustro. Já o Pedro Álvares de Seco não o refere como um claustro! Tenho isso explicado no post!

Paulo Peixoto disse...

Eu não aprofundei a questão da Casa do Capitulo, uma vez que não interessa para o objectivo do trabalho.

Mas atenção que essa Casa do Capitulo é referida também pelo Pedro Álvares de Seco! De facto, existiu!

Anónimo disse...

Não se consegue ver no meio dessas ruinas as colunas do pátio? Seria interessante ver algumas fotos.

CLUNY disse...

Caro Paulo Peixoto, eu não questiono a questão do claustro ser ou não ser claustro.

Eu questiono é que segundo Vilhena e atenção não segundo Pedro Alvares Seco no Tombo ... da Mesa Mestral da Ordem de Cristo.

Vilhena diz-nos que a primeira casa do capítulo seria junto aos paços do infante.

ONDE FOI BUSCAR TAL INFORMAÇÃO NÃO SEI. SEI QUE A DESCRIÇÃO QUE FAZ, MENCIONA QUE CHOVE SOB A ABÓBODA, afirmação essa que me FAZ PENSAR QUE CONHECEU O LOCAL.

Este Aspecto dá a ideia que durante a vida de Vilhena esse local existia ou ainda existe e passa-nos despercebidos.

O que tu afirmas ser a primeira casa do capitulo e que se localiza na actual sacristia nova, anteriormente refeitório, ao lado da caixa forte do convento denominada também por casa do eco (consultar Vieira Guimarães "A ordem de Cristo".

Segundo Vilhena esta casa é a segunda, pois nem esta fica no local que ele menciona ou seja a sudoeste do tal primeiro claustro (velho) nem esta casa têm a forma quadrada ou a abobada.

E mais esta casa é rectangular e localiza-se a oeste dos paços do infante hipotético local do tal claustro.

A primeira casa do capítulo a existir segundo o que diz Vilhena, é mais antiga que a segunda mandada construir pelo infante a actual sacristia nova.

Por esta sucessão de ideias teríamos 4 casas do capítulo, segundo Vilhena claro...

Paulo Peixoto disse...

Bom ponto de vista...

Mas convido-lhe a ler a parte dedicada às casas do capitulo do livro do Vilhena. Ele diz o seguinte logo, a seguir ao paragrado que refere da primitiva casa do capitulo:
“Entre as obras mandadas fazer no convento de Christo pelo infante D. Henrique, duque de Vizeu, acho mencionada a casa do capitulo, junto ao claustro do Cemitério. Não designa qual fôsse essa casa o auctor antigo em que isto li: mas entendo que é, sem dúvida aquella de que fallei a pag. 192.”

Pelo meu entender percebi que fosse a mesma casa. Como já lhe disse, não dei grande importância à casa do capitulo, uma vez que o trabalho era sobre o claustro.
Não sei se só reparou nesse erro ao ler o trabalho publicado, caso contrario poderia ter-me avisado antes da sua publicação, uma vez que já tinha lido o trabalho.

CLUNY disse...

Caro Paulo Peixoto

Adorei o seu trabalho quando o li da primeira vez.

Acho um bom trabalho que nos traz um tema muito intressante que fez a cabeça em água a muita gente a procura desse tal claustro.

Já a muito tempo que não conseguia comentar algo, soube muito bem lembrou-me tempos passados.

Nada mais tenho a acrescentar, trocaremos impressões pessoalmente sobre esse primeiro claustro e sua possivel localização num próximo encontro.

Abraços

Paulo Peixoto disse...

Devido ao aparecimento de novos dados, houve necessidade de corrigir um erro no trabalho. Como referido em cima nos comentários, referi a localização errada da primeira casa do capítulo, tendo existido uma confusão entre esta e a segunda casa do capitulo. Não existe grande problema uma vez não ter grande importância para o tema apresentado.

Anónimo disse...

Porque tiraram o texto dos patos bravos?

Anónimo disse...

Não tiraram. Os Patos é que fugiram.
ahahaha

Anónimo disse...

Patos???? Alguém me explica o que era isso dos patos

DEGRACONIS disse...

O pato voltou ao forno. Ainda não estava bem assado lol. Foi retirado por indicação do autor do post. Voltará em breve a estar novamente ao vivo.

simon disse...

Boa noite. Quando Vilhena ou Inácio de Vilhena Barbosa diz que chove sob a abóbada ele poderá muito bem estar a referir-se ao Claustro da Lavagem dado que o mesmo foi bastante destruído no século XIX após uma tempestade. Já tinha levantado a hipótese nos anos 90 embora nada haja sobre esse claustro de origem remota (templária ou henriquina). Há muito que aponto como hipótese o ter existido construção henriquina na zona hoje ocupada pelo topo da sacristia Nova e Casa forte. Aqueles tuneis/passagens cegos/fechados que saem da igreja, entroncam com o Corredor dos Confessionários a essa conclusão me levam.Tanto mais que ali era o fim das edificações primitivas. E se pensarmos que se existem monges/cavaleiros e temos dois claustros obviamente que devemos ter dormitório e refeitório. Muito obrigado

CLUNY disse...

Caro Simon

Diz-nos que aponta ter havido construção Henriquina onde se encontra o “topo” da Sacristia Nova e a Casa Forte, não entendo bem o que quer com esta afirmação dizer pois de facto está mencionado por diversos autores, entre quais “Vilhena Barbosa, Vieira Guimarães, José António dos Santos” a origem destas construções ser Henriquinas. Isto é um ponto assente.

O que me causa confusão é dizer a palavra “topo” no seu comentário localize-me melhor esse local específico a que se refere, será as traseiras da Sacristia Nova?

Não estou a fazer uma análise detalhada “túneis/passagens cegos/fechados” que fala só o poderia fazer com alguma leitura e uma ida ao local para confrontar teorias, mas já ponderou que um edifício que sofreu tantas mudanças estruturais, acrescentos, adaptações que essas passagens muradas não sejam uma consequência natural disso e nada mais?

Em relação ao dormitório e refeitório já que temos dois claustros e que o segundo por ordem cronológica é o do cemitério tal como o nome indica, era um local de enterramento dos monges, talvez o primeiro o “Claustro da Lavagem” servisse no seu piso inferior para os afazeres dos monges e eventualmente de refeitório e quem sabe porque não algures sobre as suas abobadas ficasse a primeira casa do capítulo, a tal que Vilhena diz que chovia sobre a sua abobada.

Se pensarmos bem este Claustro é reconstruído já no século passado, poderia Vilhena ter identificado algo que o levasse a tecer esse comentário nesse local e que após a reconstrução tivesse sido eliminado.

Acaba por ser uma teoria que carece de investigação.

Já os dormitórios ficariam no piso superior do claustro, muito provavelmente estaria o claustro dividido com paredes de madeira e com as frentes tapadas por um pano, á frente das celas existiria um corredor por onde se faria serventia a todo aquele complexo e a ligação aos Paços do Infante e ao Claustro do Cemitério.

Cluny.

simon disse...

Boa noite. Nunca mais lhe disse nada a respeito da pergunta/réplica que me fez. Quando eu falo no topo da Sacristia Nova estou efectivamente a falar da parte detrás. Se sair da Loja do Convento verificará que se encontra num espaço quadrangular e tanto à sua direita como à sua esquerda tem pequenos inícios de corredor que estão entaipados. Dada a sua continuidades em termos lineares pode ser uma boa hipóteses o supormos da existência de uma passagem que nada tinha de secreto mas tão somente ser uma ligação entre a Charola e a zona de serviços e entenda-se como serviços refeitório e dormitório. Estas estruturas andam sempre a par de um cemitério quando se pensa numa estrutura conventual. E é obvio que o claustro do Lavor não servia para isso.
Muito obrigado