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8/04/2011

TORRE DE PUNHETE - parte I

NOTÁVEL VILA DE CONSTÂNCIA
AUTORIA: CETHOMAR


1. SAUDADE DE PUNHETE
s
“Saudade é a mágoa de já não se gozar o que em tempo se gozou; é o desejo veemente mas resignado de volver a disfrutar de um bem, que nos era gratíssimo; é também o anseio por ver, por estar na companhia de alguém de quem a custo nos apartámos” são palavras de Gonçalves Viana referindo-se a esse sentimento que, segundo se diz, reflecte o que de mais genuíno existe na alma portuguesa, e mesmo existindo semelhante sentimento noutros que não só nos portugueses, “entre nós saudades, nome que a língua espanhola não tem nem os latinos, declarando uns e outros saudades por este nome deseos e desiderium: ficando nisto a língua portuguesa de vantagem, pois para uma cousa tem esta palavra desejos e saudade para a outra” segundo Isidoro de Barreira, frade do Convento de Cristo no séc. XVII no “Tratado das Significações das Plantas…” já por nós apresentado.

Talvez seja esse misterioso vocábulo que melhor define e encerra o sentimento que os autores deste blog nutrem pelas antigualhas do passado e das quais deixaram de poder desfrutar, a vontade inexplicável de as reviver, e se a “saudade é a lembrança da Pátria com o desejo de regresso”, é a nossa pátria, se não mesmo religião, a memória do passado que se enraíza no património que ainda podemos conhecer, seja ele ainda presente, seja ele uma simples gravura que resistiu às vicissitudes do tempo ou tão somente uma lenda. E se em termos concretos a saudade é a consciência da perda daquilo que queríamos presente, por via da lembrança e da história, tomamos consciência desse passado, e desse modo podemos voltar a vivenciar do que fomos apartados.

Camões confere à “saudade” uma dimensão cósmica, Frei Agostinho da Cruz canta a “divina saudade”, tornando-a transcendente, e em Teixeira de Pascoais atingimos às mais altas, complexas e profundas interpretações metafísicas da saudade a ponto de a transformar numa verdadeira religião – o saudosismo ou filosofia da saudade – porventura a única e original “igreja” verdadeiramente nacional onde as grandes figuras do papado foram os maiores poetas da nossa história, e ainda, se para Pascoais na saudade existe a ideia de lembrança do regresso que a alma sente pelo “Paraíso Perdido”, sentimos nós, esperança, porque saudade é não só memória nostálgica e vontade de regresso mas também esperança por esse passado. “Saudade do futuro” como diria Fernando Pessoa, pois nessa saudade do que há-de vir também se funde memória do que já foi.

Platão ensina-nos que “saber é recordar”, e de acordo como essa máxima, da simples ideia de publicar umas fotos e gravuras de Constância – estamos em férias não existe tempo para mais - rapidamente fomos incitados a saber mais sobre as imagens dessa vila que tanto nos tinham impressionado.

Este longo discurso filosófico parte de uma foto que dá a conhecer umas simples empenas de uma antiga construção que existia no cabo da vila de Punhete - actualmente Constância - e que designavam como Torre, tendo despoletado em nós sentimento para o qual só encontrámos uma forma de o exprimir: Saudade.

Pensámos publicar todas as fotos e gravuras que conhecíamos dessa torre de Punhete e assim resolver o tempo de férias, por forma a não deixar o leitor sem novidades no blog, mas à semelhança do que sempre nos tem acontecido quando queremos apenas fazer uma pequena divulgação, fomos catapultados para um post de maior envergadura com informações que inevitavelmente achámos por bem incluir com a publicação das imagens, até porque se trata de matéria pouco acessível.


2. AGRADECIMENTOS

Antes de começar-mos a “matar saudades” de Punhete queremos exprimir aqui a nossa eterna gratidão ao Exmo. José Varzeano, o qual enviou-nos, mesmo sem um pedido expresso da nossa parte nesse sentido, o livro “Descripção da Villa de Punhete” do ano de 1830 pelo P.e Veríssimo José de Oliveira, o qual nem na Biblioteca Nacional encontramos, e que em muito contribuiu para o enriquecimento deste nosso artigo, e obviamente, pacificou o sentimento com que ficaríamos se não o tivéssemos consultado, ficando-nos assombrar a ideia de que não teríamos cumprido com os objectivos de pesquisa: Punhete, Constância e todos os que a amam mereciam este nosso esforço.

A nossa primeira aproximação a este livro e interesse pela sua consulta parte de um excerto que tivemos acesso no âmbito da pesquisa que se vinha fazendo. Diz-nos que junto à foz do Zêzere assentava um antigo castelo gótico e que após a sua conquista em 1150 teria sido reconstruído por “D. Miguel Pais, mestre da Ordem do Templo em Portugalem 1152.

Um agradecimento especial ao caríssimo amigo por nos ter permitido investigar esta informação na fonte original donde terá sido extraída.

Parte II

3 comentários:

emege disse...

Costumo por aqui passar, embora recentemente não o tenha feito, de maneira que só agora tenho vindo a ler tudo o que postaram desde Julho.
Relativamente à Torre do Punhete, nada conhecia, no entanto as gravuras com que ilustram a capa dos artigos não me parecem pertencer a essa torre, mas sim a Dornes. Envio foto comparativa do local para o vosso mail, para fundamentar aquilo que afirmo.

Cumpimentos

Manuel Gil

Degraconis disse...

Manuel Gil enviou a foto para que email nosso?

mande para cethomar@hotmail.com

Quanto às gravuras podemos-lhe garantir serem de Punhete e não de Dornes. Podemos-lhe enviar em tamanho razoável para que veja melhor.

Degraconis disse...

Manuel ok.. Já vi e já lhe mandei a foto.
Abr