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12/26/2010

OS PASTORINHOS DE SANTA BÁRBARA - PARTE IX

UMA APARIÇÃO NA MATA DOS SETE MONTES
Uma misteriosa capela aparece numa antiga gravura
S
A imagem que apresentamos de seguida inclui uma capela no alto do monte, todavia não se conseguiu em concreto perceber em que monte se situaria, se no primeiro monte junto ao Convento de São Francisco, designado como Pinhal de Santa Bárbara, ou eventualmente numas colinas mais afastadas, local onde se situam as ruínas encontradas.


Também deveremos ter em consideração a existência de uma outra capela pertencente ao Convento de São Francisco, essa indubitavelmente, no monte que se situa de imediato atrás do Convento. Pode a imagem anteriormente representar essa capela, designada como a dos Anjos, contudo, se confrontarmos a descrição desta, que damos a conhecer adiante, com a imagem desenhada e com o mapa seguinte, certamente concluímos não se tratar da mesma.

Mapa com localização da Capela Nª Srª. dos Anjos (marcada pela Cruz e pelo ponto)

Da localização exacta constante no mapa podemos ainda dizer que “(…) Esta estrada inutilizou a antiga Calçada da Senhora dos Anjos, que partia do mesmo ponto (rua da Graça) e subia costeando o muro da cerca do Convento e cujo nome provinha de uma antiga capella da mesma invocação, que existia ao cimo d’aquella íngreme ladeira, esta capela que pertencia aos Freires de Christo” e pode ser d escrita como “alpendres de boa architectura assentes sobre colunas de pedra, casas para recolherem os romeiros e para residecia do ermitão, hoje já d’ella nem restam vestígios (…)”

Calçada Senhora dos Anjos ou Paialvo (duas perspectivas) no cima da qual ficava a respectiva Capela
Local da Capela (e outeiro) de Santa Bárbara e também da ruína
(qualquer uma das imagens foi recortada para mostrar apenas os locais tratados)


Posto que referimos a antiga capela da Senhora dos Anjos, seria desajeitado não lhe dedicarmos algumas linhas. Após a sua demolição devido ao desaterro da Estrada de Paialvo, em 1845 decide a Câmara vender a sua pedra, e em 1848 intimou Eugénio Figueiredo e Silva a tirar a pedra dos entulhos do alagamento da Capela, a fim de poder dispor dela para concerto nos caminhos próximos. Em 1865 desaparece por completo, tendo as remanescentes pedras sido empregues nos concertos da Rua da Graça até à Rua Direita, visto esta estar um aterro por motivos que agora não tem lugar desenvolver.

Foi precisamente na Rua da Graça, junto à Igreja da Misericórdia, que por várias vezes abateu o terreno, supondo J.M. Sousa em 1903, ser parte da abobada do lendário túnel que ligaria o Castelo à Igreja de Santa Maria do Olival, a ceder na sua função. Curiosamente neste último ano foi demolido um edifício no mesmo local – em frente à igreja – e pôde-se verificar a existência de um bocal de um antigo poço que se conservou durante as obras do novo prédio que surgiu. As más experiências que alguns construtores têm tido quando decidem entulhar essas galerias subterrâneas, têm nos últimos anos ditado que procedam de forma diferente. O bloqueio desses canais hidrológicos pode colocar em causa as fundações dos edifícios sobre as quais assentam, em virtude da acumulação de águas que durante séculos percorreram tais vias, se não desviadas correctamente.

Rua da Graça, actualmente Av. Cândido Madureira

“E a velha Calcada de Paialvo, onde tanto peregrino de pé e de joelhos passou em penitência e oração à idolatrada Senhora dos Anjos, desapareceu! Sic transit gloria mundi! E Nossa Senhora, agora, jaz, quase olvidada, numa altar lateral da Igreja de São Francisco.”
S
Nossa Senhora dos Anjos

Jaz, jazia, porque agora nem em São Francisco a encontram. Desapareceu entretanto!
S
Um aparte: Existe por vezes alguma confusão entre esta capela e a da Nossa Senhora dos Anjos ou do Paraíso existente no Convento de Cristo, e na qual, supõem alguns, existira no passado um acesso à cripta da Charola.

Próximo capítulo
UMA ANTIQUÍSSIMA IMAGEM DE TOMAR
A mais antiga da urbe completa

1 comentário:

DEGRACONIS disse...

Esta imagem também se encontra no livro Ordem de Cristo de Vieira Guimarães. Só nos lembramos dela mais tarde. Confirma-se a atribuição daquele monte, onde vemos a capela, ser o Monte de Santa Bárbara.